Um pouco sobre os vinhos portugueses
Redação DM
Publicado em 11 de agosto de 2016 às 04:30 | Atualizado há 10 anosPara escrever sobre vinhos produzidos na Península Ibérica, mais precisamente Portugal, País irmão dos brasileiros, não há como deixar fora da taça o enólogo o Paulo Laureano, reconhecido enólogo alentejano (Alter do Chão), considerado em 2004 o melhor enólogo pela Revista de Vinhos, publicação que leva ao mundo a especialidade e arte de fabricar vinhos, inclusive, a edição mais conhecida em Portugal.
Com Licenciatura em Engenharia Agrícola pela Universidade de Évora, fundada em 1559, pelo arcebispo e cardeal dom Henrique, mais tarde rei das terras portuguesas, Laureano despertou seu amor pelo mundo dos vinhos, e, não mais parou, seguindo o trabalho aliado à academia onde decidiu cursar pós-graduação em Enologia. A aprendizagem se deu dividida entre a terceira cidade mais populosa portuguesa, Porto e a exótica Austrália, na isolada Oceania. As constantes pontes-aéreas acumularam a experiência que mais tarde fomentou a sua atividade de consultor, e , somado à arte e mundo do vinho, Paulo nunca mais parou.
O seu estilo próprio cujo bigode relembra o estilo artístico e meio louco de Salvador Dali, a paixão pela atividade e a altivez fazem com que mais e mais vezes seu sucesso seja reconhecido planeta afora. E resulta nos excelentes vinhos que são engarrafados com arte e profissionalismo numa verdadeira homenagem ao Alentejo, região Centro-Sul portuguesa, em especial a Vidigueira, vila pertencente ao distrito de Beja, no baico Alentejo, o que, devido às temperaturas anuais, mais que perfeitas, resulta na arte que ele sabe fazer melhor que são seus excelentes vinhos.
Paulo Laureano, atualmente, um dos mais reconhecidos enólogos portugueses, é também um dos poucos capazes de produzir brancos e tintos com a mesma qualidade, engarrafada com muito amor. Ele afirma que adora o Brasil onde sempre aparece para apresentar seus vinhos nos mais importantes eventos destinados ao prazer da boa degustação. Estudioso das castas portuguesas, o multifacetado enólogo consegue extrair de cada uma delas sua máxima expressão.
Tive o prazer imenso em conhecê-lo e conversar longamente sobre a produção, comercialização e degustação de seus vinhos. Ele é responsável pela produção de cerca de 700 mil litros de um vinho rico que leva seu nome, todos os anos, além de prestar consultoria a algumas vinícolas espalhadas nos campos mágicos, floridos de Portugal. Defensor das castas autóctones lusitanas, Paulo tem dedicado a uma delas em especial, a que carrega a nominação de Tinta Grossa da qual possui apenas 2,5 hectares, afinal esta é uma uva em extinção. E Laureano afirma: “Acredito ser importante valorizarmos castas como esta, que muitas vezes não tiveram a oportunidade de ser compreendidas, sobretudo pelo desconhecimento sobre seu potencial enológico”, atesta.
Ainda tive outra grande oportunidade em degustar alguns vinhos portugueses, excepcionais, e, cada vez mais me apaixono pelos lusitanos como o Quinta das Bageiras Branco, 2007, produzido pela Barraida, uma vinícola tradicional assentada no pequeno lugarejo de Fogueira, distrito de Sangalhos. Ali o proprietário, Mário Sérgio Alves Nuno, um perfeccionista, usa as mais modernas técnicas para produzir ótimos vinhos que esbanjam excepcionalidade e riqueza mineral, precisão e complexidade.
Outro rótulo que surpreendeu foi o Quinta de Saes Reserva, 2008, da Quinta da Pellada, um dos grandes nomes produzidos em Dão, propriedade regida com maestria pela batuta de Álvaro Castro, também reconhecido por produzir alguns dos melhores vinhos de Portugal. Ele coloca no mercado também, e, com maestria, o Quinta de Saes estágio prolongado, uma iguaria que, como indica o nome, estagia em barricas de carvalho por um período prolongado. Devido à ótima qualidade do fruto e da madeira, o carvalho fica muito bem integrado, provavelmente, sua idade proporciona o aroma peculiar, e, de forma e “taste” tão brilhantes. Não deixaria, de forma alguma, de mencionar o excelente Pó de Poiera, branco 2008, que vem ao mercado de forma densa, ousada.
