Cerrado em foco
Redação DM
Publicado em 18 de janeiro de 2016 às 22:15 | Atualizado há 1 ano
O Diário do Artista desta vez mergulha sobre o trabalho de Samira Beérigo, uma mineira de Uberaba, que teve sua vida e obra permeada pelas influências de goianas.Este estado, do qual mora desde a infância, abrigou a maior parte de suas exposições e também impactou de forma determinante, em sua forma de criar. Assumidamente inspirada pelo Cerrado, o que ela busca incansavelmente uma nova forma de recomeçar.
“A pintura para mim foi e sempre será como o despertar, como um novo amanhecer. É descobrir o novo a cada pincelada, desvendando seus mistérios através das cores”, argumenta a artista.
A inspiração para tantos começos e finais diferentes, a artista conta que sempre foi a natureza, um tema unanime em sua obra. “As plantas e pássaros me encantam e o Cerrado, sobretudo, me fascina”, revela a artista, que atualmente realiza uma pesquisa sobre o bioma. A meta é aprofundar ainda mais o conhecimento sobre suas texturas, formas e cores.
Na hora de pintar, seus métodos são vários. E, é fato que uns são mais radicais que os outros. “Pesquiso fotos sobre as espécies que habitam no cerrado e também sou ciclista. Pratico Mountain Bike e nesses passeios, tiro muitas fotos do cerrado. Observo muito a natureza e seus detalhes por onde passo”, explica.
É por ostentar tamanha sede em capturar as belezas naturais, que seus olhos não se cansam de contemplar estas terras. Assim, Samira encontrou na arte figurativa, o estilo ideal para homenagear os nuances do Cerrado. Logo, especiarias regionais como a árvore, flores e o frutos do pequizeiro, podem ser vistos em sua obra de forma privilegiada.
É quase como se víssemos estas plantas por meio de lentes de aumento, já que é possível notar de perto quase todas suas peculiaridades. E, para dar realidade e vivacidade ao trabalho, Samira conta que seus quadros são feitos em óleo sobre tela.
No entanto, a pintora ainda revela que tem lá os seus diferenciais no momento da criação. “Procuro acrescentar materiais diversos, como texturas com areia e colagens, por exemplo”, revela.
O começo
A sua forma particular de pintar, Samira conta que começou a ser construída no começo da adolescência, aos 14 anos, quando teve o primeiro contato com as tintas. “O desenho já fazia parte do meu cotidiano, mas foi na tela e nos pincéis que encontrei minha paixão maior: a pintura”, declara-se.
E, à medida em que foi crescendo, sentia ainda mais atração pelo mundo das tintas. Mesmo quando optou pela faculdade de designer de interiores, Samira relembra que conjuntamente sempre buscava aprimorar os conhecimentos nas artes plásticas.
“Meus primeiros passos na pintura foram com a artista Maria Luíza Alencar em Itumbiara. Posteriormente frequentei o curso de artes visuais no CEP-Basileu França”, diz.
Outro ponto determinante em sua carreira foi o fato de ter se tornado membro da Associação Goiana de Artes Visuais (AGAV), o que a ajudou a integrar mais de 20 exposições – entre individuais e coletivas em Goiânia.
A última delas aconteceu no ano passado, no Centro Cultural Octo Marques. No entanto, para este ano, os apreciadores de seu trabalho terão boas novidades. Um projeto que desenvolveu com as também artistas Mari Sousa e Eleusa Bonifácio foi aprovado na Lei Municipal de Incentivo Cultura, que está sendo executado este ano. O nome da iniciativa será “Poética do Cerrado”.
“Somos três artistas com ideias, objetivos e estilos em comum. A exposição mostra a série de flores, frutos e aves do cerrado e acontecerá no segundo semestre deste ano”, adianta.E, está ainda nos planos de Samira – que ministra aulas de pintura em óleo sobre tela no próprio ateliê e em oficinas de arte em escolas públicas – para este ano, fortalecer sua atuação no trabalho voluntário de ensinar artes.
Para ela, esta função parece até ser uma de suas missões primordiais em sua carreira. “Quero levar a arte aqueles que ainda não a conhecem, descobrindo, quiçá, novos talentos. A arte é livre e pode alcançar e mudar a vida de muitas pessoas”, disse a pintora quando questionada sobre quais seriam seus principais sonhos.
Principais exposições
1996 – Coletiva Palácio Maçônico – Goiânia.
2001 – Individual – Grupo “Pela Vida” – Goiânia.
2006 – 16º SESI – Arte e Criatividade – Goiânia.
2008 – Coletiva – Atelier Samira Beérigo – Goiás Center Modas – Goiânia.
2010 – Individual – Ministério Público Federal – Goiânia.
2012 – Coletiva – Atelier Samira Beérigo – Faculdade Estácio de Sá.
2012 – 3ª Semana de Artes Papas Stéfanos – Goianira-Go.
2013 – Exposição Diversidade e Estética – Samira Beérigo e Mari Sousa – Assembleia Legislativa – Goiânia.
2014 – Exposição Coletiva – MOSARTE – Assembleia Legislativa – Goiânia.
2014 – Coletiva – Homenagem ao dia da Mulher – Assembleia Legislativa – Goiânia.
2015 – Coletiva – 9ª Primavera dos Museus – Índio Alma da Terra


