Arqueologia urbana
Redação DM
Publicado em 6 de maio de 2015 às 02:05 | Atualizado há 11 anosRariana Pinheiro,Da editoria DMRevista
Uma exposição conceitual e com nome extenso será aberta hoje, às 20h, na Vila Cultural Coralina. Trata-se de Viajar, Caminhar, Olhar, Observar, Escolher, Coletar, Organizar, Construir. Esta mostra, de título quase autoexplicativo, é do artista plástico catarinense Enir Mendes e poderá ser conferida pelos goianienses até o dia 7 de junho.
Nesta exposição, a primeira individual de Enir Mendes, o artista ousa em fazer arte por meio de instalações de diversos tamanhos, formas e texturas. E vai mais além ao utilizar-se daquilo que muitos não considerariam como matérias-primas. Tanto que até foram descartados: o lixo.
Com intuito de trazer o que o artista chama de “questionamento ético e socioambiental”, Enir Mendes traz colagens e assemblagens de materiais encontrados, alguns velados com cera, outros sob telas e lonas e acomodados nas paredes ou chão do espaço cultural. “Fiz uma apropriação de trabalhos anônimos, em que ao final eles constituem-se numa instalação circulável e interativa ao olhar e à percepção”, esclarece o artista.
Andanças
Enir Mendes conta ainda que este trabalho é fruto de anos de viagens e andanças, onde no caminho recolheu tudo aquilo que atraía seu olhar criativo. E é por isso mesmo que o público pode esperar ver muitas vezes, conforme o próprio artista, “materiais estranhos ao olhar geral misturados àqueles reconhecíveis do cotidiano”.
Assim, pode-se ir preparado para avistar um trabalho em que até parte de animais atropelados nas estradas viraram matérias-primas para as instalações. Um exemplo é uma série que ele mistura restos de pássaros a uma espécie de cera e parafina. “O que faço é como se fosse uma arqueologia dos centros urbanos e da periferia. É a memória de uma arqueologia urbana atual. A ética e estética dos dejetos urbanos”, filosofa.
Mas, apesar da exposição trazer partes do que já teve vida um dia, a intenção está longe de chocar os visitantes. No entanto, também não é objetivo de Enir que os visitantes passem totalmenente incólumes à sua obra. “O mais importante é a reflexão e o questionamento do público a respeito do trabalho e sua finalidade”, explica.
O Artista
Nasceu em Santa Catarina, já residiu em São Paulo, mas hoje sua casa é Brasília. No entanto, sua história como artista está bem ligada à arte goianiense. Nesta Capital, ele fez a maioria de suas exposições. Suas obras já estiveram, entre outros, no Museu de Arte de Goiânia e no Museu de Arte Contemporânea de Goiânia.
Viajar, Caminhar, Olhar, Observar, Escolher, Coletar, Organizar, Construir
Abertura: hoje, às 20h
Visitação: de amanhã até 7 de junho, de terça-feira a sexta-feira das 9h às 17h – finais de semana das 9h às 15h
Onde: Vila Cultural Cora Coralina
(Rua 23, Centro – Acesso pelas escadarias atrás do Teatro Goiânia)
Entrada franca
Informações: (62) 3201-8170