Desativada 2

Cartografia goiana

Redação DM

Publicado em 2 de novembro de 2016 às 23:30 | Atualizado há 2 anos

A história da colonização do território de Goiás pelos portugueses teve início na primeira metade do século XVII, com a chegada dos caçadores de ouro vindos de São Paulo e Minas Gerais. Nos mapas disponibilizados gratuitamente pelo site da associação cartográfica David Rumsey, que reúne mais de 70 mil mapas históricos, todos de acesso livre ao público. Mapas do território brasileiro confeccionados ao longo dos séculos XIX e XX remetem-nos a um passado de cerca de 300 anos de presença europeia no Estado. Os registros apresentados revelam cidades históricas e sugere monumentos do passado construídos em áreas ainda pouco conhecidas de Goiás.

No site da organização, o projeto é descrito como “uma coleção com mais de 72.000 mapas e imagens online. O acervo inclui mapas raros da América do Norte, América do Sul, Europa, Ásia, África e Pacífico”. Os mapas mostram detalhes que enriquecem o imaginário sobre o passado do Estado, como a antiga grafia do nome de vários municípios. Goiás era escrito com “y”, Pirenópolis era Meyaponte… e os exemplos são muitos: Luziânia era Santa Lúcia, Ipameri era Ipamery, Goiás Velho era Villa Boa, Crixás era Grixa, e Itaberaí era Curralinho. Em mapas confeccionados a partir da metade do século XIX, podemos observar o registro da ex-cidade de Campinas no exato local onde hoje se encontra Goiânia, construída somente um século depois, em 1933.

Nos mapas podemos ver Goiás em formatos incomuns. No mapa confeccionado em 1929, publicado na cidade de Milão, pelo Touring Club da Itália, é possível observar que o território do Distrito Federal já estava demarcado, mesmo décadas antes da construção de Brasília. Poucas pessoas sabem, mas dentro do retângulo do DF também existe arquitetura colonial remanescente. Trata-se do Distrito de Planaltina, cujo Centro Histórico guarda diversas construções edificadas ainda no século XIX. O que mais chama a atenção é a quantidade de zonas de interesse histórico existentes na área que corresponde à Região Norte do Estado (na época os Estados de Goiás e Tocantins ainda eram anexados), a qual iremos detalhar nesta edição do DMRevista.

Norte

A Região Norte do Estado, apesar de ser ainda pouco conhecida pela população de outras regiões, concentra uma série de cidades e povoados que guardam histórias de tempos distantes. A cidade de Pilar de Goiás é um exemplo. O pequeno município, que hoje é residência de cerca de 2,5 mil pessoas, nasceu no ano de 1736, e possui 280 anos de história. Segundo pesquisadores, a cidade nasceu através da iniciativa de um reduto de escravos foragidos que encontraram neste lugar um abrigo, e também uma grande fonte de ouro. Em busca de recuperar seus escravos, o bandeirante João de Godoy partiu à procura deles pelo Cerrado. Quando os encontrou eles já tinham bastante ouro, e ofereceram ao colonizador em troca de liberdade.

A cidade guarda um sino de 900 quilos, no qual foi gasto 1 arroba de ouro. Outros pontos turísticos da cidade são a Casa da Princesa e a Casa de Câmara e cadeia, menor construção do tipo do País. Não muito longe dali, no município de Niquelândia, podemos identificar dois locais importantes: Moquem e Traíras, que hoje são considerados distritos da cidade. Ambos foram povoados em meados do século XVIII, e por ali ainda existem casas e igrejas que remetem a esse período. A cidade de Cavalcante também aparece desde muito cedo na cartografia do Estado. Também teve início a cerca de 280 anos, quando Julião Cavalcante e seus companheiros chegaram à região em busca de novas minas de ouro.

Na Região Nordeste do Estado existem várias outras pérolas. A cidade de Flores de Goiás (que aparece com várias grafias em mapas do século XIX) começou a ser povoada por volta de 1729, o que dá a ela 287 anos de existência. Sua Igreja Matriz, erguida em homenagem a Nossa Senhora do Rosário, em 1740, é considerada uma das mais antigas do Estado. O município de São Domingos, emancipado em 1854, já existia como arraial desde o início do século XVIII. Outro ponto importante a ser destacado nessa região é a cidade de Posse, que possui um Centro Histórico em arquitetura colonial e foi criada em meados do século XIX por imigrantes nordestinos que buscavam fugir da seca e construir uma nova cidade a partir da agricultura.

Tags

Leia também

Siga o Diário da Manhã no Google Notícias e fique sempre por dentro

edição
do dia

Impresso do dia