Dê sentido ao seu Natal…
Redação DM
Publicado em 22 de dezembro de 2016 às 01:11 | Atualizado há 2 anosNeste Natal coloque um pouco de espírito de luz, coloque uma pitada de amor, mexa as panelas até você sentir o cheiro, eleve o som e cante para aqueles que você ama. Que delícia o Natal, atire-se um pouco de magia extra, atire-se em um lote de amor, deixem as luzes te absorver de gratidão.
Pensando no que escrever nesta atmosfera do Natal, veio à minha mente uma lembrança de muitos anos atrás de um Natal inesquecível. Minha mãe era uma mulher que se importava muito com o simbolismo do Natal e adora enfeitar à árvore de Natal.
Me lembro com emoção de um momento em que dona Norma estava muito feliz e resolveu fazer uma belíssima árvore de Natal enfeitada com bolas vermelhas. Decorá-la era uma tarefa dela, arrastava a caixa de decorações e examinava, com alegria, o seu conteúdo. Havia pequenas lâmpadas em forma de vela com água colorida no interior, que borbulhava quando se acendiam. À noite, quando as únicas lâmpadas acesas eram as da árvore de Natal, a sala parecia ficar com um brilho especial, um brilho azul, como se aquela árvore fosse o centro do Universo e todas as promessas do mundo estivessem naquela sala. Aquela árvore emanava calor, felicidade e segurança.
A minha caixa de presente que ela tinha colocado na árvore, não era, de modo algum, suficientemente grande para conter uma boneca que era o meu sonho na época. Mas continha uma caixa, embrulhada em papel de seda azul brilhante com uma etiqueta onde se lia: Feliz Natal, Edinha – com amor, mãezinha e paizinho. Era o objeto da minha atenção, porque sabia que encerrava o meu principal presente, e aquilo que eu queria, na verdade, era algo que desejava.
Estávamos no ano de 1972, tinha eu nove anos, e vivíamos no bairro Campinas, perto da Matriz e do inesquecível Colégio Santa Clara que estudei grande parte de minha vida. Tínhamos uma casa baixa e cheia de cômodos sem beleza nenhuma, verde clara e muito velha. Era uma rua tranquila, uma vizinhança antiga, e cheias de casas grudadas uma na outra. O bairro Campinas, parecia uma pequena zona comercial, também ficava a loja de materiais de construção do meu pai.
Na noite de Natal, minha mãe estava a cozinhar, cantarolando enquanto cozinhava. Estava a fazer bolinhos de açúcar em forma de sinos e renas, salpicados com açúcar vermelho e verde. Na cozinha, estava eu ao seu lado vendo ela preparar as rabanadas maravilhosas que até hoje lembro delas e sinto uma saudade imensa daquele Natal. Ela me fez comer duas, acabados de sair da panela. O cheiro tentador dos bolinhos no forno infiltrou-se em todos os cantos da casa quente e acolhedora, enquanto ela cantava eu ficava a observar de tão linda e doce era sua voz.
O céu, estava limpo, e suas estrelas ornamentava o jardim. Caía um silêncio na vizinhança e em cada janela as lâmpadas coloridas das árvores de Natal pareciam cintilar. Até as estrelas piscavam, refletindo as luzes azuis presas nas árvores do outro lado da rua.
No jantar, meu pai falou do Natal, quando ele era criança e tinha uma infância extremamente pobre. Falou do tempo em que não havia dinheiro suficiente para presentes, nem mesmo para a comida. Era um mundo distante que eu apenas conhecia das suas histórias, e, embora tivesse visto as casas em ruína onde ele crescera, era-me difícil compreender a realidade de ficar com fome ou passar sem presentes no dia de natal. Mas pensava sempre como seria ter fome. Esperava, no meu íntimo, nunca vir a ter um Natal sem as deliciosas rabanadas de minha mãe e sem as laranjas que a ela me metia sempre na meia.
