“Avatar 3” comprova que saga se perdeu na própria grandiosidade
Redação Online
Publicado em 17 de dezembro de 2025 às 20:58 | Atualizado há 6 meses
Aspecto positivo: longa impressiona pelas sequências de ação
Em cartaz nos cinemas, o longa-metragem “Avatar: Fogo e Cinzas” retoma o universo criado pelo cineasta canadense James Cameron com a ambição de concluir a trajetória épica iniciada no primeiro filme. A premissa, aqui, permanece clara: a Terra está esgotada. Não só: a sobrevivência humana também passa pela exploração violenta de Pandora.
No terceiro filme, Jake Sully e sua família voltam a ocupar o centro do conflito, dessa vez pressionados por uma ofensiva ainda mais ampla e organizada dos terráqueos, o que reforça o tom de urgência e de cerco permanente que estrutura a narrativa.
O problema é que o filme carrega um inevitável sentimento de repetição. Pandora, antes fonte de deslumbramento visual, já não provoca o mesmo impacto, e o 3D — elemento fundacional da franquia — parece ter perdido parte de sua razão de ser. A exploração do planeta e a interação entre personagens e paisagem soam familiares, quase protocolares, o que torna mais difícil sustentar o encantamento que marcou os capítulos anteriores.
Na tentativa de ampliar o conflito, Cameron introduz o Povo das Cinzas, liderado pela feroz Varang, personagem que traz alguma novidade ao encarnar uma ameaça paralela tanto aos humanos quanto aos Na’vi aliados de Jake.
A presença desse grupo adiciona novas camadas de antagonismo, mas também contribui para uma sensação de excesso: são muitas frentes de batalha, muitos inimigos e uma sucessão quase ininterrupta de confrontos que acabam diluindo o impacto dramático.
Tecnicamente irrepreensível, “Avatar 3” impressiona pelo domínio de escala e pela coreografia das grandes sequências de ação, mas sofre com a grandiosidade. Mas o filme, em si, confirma o talento de Cameron, mas também evidencia os limites de uma saga que, ao insistir na expansão, revela sinais claros de desgaste. Ainda assim, haverá de garantir boas três horas e dezessete minutos para quem é fã da trilogia.