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A gente se vê no telão

Redação DM

Publicado em 17 de junho de 2017 às 02:57 | Atualizado há 1 ano

Está chegando mais um Festival Internacional de Cinema Ambiental, o famigerado Fica. O festival tem se concentrado no cinema e dirigido seus recursos para a sétima arte clássica. Aquela época do ano em que a velha capital é tomada por produções artísticas.

Entre os dias 20 e 25 de junho, na cidade de Goiás, os filmes serão exibidos na programação do festival e estarão sob julgamento do público, do júri e da imprensa – que escolhe de forma autônoma o melhor filme.

A cidade de Goiás, que abriga o evento, acaba sofrendo um pouco para recepcionar o festival. Como no caso de 2016, em que teve sérias questões com problemas hídricos, uma constante da cidade, somados à necessidade de ter que dividir a água com as milhares de pessoas que vêm para o Fica. Problemas estruturais são um peso, mas o Festival vem se mantendo com um público cativo e participação dos cineastas.

De volta ao Cineteatro São Joaquim, que sofreu uma reforma que foi questionada pela descaracterização arquitetônica promovida pela obra, a Mostra Competitiva do Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental (Fica 2017) conta com uma lista de 25 filmes na disputa. Entre esses, 10 são brasileiros, com quatro goianos entre os representantes nacionais.

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Em destaque as produções locais 

As produções goianas neste Fica trazem uma tonalidade típica da região, como a luta e a garra do povo. Como poderá ser visto no filme Algo do que Fica, do diretor Benedito Ferreira, que fala sobre o césio 137, que este ano chega aos 30 anos do acidente. A obra Da Margem do Rio o Mar é um documentário de 13 minutos que realiza um ensaio reflexivo sobre a beira da rua.

Cada vez mais em voga, o empoderamento feminino é retratado no filme Real Conquista, da diretora Fabiana Assis, que traz uma atualização das técnicas e da linguagem da produção local. “O Real Conquista aborda a vida de uma mulher que tem um forte passado histórico. E também é um filme sobre a esperança, porque, mesmo com toda dureza da vida, essa mulher, a personagem, consegue ser feliz e nos passa esperança,” relata a cineasta.

Fabiana explica que a temática feminista não era o cerne de sua produção, mas aconteceu esse alcance devido a sua condição de mulher: “Minha intenção não era militar pela causa feminista, apesar de achar que isso é importante, mas essa não era minha intenção. Claro que eu sendo mulher, lanço o meu olhar feminino para essa questão.” Ela completa: “A personagem desse filme, Eronilde, me chamou atenção, claro, que pelo fato de ser mulher, de ter a mesma idade que tenho e viver num contexto totalmente diferente do meu.”

O diretor Renné França traz um mundo pós-apocalíptico em um gênero que costuma levar o público aos cinemas – terror, no filme Terra e Luz. O filme retrata um futuro próximo, quando a raça humana foi quase que inteiramente dizimada por monstros que parecem com os vampiros que conhecemos. Agora, um homem tenta sobreviver nessa realidade, em que a noite é mortal e tenta recuperar sua própria humanidade.

A extensa lista de filmes brasileiros conta com a participação de diretores de renome nacional e internacional, como Simone Cortezão, Márcio Farias e Vicent Carelli.

Vincent Carelli, antropólogo e documentarista, iniciou em 1987 o Vídeo nas Aldeias, um projeto que coloca o vídeo a serviço dos projetos políticos e culturais dos índios. Carelli produziu uma série de 16 documentários sobre os métodos e resultados deste trabalho.

 

Tenda multiétnica reúne povos do Cerrado no Fica 2017

 

Fica 2017

Data: 20 a 25 de junho

Local: cidade de Goiás

Tenda Multiétnica – Povos do Cerrado

Data: 20 a 24 de junho

Local: Praça Brasil Caiado (Largo do Chafariz)

Horário: 8h30 às 22h30

 

Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental traz uma programação especial com a reunião de povos indígenas, quilombolas, camponeses e representantes de conselhos, instituições e movimentos sociais. Eles vão participar da Tenda Multiétnica – Povos do Cerrado, que integra a programação oficial do festival com rodas de conversa, minicursos, oficinas e atividades culturais em um espaço instalado na Praça Brasil Caiado (Largo do Chafariz).

O espaço será uma oportunidade para trocas culturais, reflexões e aprendizado para os participantes do festival. A abertura oficial da tenda será realizada no dia 20 de junho, às 21h, e contará com a presença da secretária estadual de Educação, Cultura e Esporte, Raquel Teixeira, e do reitor da Universidade Estadual de Goiás, Haroldo Reimer.

Os interessados em acompanhar as rodas de conversa podem se organizar para passar pela Tenda de terça-feira a sábado, sempre às 19h30. Estarão na pauta de discussão os temas resistência e territorialidade indígena no Brasil, resistências camponesas, educação multiétnica e impactos e conflitos socioambientais pela água. Entre os convidados estarão representantes de povos indígenas, dos kalunga, do Movimento Camponês Popular (MCP), do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), da Comissão Pastoral da Terra (CPT), do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase), da Seduce e da Secima.

Já durante as manhãs serão ofertadas oficinas de jongo (dança afro-brasileira nascida nos quilombos), grafismo Iny/Karajá, capoeira angola e vivência indígena. Também será realizado um minicurso sobre línguas indígenas na manhã de sábado, 24 de junho. Apresentações culturais como dança e “prosa e café” com convidada especial poderão ser conferidas ao longo da programação da tenda.

Todas as atividades serão gratuitas e não exigem inscrição antecipada. Mais informações sobre a data e o horário de cada atividade podem ser conferidas na programação do Festival.

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