Cristianismo, máfia e delírio
Redação DM
Publicado em 16 de novembro de 2015 às 23:17 | Atualizado há 1 anoNascido em Nova Iorque no dia 17 de novembro de 1942, Martin Scorsese é considerado por grande parte da crítica especializada como um dos cineastas mais importantes de todos os tempos. Descendente de sicilianos e de devoção católica, Scorsese traz a força da religiosidade em boa parte de seus filmes. Foi um dos colaboradores do movimento “New Hollywood”, que trouxe nos anos 1970 produções e narrativas mais complexas para a maior indústria do cinema do mundo. Seu próximo filme, ‘Silêncio’, chega ao cinema em 2016.
Com uma carreira de mais de 50 anos, produzindo filmes em várias décadas consecutivas, Scorsese mantém-se ativo e em contato com diversas gerações. Em fóruns sobre cinema na internet, as páginas dedicadas ao diretor são tomadas por devotos de sua arte, com frases como “Scorsese é meu pastor, e nada me faltará”, ou “O primeiro contato que tive com cinema foi através dele, lembro até hoje de sair da escola e ir alugar ‘Os Infiltrados’ e ‘O Aviador’ na locadora”.
Nessa matéria, o leitor confere três obras fundamentais para se entender a relevância e audácia de Scorcese como realizador de cinema. Ao longo de sua carreira foi responsável pela confecção de 23 filmes e 12 documentários. Além da seleção que você confere abaixo, filmes como ‘Caminhos Perigosos’ (1972), ‘Alice não mora mais aqui’ (1974), ‘Depois de Horas’ (1985), ‘Os Bons Companheiros’ (1990), ‘Gangues de Nova Iorque’ (2002), ‘O Aviador’ (2004), ‘Os Infiltrados’ (2006) e ‘Ilha do Medo’ (2010) destacam-se na extensa filmografia do diretor.
Taxi Driver (1976)
Considerado um dos maiores clássicos do cinema, Taxi Driver segue a rotina de Traves Bickle (Robert DeNiro), recém-contratado como taxista. Ele passa noites observando os podres obscuros da cidade. O filme carrega algo de realista, agressivo e transgressor, além de lembrar em alguns momentos a cultura cyberpunk. No elenco, a estreante Jodie Foster interpreta uma prostituta de apenas 12 anos de idade. A violência e a psicopatia de Bickle evoluem cronologicamente durante o longa-metragem, que discute ainda questões como mérito, moral e política.

Touro Indomável (1980)
A parceria de sucesso entre Martin Scorsese e Robert DeNiro segue ao longo das décadas em vários filmes. Em Touro Indomável, uma epopeia de mais de duas horas narra a história do pugilista Jake LaMotta (DeNiro), acompanhando sua ascensão e declínio por cerca de duas décadas. Mais uma vez o protagonista demonstra-se agressivo e egocêntrico, o que demonstra o interesse de Scorsese pela loucura e pelo delírio. O filme rendeu dois Óscars (de oito indicações): Melhor ator para Robert DeNiro e melhor final. No elenco Cathy Moriarty e Joe Pesci.

A última tentação de Cristo (1988)
De forma semelhante ao escritor português José Saramago no livro ‘O evangelho segundo Jesus Cristo’, Scorsese narra em um longa-metragem de quase três horas um Jesus Cristo livre de mitologias, humano, sensível, confuso e recontextualizado. Protagonizado por William Dafoe, o eterno Duende Verde do filme ‘Homem Aranha’ (2002), ‘A última tentação de Cristo’ destaca personalidades que fogem do senso comum para várias figuras bíblicas, como Maria Madalena, Paulo de Tarso e Judas Iscariotes, além do próprio Cristo.
