As damas do Cinema
Redação DM
Publicado em 8 de fevereiro de 2016 às 21:11 | Atualizado há 1 ano
1920, propagação do american way of life, mulheres vestindo calças, os curtos cabelos de Clara Bow, o cinema ganha literalmente “voz”, Chaplin era o rei das telonas. O surrealismo de Salvador Dalí e Luís Buñel já encantava. A crise de 29 assustou o mundo, o nazismo e o fascismo ganham força. Josephine Baker desponta nos teatros franceses. Que década fabulosa foi aquela! Nesta mesma época em que o cinema passava por uma revolução, começavam a surgir as primeiras grandes referências artísticas para todas as futuras gerações do cinema mundial. Atrizes lindas, de postura impecável, ostentavam seus lábios avermelhados e suas sobrancelhas dramaticamente arqueadas. Ao lado destas belas damas, também brilhava nas telonas o galã Clark Gable, um dos maiores atores de todos os tempos. Famoso por suas investidas para cima de suas belas companheiras de cena, teve uma vida amorosa bastante agitada, assim como sua carreira no cinema.
Norma Shearer
Intitulada pela própria MGM como a Primeira Dama das Telas, a estrela principal da empresa foi uma das mais notáveis atrizes de sua época. Tendo começado sua carreira muito jovem, passou pela transição do cinema mudo para o falado e alcançou seu expoente em 1928, ganhou o Oscar de Melhor Atriz em 1930 pela atuação em The Divorcee, dirigido por Robert Z. Leonard, que foi indicado ao Oscar como Melhor Diretor pelo mesmo filme. Outra atuação memorável de Norma foi como protagonista em Marie Antoniette em 1936. Norma também foi precoce ao abandonar os estúdios, em 1942, aos quarenta anos. Mas deixou um legado inspirador para todas as jovens aspirantes da época. Morreu aos 81 anos, após três derrames.

Uma atriz de fôlego, tendo atuado em cerca de cem filmes, numa época em que os estúdios hollywoodianos os produziam em semanas. Loretta foi educada em colégio de freiras, e uma pequena atuação em uma peça foi o suficiente para demonstrar todo seu potencial em interpretar, e já em 1917 foi contratada, começando a atuar como protagonista em diversos filmes. Já na vida adulta, após o assédio de ser uma das maiores estrelas de Hollywood, tornou-se uma respeitável empresária. Foi presidente de uma empresa de cosmético, na época em que os produtos de beleza ganhavam força no mercado. Era a melhor garota propaganda da marca, mesmo depois dos 60 anos ainda continuava belíssima. Teve um caso amoroso que resultou no nascimento de seu primeiro filho com o ator Clark Glabe e foi casada com o produtor Tom Lewis, com quem teve mais dois filhos. Loretta faleceu aos 87 anos.

Começou sua carreira com o nome de batismo, Jane Peters, aos 12 anos, quando interpretou uma “moleca” em A Perfect Crime (1921). Em 1925 foi contratada pela Fox, mas a década de vinte não foi exatamente uma era de ouro em sua carreira, atuando em produções de baixo custo. Na virada da década, a atriz do olhar mais diabolicamente lindo de sua época foi contratada pela Paramount Pictures, atuando em grandes produções, foi indicada ao Oscar como Melhor Atriz por sua atuação no Screwball My Man Godfrey, e em seguida consagrou-se como uma das pessoas mais bem pagas do ramo após sua atuação em
). O galã Clark Glabe também se relacionou com Carole, divorciou-se de sua segunda esposa e casou-se com ela no mês seguinte. Também foi garota propaganda da marca de cigarros Lucky Strike. A atriz teve uma vida breve e morreu aos 33 anos, quando o avião em que viajava com o objetivo de arrecadação para auxiliar as tropas americanas durante a Segunda Guerra se chocou contra uma montanha. Carole foi uma figura marcante para as atrizes de comédia de sua época. Em 1976 um filme foi produzido em homenagem à vida e história de amor de Gable e Lombard.
Joan Crawford
atriz começou a atuar ainda no cinema mudo em 1925. Talentosíssima atriz e dançarina, Crawford conseguiu encantar vários produtores da MGM quando era dançarina em um bar. Em 1946 ganhou o Oscar de Melhor Atriz por sua atuação em Alma em Suplício (1945). Seu quarto e último marido, Alfred Steele, maior acionista na Pepsi Cola, morreu em 1959. A viúva Joan presidiu o conselho da empresa durante alguns anos. Adotou quatro filhos, entre eles a belíssima Cindy Crawford e Christina Crawford que foi excluída do testamento de pouco mais de dois milhões de dólares que restara da fortuna da mãe. Christina escreveu o livro autobiográfico Mommie Dearest, em que descrevia a falecida mãe como uma mulher egocêntrica, alcoólatra, que adotara os filhos apenas para fins publicitários. O livro virou best seller e ganhou as telas de cinema com Faye Dunaway
interpretando Joan. Quiçá um dos papeis mais importantes da carreira de Faye. Joan Crawford teve uma carreira cinquentenária, faleceu em 1977 e foi enterrada na cidade de Nova York.

Considerada símbolo de elegância do cinema, Consttance era filha de pais atores. Foi aluna de Madame Balsam em Paris onde aprendeu a se portar como uma verdadeira dama. Começou a carreira em 1920, quando o pai a encaixou para fazer pontas em filmes de comédia, não recebendo nada pela atuação. Em 1922 foi dirigida por Roy William Neill, no filme O Erro das Mulheres, muito elogiada pela crítica. Sua estréia em Hollywood foi no filme
Cytherea. Em 1925 estrelou 8 filmes, atuando ao lado de Joan Crawnford em Sally, Mary e Irene na MGM. Retornou para a Europa, onde residiu por mais quatro anos. De volta aos Estados Unidos, na fase de transição para o cinema sonoro. Atuou no teatro, cinema e televisão, casou-se cinco vezes, o primeiro matrimonio ainda aos 16 anos, quando fugiu de casa para viver seu romance. Foi criticada pela mídia por levar uma vida luxuosa, quando grande parte da população vivia na penúria em meados de 1930. Morreu aos 60 anos, após um infarto e um AVC, no Hospital Walson, New Jersey.
Clark Gable, o conquistador
Quando sua esposa Josephine Dillon parte para Hollywood, Gable a segue, afim de conseguir papéis para atuar no cinema. Separou-se de Josephine em 1930 e logo se casou com Rhea Franklin, que lhe ensinou a vestir-se e portar-se como um homem da cidade grande. Teve inúmeras amantes, envolveu-se amorosamente com muitas de suas colegas atrizes, como Loretta Young e Joan Crawford, envolvendo-se em polêmicas, mesmo após sua morte, quando suscitaram questões relacionadas à pedofilia, já que algumas delas eram menores de idade na época. Serviu como voluntário na Segunda Guerra, na Europa. Atuou em 67 filmes, principalmente como vilão, papel que desempenhava muito bem, aliado ao tom sarcástico de seu sorriso, e produziu outros 17. Casou-se outra porção de vezes. Sua última esposa, Kathleen Spreckles, deu a luz o único filho do casal quando o marido já estava morto. Glabe morreu em 1960, 10 dias após ter sofrido um infarto. Foi enterrado no mesmo santuário que havia construído para sua mãe e para Carole Lombard, também atriz, de quem fora amante e posteriormente marido.
