Desativada 2

Sem parar

Redação DM

Publicado em 18 de março de 2016 às 22:53 | Atualizado há 1 ano

 

A Cachorro Grande tem vivido momentos intensos. No começo deste mês fizeram, em Porto Alegre, a abertura do último show da banda Rolling Stones no Brasil – um detalhe importante é que os ingleses são uma das maiores inspirações da banda gaúcha. E, sem parar de viajar pelo Brasil com as últimas apresentações da turnê baseada no mais recente álbum Costa do Marfim, estes rapazes estão com disco novo quase pronto. É neste clima frenético, que chegam hoje, a Goiânia, para show que acontece a partir das 22 horas, no Diablo Pub.

“Sobre o momento político, eu acho ótimo que as pessoas pensem diferente e se manifestem quando acham que devem. Mas, não compreendo o discurso de ódio, que pra mim não é diferente do racismo e da homofobia”, tecladista da Cachorro Grande Pedro Pelotas.

No palco, Beto Bruno (vocal), Marcelo Gross (guitarra), Rodolfo Krieger (baixo), Pedro Pelotas (teclado) e Gabriel Azambuja (bateria) comemoram os quatro anos do Diablo Pub. Conforme adiantou o tecladista Pedro Pelotas, em entrevista ao

DMRevista, apesar de o show ser baseado no último álbum, o público pode esperar sucessos de épocas mais remotas. “Como nós ainda não fomos com o ‘Costa do Marfim’ em Goiânia, devemos dar ênfase nas músicas do disco. Mas, claro, que tem aquelas que não podem faltar: ‘Hey Amigo’, ‘Você Não Sabe o Que perdeu’, ‘Que Loucura'”, promete.

Depois desta apresentação, a próxima vez que a Cachorro Grande – que ano passado foi uma das atrações do festival Goiânia Noise  – pisar por aqui  será com disco novo. Aproveitado uma fase de experimentação incentivada pela parceria com o produtor Edu K, os artistas iniciaram no derradeiro álbum – o “Costa do Marfim” -,  uma trilogia, na qual o segundo CD da série deverá sair no segundo semestre deste ano.

A trilogia, na qual os artistas se deixam levar por influências eletrônicas e  psicodélicas, representa um marco na história da banda. Pois, até então a  Cachorro Grande, que lançou o primeiro álbum em 2001 sempre gostou de experimentar, no entanto, baseava seu trabalho principalmente no rock clássico sessentista (influêciado por bandas gigantescas da época, como Beatles e, a já citada Rolling Stones).

Foi com neta pegada “retrô-contemporânea”, que se tornaram uma banda respeitada no cenário musical brasileiro. A projeção nacional começou em 2004, com o disco “As Próximas Horas Serão Muito Boas”, que trazia faixas como:  “Hey Amigo” e “Que Loucura!”.

No ano seguinte, lançaram “Pista Livre”, que foi masterizado no lendário estúdio utizado pelos Beatleas Abbey Road. Deste álbum, brotou ainda mais sucessos, a exemplo de: “Você Não Sabe o que Perdeu”, “Sinceramente” e “Bom Brasileiro”.

Desde então lançaram mais quatro álbuns, que foram: “Todos os Tempos” (2007), “Cinema” (2009), “Baixo Augusta” (2011) e “Costa do Marfim” (2014). Agora é experar por novidades, porque, como sabemos, elas estão por vir.

Entrevista Pedro Pelotas- tecladista da Cachorro Grande

DMevista: Conte-nos como foi a experiência de abrir o show da Rolling Stones. Vocês chegaram a se encontrar com a banda?

Pedro Pelotas: Olha, foi uma coisa tão louca que parece que não aconteceu. A gente se liga e fala: “me conta de novo, o que foi que rolou?” Na real foi tudo perfeito, foi um acontecimento histórico pra cidade, vai ser lembrado pra sempre. E pra nós foi a realização máxima. Tivemos o privilégio de ficar uns cinco minutos com eles e bater uma foto. Mas antes  disso assinamos um termo que prevê uma multa em euros caso a gente divulgue a imagem. Agora, difícil ta sendo lidar com a saudade deles que eu já estou!

DMRevista: Em uma entrevista, Beto Bruno disse que depois deste show iria deixar de ser um “Mick Jaggerzinho”, para ser o Beto Bruno de verdade. O que público pode esperar da banda, depois desta apresentação?