De acordo com Robert Parker, crítico de vinhos internacional, este é um vinho particularmente impressionante, um único branco, segundo o americano. Há ainda um projeto ligado à produção do cultuado Poeira, um dos mais reverenciados vinhos do Douro. Fresco e exuberante denota uma ótima acidez e apresenta conjunto muito bem equilibrado. O melhor de todos estes vinhos citados, segundo a fala experimentada no bom gosto vem à tona sob o rótulo Pera Manca, um tinto 2007, da região do Baixo Alentejo, simplesmente sem palavras. Pêra Manca, tinto 2007, ocupa o primeiro lugar na lista do bom gosto internacional quando a qualidade foi tomada como ponto de partida para essa decisão quando sua qualidade, sobejamente conhecida, expõe um vinho de referência do mercado português ao mundo. De acordo com a tradição, o nome Pera-Manca deriva do toponímico “pedra manca” ou “pedra oscilante” – uma formação granítica, cujos blocos arredondados em desequilíbrio dançam sobre rocha firme.
Em recente matéria publicada na reconhecida revista gastronômica “Prazeres da Mesa”, um profissional das letras que conta sobre a arte do vinho conta que “reza a história que a tradição do vinho Pera-Manca remonta à Idade Média quando a história fincada nos idos anos do século XIV, mais precisamente, em 1365. Nestes tempos Nossa Senhora terá aparecido acima de um espinheiro em forma de luz a um pastor. Alguns anos depois, foi edificado ali um oratório em sua honra, e, cerca de um século mais tarde, precisamente em 1458, dada a crescente importância do local como ponto de peregrinação e turismo, ergueu-se no local uma simples e bela igreja, seguida pela fundação de um convento que viria albergar a Ordem de São Jerônimo que a sucedeu.
Os vinhedos de Pera-Manca foram propriedade dos frades do Convento do Espinheir, durante dois séculos, e recuperados, no século XIX, pela próspera Casa Soares, de propriedade do Conselheiro José Antônio d’Oliveira Soares, que o transformou a produção num vinho sofisticado. Contudo, na sequência da crise filoxera, a Casa Soares deixou de destilar o Pera-Manca. O então herdeiro da extinta Casa Soares, José António de Oliveira Soares Filho, no ano de 1987, ofereceu o histórico nome à Fundação Eugênio de Almeida, que, a partir daí, passou a utilizar como rótulo uma adaptação de cartaz publicitário desenhado por Roque Gameiro, procurando obter um produto de particular mérito que estivesse à altura da excelência associada à sua denominação. A Fundação produziu o primeiro Pera-Manca, tinto, em 1990.
Desde então foram produzidos outros nove rótulos nos anos de 1991, 1994, 1995, 1997, 1998, 2001, 2003, 2005 e 2007, este último, lançado no mercado há pouco. Sua exiguidade é justificada pelo elevado grau de exigência quanto à seleção das colheitas escolhidas naturalmente a partir da cata realizada sob a fiscalização e qualidade excepcionais das uvas, a partir das quais se produz o Pera-Manca, provenientes de vinhas com mais de 25 anos de cultivo com talhões selecionados. A qualidade apresentada no tinto é produzida, a partir das castas Trincadeira e Aragonez, já o branco, traz como base as castas Antão Vaz e Arinto.
Aprecio muito os vinhos portugueses, e, o melhor para se encontrá-los nas prateleiras das boas lojas e adegas, restaurantes e hotéis, com a qualidade costumeira, é no Porto Cave, local único na Capital do Estado. O proprietário Pedro é um clássico senhor português advindo de uma família com tradições vinícolas enraizadas em terras lusitanas. Ali ele abriu uma importadora, que, hoje, é sucesso devido ao que ele traz de melhor em se tratando dos vinhos portugueses. Muito bom ir àquele espaço gastronômico e restaurante degustar comidas típicas portuguesas além de poder escolher uma boa garrafa servida com um ótimo vinho português.
Tim! Tim!