A Garota do Matthew
Redação DM
Publicado em 22 de dezembro de 2016 às 01:02 | Atualizado há 2 anosMatthew Vilela é estudante de Jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás, e já tem no corpo e na mente uma paixão por cinema. Pensa em seguir carreira, estudar, se dedicar mais, e fazer um trabalho sempre melhor. “A Garota”, curta-metragem lançado no último dia sete, é o terceiro filme do currículo do rapaz. Lançado pelo projeto Mostra Goiás, o curta é inspirado nas viagens realizadas por Matthew para o interior do Estado do Pará, onde esteve a trabalho, durante a campanha eleitoral para prefeitos deste ano.
Em “Deixa ela ir”, “A Garota” e “Crumble” sempre fica explícito o tema central, que envolve relações amorosas. Em “Crumble”, curta exibido no Mostra Goiás do primeiro semestre deste ano, o enredo se desenvolve na crise de relacionamento de um casal, após o marido descobrir um segredo que a esposa escondia. Em “Deixa ela ir”, a história narra o término do primeiro relacionamento do tio da protagonista, que lhe confidencia este momento trágico de sua vida, a fim de ajudar a sobrinha a superar o recente rompimento. Já na mais recente produção de Matthew, o protagonista enfrenta o dilema de suprimir o sentimento que acabara de nascer, quando ele se apaixona por uma colega de trabalho, que já é comprometida.
O jovem produtor é apaixonado por cinema, e tem uma queda por histórias humanas, corriqueiras de qualquer indivíduo, como ele conta. A produção do curta de dez minutos e alguns segundos durou cerca de um mês com um capital de “zero real”. O roteiro, direção e produção são de Matthew Vilela, que também é o ator protagonista da história. Em entrevista ao DMRevista, Matthew falou sobre influências, carreira e planos para o futuro.


Entrevista com o produtor, ator, diretor e roteirista Matthew Vilela
DMRevista: Enquanto aluno de Jornalismo, você teve contato com toda a base necessária para estruturação de textos e material audiovisual. Mas, por que o interesse pelos curtas-metragens?
Matthew Vilela: A universidade possui alguns equipamentos, mas não usei nenhum deles. Foram todos nossos. Em relação à estruturação de textos e material áudio visual, os professores dão suporte, ensinam o processo mas nós temos que nos virar. Eu fui o único que não quis fazer documentário ou reportagem, mas sim ficção porque amo cinema e quero trabalhar com isso, então vi uma oportunidade de começar a praticar narrativa, posição de câmera etc.
DMRevista: Quais as suas principais referências em cinema, deste atores, diretores, roteiristas, e técnicos no geral?
Matthew Vilela: Tenho várias, mas vamos àqueles que me influenciaram desde criança. Steven Spielberg é o principal deles como diretor. A maneira com que usa a câmera para narrar a história pelas imagens é genial, tanto que ele mudou o cinema de aventura dos anos 80 criando um estilo que a grande maioria copia até hoje.
Roteiristas temos o genial Charlie Kaufman que mistura um estilo surreal com dramas humanos de um jeito super original. Aaron Sorkin com seus diálogos rápidos e precisos.
Atores sempre falo que tenho o quarteto que está no coração. Meryl Streep é rainha, inspiradora em cada trabalho, sempre dá uma aula de cinema. Gosto muito do estilo do Johnny Depp, um ator que consegue criar personagens memoráveis tanto em filmes de super produção quanto em projetos menores. Jim Carrey é um gênio da comédia que se provou um excelente ator dramático em mais de uma ocasião. E, por fim, Al Pacino que recusa apresentações. (risos)

DMRevista: Fale um pouco sobre o áudio do curta “A Garota”. Foi usado som direto? Em algumas cenas externas passa-se a impressão de terem sido dublados, é isso mesmo? E sobre a trilha sonora? Como se deu a escolha das músicas? Foram escolhidas por você mesmo?
Matthew Vilela: Sim. Como foi um projeto realizado sem auxílio de produtoras, mas feito independente, no sentido mais arcaico da palavra, então em algumas cenas externas tivemos problemas com o som e dublar de fato.
As músicas vou pensando nelas desde a construção da história antes de começar a filmar. Tiro um momento para ouvir uma seleção, fecho os olhos e vou escutando, imaginando se tal música combina com a cena que quero. Sim, todas são escolhidas por mim.
DMRevista: Qual a importância ou relevância de se ter um filme exibido pelo Mostra Goiás?
Matthew Vilela: Eu levo no meu coração, pois foi o professor César Viana, responsável pela Mostra, quem me incentivou desde o início. O projeto criou este interesse em colocar em prática as ideias que antes estavam apenas no papel.
DMRevista: Você tem ambições futuras como roteirista e/ou ator, já que vem atuando nestas duas áreas em seus últimos curtas-metragens, ou encara apenas como hobby?
Matthew Vilela: Eu encaro cada um desses projetos, seja como diretor, roteirista, produtor ou ator, como um treinamento para a vida profissional. Nunca faço nada por fazer, mas sempre encarei os curtas como se estivesse fazendo um filme profissional, para justamente me dedicar e buscar aprender e ser cada vez melhor.
Estarei em breve indo estudar cinema fora e quero sim trabalhar na área. Quero trabalhar lá fora pois existe uma valorização do cinema, uma valorização em se fazer filmes. Algo que infelizmente não existe aqui no Brasil. Então sim, tenho ambições futuras na área.
DMRevista: Como nasceu o roteiro de “A Garota”?
Matthew Vilela: Após uma viagem a trabalho que fiz ao Pará.
DMRevista: Outro curta-metragem estrelado por você foi “Crumble”, que também esteve na Mostra Goiás deste ano. Como foi o feedback recebido em relação a essa produção?
Matthew Vilela: O “Crumble” saiu na edição do primeiro semestre. Infelizmente não compareci pois estava viajando, mas fiquei sabendo que foi bem recebido. O feedback pelas redes socias foi ótimo. O curta foi um projeto diferente dos demais pois decidimos fazê-lo em inglês com pessoas não habituadas à lingua.
DMRevista: Qual o maior desafio de manter uma rotina produtiva como esta, em um Estado que pouco tem investido em cultura, para além dos eventos tradicionais do calendário cultural estadual?
Matthew Vilela: O maior desafio e vencer seus medos, preguiças e pensamentos de que não tem jeito. Nunca esqueço uma frase de Spielberg durante uma entrevista onde ele disse “Hoje em dia é muito mais fácil que na minha época. A tecnologia é melhor, o acesso a câmeras é muito mais fácil então não há desculpas. Vai e faz. Por mais que tenha problemas, limitações técnicas, seja amador, ao menos você fez e é por aí que se começa a aprender e crescer”. Então, levo isso comigo sempre.
DMRevista: Qual a situação mais inusitada já vivida por você nos bastidores de gravação?
Matthew Vilela: Gravar após um dia inteiro filmando uma cena apaixonante de beijo com apenas uma câmera e precisar fazer vários ângulos. Então foi cansativo, e tanto eu quanto minha amigona do coração Karina, que contracenou comigo, estávamos exaustos. Mas ao menos pude beijar muito. (risos)