Pedro Pelotas:  Acho que ele quis dizer que quer ser cada vez mais ele. Na verdade, assistir aos shows dos Stones e tocar no palco deles, ver como funciona uma estrutura desse tamanho, e ter conhecido eles, olhado no olhinho deles… Isso tudo foi um momento de iluminação pra nós. Nós nunca mais seremos os mesmos. Ver de perto os caras fazendo rock há mais de 50 anos nos deu uma renovada no espírito, e a vontade de trilhar um caminho longo como o deles.

DMRevista: Em Goiânia vocês já viveram momentos lendários. Entre outras experiências, fizeram aqui um dos primeiros shows fora de Porto Alegre. Como se apresentar na cidade?

Pedro Pelotas:  Goiânia é uma cidade rockeira demais, perdi a conta de quantas vezes tocamos aí. Temos um milhão de amigos e de histórias também, a gente não poderia encerrar a tour do Costa do Marfim sem passar na cidade de vocês.

DMRevista: No último disco de vocês, o Costa do Marfim, a banda iniciou uma trilogia, na qual flerta com a música eletrônica, a psicodelia e, claro, com o rock clássico. A experimentação é a grande palavra do momento?

Pedro Pelotas: Pode se dizer que sim. A gente sempre teve a postura experimentalista em diferentes níveis, mas agora mais do que nunca. Nós não somos mais uma banda nova, temos sete discos e sempre tivemos necessidade de reinventar. Então, porque não explorar essa vertente tão versátil da música?

DMRevista: Uma trilogia é algo incomum nas bandas de rock atuais. Por que optaram por este formato?

Pedro Pelotas: Na verdade isso foi acontecendo naturalmente, já brincávamos com a música eletrônica desde o “Pista Livre”, em músicas como “Desentoa”, começamos a ouvir Primal Scream, Ian Brown, Kasabian, Chemical Brothers… e tínhamos um plano de fazer um disco de remixes com o Edu K, e um dia ele falou: “por que vocês não fazem um disco de música eletrônica, em vez de remixar as músicas que vocês já tem?” E assim veio o Costa. E a gente viu que existe um universo enorme pra explorar musicalmente, por isso decidimos fazer uma trilogia.

DMRevista: Vocês estão atualmente em estúdio gravando o segundo disco desta série. Em que fase está sua produção?

Pedro Pelotas: Então, já estamos no segundo disco da trilogia, já gravamos tudo, e estamos na fase das mixagens. Queremos lançar ainda este ano.

DMRevista: Em QCosta do Marfim”, com ajuda de Edu K, vocês desenvolveram uma forma mais espontânea de compôr. No próximo disco o processo tem sido o mesmo? O que mais os inspiram a criar?

Pedro Pelotas: No Costa, nós pegamos as demos das músicas que já tínhamos e demos uma roupagem eletrônica pra elas, nesse disco a gente já compôs as músicas pensando nesse resultado, conhecendo melhor o território onde estamos pisando. E é justamente esse desafio de soar sempre como uma evolução do que já fizemos que nos instiga a seguir fazendo discos!

DMRevista: Na política atualmente vivemos tempos de protestos, opiniões polares e muitas desconfianças. Como analisam este momento? Tudo isso influência diretamente na criação da banda?

Pedro Pelotas: Política não é um tópico comum nas nossas músicas, apesar de que aparece aqui e ali. Nós temos divergências e convergências políticas, cada um de nós tem opiniões diferentes e por isso não levantamos bandeira enquanto banda. Eu acho ótimo que as pessoas pensem diferente e se manifestem quando acham que devem. Mas, não compreendo o discurso de ódio, que pra mim não é diferente do racismo e da homofobia.

DMRevista: Vocês parecem ter lidado bem com as novas formas de fazer e distribuir música, que o mundo conectado trouxe. Foi tranquilo esta adaptação?

Pedro Pelotas: Tá sendo tranquilo. Adaptar-se não é uma opção na verdade. Mas mesmo assim, fazemos questão de manter o formato de álbum, lançar discos a cada dois anos, em todas as plataformas, inclusive, CD  e LP.

DMRevista: Podem deixar um convite para quem vai assistir o show de hoje?

Pedro Pelotas: É isso aí! Convido todo mundo pra ir prestigiar esse momento histórico da Cachorro! Vai ser o nosso primeiro show depois dos Rolling Stones e nós estamos com sangue nós olhos pra fazer o que a gente faz de melhor, na cidade que a gente ama e que sempre nos recebeu tão bem.

Serviço

Show Cachorro Grande

Quando: 18/03

Horário: 22h

Local: Diablo Pub

Endereço: Rua 91, n. 632, Setor Sul

Ingressos:  R$ 30,00 (antecipados) e R$ 40,00 (na bilheteria). Mulheres tem desconto de 50% até às 23 horas.

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