A Rainha dos Descamisados
Redação DM
Publicado em 18 de janeiro de 2016 às 22:34 | Atualizado há 1 ano
Maria Eva Duarte era uma garota pobre, filha ilegítima de um rico estancieiro, Juan Duarte, que comprara, literalmente, sua mãe Juana Ibarguren, pagando por ela uma carroça e um jumento. Com Juana, Juan teve 5 filhos: Elisa, Blanca, Erminda, Juancito e Eva que era a caçula das meninas e, curiosamente não fora registrada pelo pai já que Juan voltara para o seio de sua família legítima após o nascimento de Eva. Juana trabalhou como costureira para sustentar os cinco filhos. A condição de amante, aliado à pouca condição financeira de Juana fez com que Eva e seus irmãos passassem privações na infância. O fato de Eva sentir-se menosprezada (e ser de fato pela sociedade) por ser bastarda serviu de motivador para que ela quisesse crescer na vida.
Aos 15 anos mudou-se com a família para o interior da província de Buenos Aires. Alimentada pelo sonho de ser artista, inspirada pela atriz norte-americana Norma Shearer, Evita passou a bater nas portas de todos os teatros da capital argentina. Sua aparência física, consequência de sua má alimentação e condições de vida precária, e ainda desprovida de talento artístico, contribuíram para que muitas portas lhe fossem fechadas. Eva se viu na condição de ter de sair com homens mais velhos, majoritariamente más companhias, com a promessa de que lhe conseguiriam papel nos teatros. Obstinada, a menina não desistiu de seu sonho, e finalmente conseguiu trabalhos em radionovelas e espaço para recitar nos teatros. Atou também nos filmes
Segundos Afuera (1937), La Carga de los Valientes (1940), Una novia en apuros (1942), La Prodiga (1945) e La Cabalgata del Circo (1945). AS participações em filmes, segundo os críticos, eram a chance de Eva provar que não possuía talento artístico algum.
Se a carreira artística não havia sido como o sonhado por ela, na carreira política Eva deu o seu melhor. Aos 24 anos, em 1944 conheceu Juan Domingo Perón de 48 anos, vice-presidente da Argentina e Ministro do Trabalho e da Guerra, com quem se casou. Em 1946, quando Perón foi eleito presidente da Argentina, Eva viajou para a Europa e quando voltou havia se transformado em outra mulher. Agora loira, com gostos refinados e trajes dignos de uma primeira-dama, ela passou a se dedicar à sua causa política em prol dos menos abastados e mulheres. Defendia a parte da população que sofriam com a pobreza e o abandono, assim como ela no passado. Nesta mesma época, Eva, que antes era Eva Ibarguren, muda seu nome de registro para Duarte, já que acreditavam que uma primeira -dama não deveria ser uma bastarda. Eva não era partidária a nenhuma ideologia política, mas tinha em comum com o marido a aversão pela oligarquia, aquela a qual pertencia seu pai e tantos outros que também compravam mulheres com quem comprava uma mercadoria.
Fundou o Partido Peronista Feminino, criou a Fundação Eva Perón, organização de ajuda aos necessitados, tornou-se a principal figura do peronismo, a ponto de ofuscar a imagem do marido-presidente. Trabalhava, às vezes, das sete da manha até as duas ou três horas da madrugada, recebia milhares de cartas diariamente de despossuídos que lhe faziam pedidos diversos e fazia questão de atendê-los pessoalmente. Distribuía aos pobres alimentos, cobertores e uma centena de outras coisas. Misturava se ao povo pois apreciava esta proximidade, até diziam que o povo sentia-se rico somente em vê-la.

Mas carreira meteórica de Evita foi precocemente encerrada, morreu aos 33, vitima de um câncer no útero. Seu corpo foi mumificado e velado por 15 dias, onde formou-se uma peregrinação de pessoas para ver reverenciar seu corpo. Quando a Revolução Militar (Revolución Libertadora) de 1955 derrubou o governo de Perón o corpo de Evita foi levado pelos militares para a Itália e enterrado com outro nome. Os militares temiam que seu corpo se tornasse objeto de culto. Somente em 1971 seu corpo foi devolvido ao ex-presidente Perón que se encontrava no exílio na Espanha. Quando Perón reassume a presidência da Argentina em 1973, a terceira esposa de Perón, Isabellita, enterra o corpo da venerada Evita Perón.