Finalmente chegou a hora de abrir os presentes, eu me lembro de acordar cedo e esperar pacientemente, enquanto a minha mãe se dirigia a cozinha para preparar o café da manhã. Por fim chegou o grande momento, quando nos juntamos à volta da árvore. A expectativa era grande. Acabara por aceitar o fato de não haver nenhuma boneca, mas aquela caixa continha outra coisa, uma surpresa maravilhosa. Eu tinha certeza. Começamos a abrir os presentes. E lá estava a caixa grande para mim. Peguei a caixa e estava pesada. –tenta adivinhar- disse a minha mãe. Não fui capaz e acabei por lhe arrancar o papel. Lá dentro estava um pequeno piano. Dentro continha uma carta de meus pais. Era uma declaração poética de amor. Quando acabei de ler, olhei para eles. Os meus olhos pareciam rasos de água e emocionada abracei os dois como um gesto de gratidão e amor.
Então minha mãe começou suavemente cantar Feliz Natal na sala de estar. Sorri. Para mim era o Natal Azul era a cor da promessa e da esperança, do ano seguinte de sempre, das estradas que iria percorrer. Azul era o vento nas minhas costas, a liberdade do meu ser, do meu crescimento espiritual.
Está chegando o Natal, então viva esse clima diferente, que aquece, que conforta. Perceba que o sentido do Natal não está no dar presentes, mas na esperança de que, presenteando alguém, sejamos capazes de fazer alguém mais feliz. Talvez seja esse o verdadeiro sentido do Natal: tornar-nos sensíveis o suficiente para encontrar na alegria dos outros a nossa própria alegria. Feliz daquele que encontra o verdadeiro sentido do natal. Feliz daquele que descobre de onde vem esse clima, a alegria e a paz que surge num paradoxo à correria, à ansiedade e as preocupações desses tempos.
Vinhos para a Ceia de Natal
A ceia de Natal é uma época de festa onde a família e os amigos mais próximos se reúnem à volta da mesa. A preparação dos pratos principais segue, normalmente, determinadas tradições regionais ou familiares, o que faz com que alguns vinhos tintos se adaptem melhor do que outros. Longe vão os tempos em que a escolha de uma garrafa de vinho era uma opção rígida: vinho branco para o peixe e vinho tinto para a carne. Hoje em dia, a escolha de vinhos é muito mais flexível e um bom tinto tanto pode acompanhar um prato de carne como um de peixe. Nesse sentido, escolhi cinco bons vinhos tintos para servir na ceia de Natal e conheça os pratos que melhor combinam com eles.
Herdade das Servas é um vinho tinto alentejano que combina muito bem com o bacalhau cozido e os legumes que são servidos na ceia de Natal. Ele é composto por uvas das castas Aragonês, Touriga Nacional, Alicante Boushet e Syrah e apresenta um teor alcoólico de 15%. Trata-se de um vinho forte de cor rubi escura, tem um aroma a frutos vermelhos e um paladar final agradável e persistente.
O Dom Divino 2005 da região do Dão é um vinho tinto muito suave e acessível que acompanha muito bem qualquer tipo de refeição. Para a ceia de Natal, escolha o Dom Divino de cor rubi com teor alcoólico de 12,5%, uma vez que se trata de uma excelente opção para os palatos mais ou menos exigentes. Ele tem um aroma suave a frutos vermelhos, não deixa um sabor forte na boca e acompanha muito bem os pratos de bacalhau e/ou de peru.
O Mundus 2007 é um vinho tinto da região da Estremadura com um teor alcoólico de 13,5%. Trata-se de um néctar excecional com um sabor distinto a compota, fruta e tabaco, o que faz dele uma ótima escolha para acompanhar um prato de peru no forno com ameixas.
Serra do Azeitão é um vinho tinto é proveniente das terras do Sado e apresenta o selo da qualidade da bacalhoa. Trata-se de um vinho tinto muito sofisticado, harmonioso e com forte aroma a frutos silvestres. Ele combina muito bem com pratos de carne, especialmente com assados.
A Rapariga da Quinta 2008 é um vinho tinto robusto com um teor alcoólico de 14,5%. Ele é constituído pelas principais castas Touriga Nacional, Trincadeira e Aragonês e combina muito bem com pratos mais compostos como por exemplo o Bacalhau à Zé do Pipo ou o Bacalhau à Gomes de Sá.