Avante Goianas
Redação DM
Publicado em 19 de janeiro de 2017 às 00:17 | Atualizado há 2 anos
Quem não mora na nossa linda Goiânia acha que habitamos uma grande fazenda asfaltada, quanto equívoco. Nós estamos alinhados com todas as práticas culturais, esportivas, culinárias e tudo mais que acontece no resto do mundo.
Inclusive já temos até time de rugby aqui no Goiás, ou râguebi, esse jovem esporte inglês do século XIX, mais precisamente em torno de 1845. Somos sobreviventes da terra do futebol, o mais disseminado esporte coletivo que você respeita, mas é bom abrir a mente para os esportes que ainda não alcançaram o status de “top” no país.
Quem nos conta sobre a prática do rugby em Goiás é a jogadora Lays Vieira do time Goianos Rugby Clube, o primeiro time formado no estado que já tem 10 anos de campo. “As duas modalidades mais comuns no Brasil são o rugby sevens (7 jogadores cada lado) e o rugby union (15 de cada lado)” esclarece Lays. “No país, para o feminino, é mais comum o sevens. No masculino há vários times das duas modalidades” complementa. O time masculino do Goianos rugby jogam nas duas modalidades, mas o feminino, joga apenas a modalidade sevens.
Pra dar uma esclarecida a quem ainda não tem contato com o esporte Lays explica as regras básicas do rugby: “O time tem que avançar o campo adversário e colocar a bola depois da linha do try (a linha onde fica o H). Esse é o nosso gol, que a gente chama de try. O H a gente usa para as conversões (os chutes). Sempre que um time marca try (que vale 5 pontos) ele tem direito a um chute (que vale 2 pontos)”.
Sobre a defesa Lays explica: “Para impedir o avanço de um time, a linha de defesa pode tacklear o adversário (derrubá-lo). Mas apenas do ombro para baixo, de preferência da cintura pra baixo. Quando isso acontece o jogador derrubado, caso ele não tenha soltado a bola, ele tenta disponibilizar a bola para o seu time. Daí se forma o que chamam de hacking”.
Se você tem interesse em praticar o esporte mas não tem um perfil propriamente atlético, seus problemas e desculpas acabaram como explica Lays: “Treinamento físico necessário para entrar no time, nenhum. O rugby é um esporte bem democrático. Pode ir do mais gordinho ao mais magrelo. Mas nos treinos a gente tem uma parte de físico sim. Até porque o esporte envolve muita corrida. Fazer academia também é bom, mas o time não obriga o atleta a fazer.”
A respeito das competições locais e nacionais de rugby a jogadora relata quais os eventos esportivos da modalidade. “Se rola um campeonato, sim. Tem vários na verdade. A gente tem pequenos campeonatos locais, a gente tem o regional do centro-oeste chamado Pequi Sevens e tem alguns nacionais também”.
Lays explana sobre o cenário e a necessidade que esse e outros esportes femininos compartilham a falta de visibilidade e consequente falta de patrocínio. “Cenário do esporte feminino no Brasil e em Goiás: apesar do rugby ser um dos esportes coletivos mais conhecidos do mundo, no Brasil ele ainda não é muito visado. E quando o é, é mais o masculino. A nossa seleção sempre joga o mundial, mas só teve mais visibilidade, digamos assim, pós olimpíadas. No sudeste e sul o esporte tem mais oportunidades e investimentos. Em regiões como a nossa é bem complicado pra arranjar patrocínio, no geral as atletas que custeiam praticamente todas as viagens, e olha que somos um time de alto rendimento. Tem uma miséria de ajuda estadual com o Bolsa Atleta (que abarca várias modalidades esportivas) mas depender dele é furada porque é pouca grana e o pagamento nem é feito sempre.
A atleta continua sobre os preconceitos a respeito do rugby não ser um “esporte de mulherzinha” mas se tem uma coisa que mulher sabe é ir pro embate e a sociedade precisa aceitar isso. “O que a gente precisa mesmo é uns patrocínios. Tem também, no caso do feminino, o fato de muita mina achar que é um esporte bruto, violento e tal. O que não é fato. Você pode até estranhar no começo mas depois que você entende o jogo fica fácil. Risco de machucar todo esporte tem, a gente faz de tudo pra evitar isso. Mas todo atleta está sujeito a isso. Mas é um ótimo esporte para mulheres, ajuda muito com essa questão do físico que muita gente se preocupa tanto”. “É melhor que academia” recomenda a jogadora.
Se você se interessou pela prática do rugby você pode acompanhar as goianas do Goianos por sua página no Facebook “Goianos Rugby Feminino”. A modalidade se mostra crescente e só depende da visibilidade para chegar ao patamar de “topzera”. Avante rugby.



