Desativada 2

Solidariedade sem olhar a quem

Redação DM

Publicado em 19 de março de 2016 às 21:38 | Atualizado há 1 ano

 

Antônio Gonçalves da Silva, mais conhecido como Batuíra é uma das maiores personalidades do espiritismo brasileiro. Nasceu em Portugal, em 1839, mudando-se para o Brasil aos 11 anos, onde se estabeleceu no Rio de Janeiro. Filho de camponeses, completou apenas a educação primária. Transferiu-se para São Paulo, onde trabalhou como entregador de jornais. Devido ao seu ofício, foi apelidado de batuíra, nome popular da naceja, uma ave ligeira, de voo rápido. Batuíra abraçou a doutrina espírita, e sua popularidade deu-se em razão de sua solidariedade diante de uma epidemia de varíola. Batuíra serviu de médico e enfermeiro, dando abrigo, remédio e comida aos mais necessitados.

Sua personalidade é descrita no site da Federação Espírita Brasileira, que menciona sua leveza de espírito. “Diligente, honesto e espírito dócil, Batuíra, como entregador de jornais, ia formando amigos e admiradores em toda parte. Parece que neste período que aprendeu a arte tipográfica, certamente nas próprias oficinas do ‘Correio Paulistano’”. Batuíra, mais tarde, através de muita economia, passou a atuar como empreendedor, sempre se lembrando dos menos favorecidos socialmente. “com as economias que reuniu, e naturalmente com o auxilio de pessoas amigas, montou um teatrinho nos fundos de uma taverna da Rua Cruz Preta. Naquela modesta casa de espetáculos, muitos amadores fizeram sua estreia, inclusive Batuíra”.

O artigo da Federação Espírita Brasileira revela ainda o sucesso de Batuíra com suas finanças. “Audaz como os grandes empreendedores o são, investiu seu dinheiro na compra de áreas desvalorizadas, iniciando a construção de pequenas casas para alugar, tornando-se assim um abastado proprietário, cujos haveres traduziam o fruto de muitos anos de trabalho árduo e honrado, unido a uma perseverança inquebrantável”. Apesar do sucesso financeiro, a morte de seu filho aos 12 anos (fruto de seu segundo casamento com Maria das Dores Coutinho), de forma súbita, encheu sua vida de tristeza. Para recuperar suas forças, Batuíra buscou o espiritismo. Tal busca marcaria o resto de sua existência.

Espiritismo

Dentro da doutrina espírita, Batuíria contribuiu com a iniciativa de várias ações sociais, bem como com a divulgação da doutrina pelo país. Ele também foi responsável pela restauração, em 1890, do Grupo Espírita Verdade e Luz. “Tão grande foi a paz que o Espiritismo lhes infundiu, que Batuíra imediatamente pôs mãos à obra, no desejo ardente de que outros companheiros de labutas terrenas tivessem conhecimento daquela abençoada fonte de esperanças novas”. Batuíra também possuía o dom da mediunidade curativa, tratando as doenças da alma com passes magnéticos e água fluidificada. Segundo a Federação Espírita Brasileira batuíra trouxe a cura para centenas de pessoas.

Ainda na última década do século XIX, dedicou-se à criação de um periódico que seria responsável pela divulgação do conhecimento espírita. “Adquiriu então uma pequena tipografia, destinada a divulgação e propagação do Espiritismo, editando a publicação quinzenal chamada ‘Verdade e Luz’, que atingiu no ano de l.897, a marca de 15.000 exemplares”. Através de Batuíra, o espiritismo passou a ser cada vez mais conhecido em diversas regiões do país. “Criou ele Grupos e Centros espíritas em S. Paulo, Minas Gerais, Estado do Rio”.

Batuíra também lutou contra a escravidão, escrevendo artigos para os jornais ‘O Diabo coxo’, ‘O Cabrião’ e ‘ O Ipiranga’. Em 1973, diante de um grave surto de varíola, doença contagiosa que caracteriza-se por febre alta, erupções, bolhas e pústulas que deixam cicatrizes, Batuíra não intimidou-se. Uniu-se aos voluntários e abriu sua vida aos doentes. “Não descuidando um minuto sequer do atendimento às vítimas abrigando-as em sua própria casa e servindo-lhes de médico, enfermeiro e amigo. Sua atitude fraterna rendeu-lhe muitos elogios e sua figura ficou conhecido por toda cidade”.

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