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A Guerra dos Farrapos

Redação DM

Publicado em 29 de fevereiro de 2016 às 22:07 | Atualizado há 1 ano

Também conhecida como Revolução Farroupilha, a Guerra dos Farrapos foi uma Rebelião Regencial de cunho separatista, que resultou na proclamação da República Rio-Grandense. Considerada a mais importante Rebelião Regencial – rebeliões estas que se deflagraram em todo o País, no período entre a renuncia por parte de D. Pedro I até o Golpe da Maioridade, onde D. Pedro II assume o trono brasileiro – a Guerra dos Farrapos teve duração de quase 10 anos (1835 – 1845), e reivindicava principalmente a redução de impostos sobre a produção local e o aumento da tarifa alfandegária sobre a importação de charque, que era a principal fonte de renda da Província de São Pedro do Rio Grande do Sul.

A produção de charque (carne seca) era a maior fonte de renda da região, sendo vendida para todo o País, principalmente para a alimentação de escravos nas lavouras de cana-de-açucar e criação de gado. Os produtores rurais da região Sudeste compravam charque dos uruguaios e argentinos, cujas taxas de importação eram menores que os tributos pagos pelos estancieiros do Rio Grande do Sul, tornando o charque estrangeiro mais barato que o nacional. Vendo que havia uma desvalorização do produto nacional em detrimento do importado, os estancieiros gaúchos passaram a reivindicar junto à Coroa uma reparação à desigualdade tributária, além de os ideais políticos da época visarem um aumento do poder da Província com enfraquecimento da ordens do Poder Central.

Vale lembrar que esta era uma rebelião de elite. Eram ricos estancieiros. Tinham armas, recursos e homens para lutar. Nessa guerra lutaram os homens de todas as famílias envolvidas, as famílias pobres e os escravos dos mesmo estancieiros”, pontua Rosimeire. As reuniões ideológicas pré-Guerra eram realizadas nas residências dos fazendeiros gaúchos, em especial na casa de Bento Gonçalves, que posteriormente, quando deflagrada a guerra, assumiu o comando do exército farroupilha. Os principais líderes desta revolução foram, além de Bento Gonçalves, o Oficial da Guarda Nacional Davi Canabarro e o revolucionário italiano Giuseppe Garibaldi.

Rosimeire Soares relembra que Garibaldi era conhecido como o Herói dos Dois Mundos: “lutou pela unificação italiana e pela República de Piratini  ou Rio Grandense no sul do Brasil, e também pela republica Juliana, na região de Santa Catarina – onde conheceu Anita, que se tornou Anita Garbaldi, sua esposa”.  Anita lutava em favor da igualdade e a libertação de escravos, porém, também foi pautado como reivindicação da Revolução Farroupilha, como em toda as Rebeliões Regenciais, a abolição da escravatura, que “era de praxe, para fazê-los (os escravos) lutar”, na visão da historiadora.

Apesar do nome de “farrapos”, os soldados da Revolução Farroupilha não era esfarrapados, principalmente por se tratar de membros da elite gaúcha. “O nome deve-se ao fato de os farroupilhas serem em sua maioria civis e não possuírem fardas”, fato este que virou até motivo para chacota e tentativa de denegrir os farroupilhas por parte dos Caramurus, os Soldados Imperiais, explica a professora.

Acredita-se que o fim da Guerra se deu quando Duque de Caxias assumiu o Exercito Imperial, de fato. Porém o que se ignora é que o Duque, ao perceber que os rebeldes gaúchos não estavam dispostos a desistir, realizou uma negociata com os mesmos. Rosimeire diz que os rebeldes receberam a anistia, os oficiais, incorporados ao exército brasileiro, as dívidas foram perdoadas e os impostos reduzidos, favorecendo os estancieiros.

“Eram comuns, como represália por parte da Coroa, a morte por enforcamento ou prisão dos rebeldes, mas na Guerra dos Farrapos isso não se repetiu, tendo em vista que se tratavam de pessoas de posse a liderar a revolta”, finaliza Rosimeire Soares.

Exemplo de luta e resistência em favor de melhorias para a população brasileira desde o Brasil Império.

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