Desconhecidos íntimos
Redação DM
Publicado em 12 de novembro de 2016 às 01:55 | Atualizado há 2 anosEla já fez todo mundo rir com seus personagens da TV Pirata. Mas também já comoveu muita gente que se identificou com a dor de Elisa, uma mãe que perdeu a filha jovem, no seriado exibido este semestre pela Rede Globo, A Justiça – o seu mais recente trabalho na TV. Esta é a camaleoa Debora Bloch que, agora, está rodando oPaís com o desafio de causar diversas reações no público, além da felicidade e da dor.
No espetáculo Os Realistas, do dramaturgo norte-americano, Will Eno, que vai ficar em cartaz hoje e amanhã no Teatro Madre Esperança Garrido, e, acompanhada por grande elenco, apresenta uma obra de impacto, que toca em assuntos, como: vida, morte, casamento, mas, sobretudo, a indiferença que circunda as relações humanas.
Este texto, originalmente chamado “The Realistic Joneses”, marca a estreia de Will Eno (que já foi chamado pela crítica nova-iorquina de “O Samuel Beckett da geração Jon Stewart”) nos palcos da Broadway. E Os Realistas é a sua primeira adaptação latina.
Novos desafios
Com esta montagem, Débora Bloch quebra um hiato de quase um ano fora dos palcos, telinhas e telonas. Este momento, em entrevista ao DMRevista, a atriz explicou que não teve nada sabático – pois continuou trabalhando – e serviu como uma auto-análise, na qual se propôs novos desafios. “Eu estava buscando algo que me renovasse, que me permitisse ir a lugares desconhecidos”, disse, na conversa por e-mail.
Desta busca, a atriz começou a pesquisar o trabalho de Will Eno, se identificou com “Os Realistas” e foi esta peça que escolheu para comemorar seus 35 anos de carreira. Para completar, chamou ainda um grande conhecedor da obra do dramaturgo americano para dirigi-la: Guilherme Weber. O ator é só o artista que mais encenou obras de Will Eno no mundo. E o elenco é engrossado ainda por: Emílio de Mello, Fernando Eiras e Mariana Lima.
A peça conta a história de dois casais de vizinhos que se encontram e descobrem ter mais em comum do que casas idênticas e sobrenomes iguais. A peça flagra a convivência do quarteto e os relacionamentos que começam a se entrelaçar. Em um hábil jogo de cena, o autor mostra também que nem tudo é o que parece ser, fazendo com que as situações reflitam sobre os diferentes estágios do casamento.
Espetáculo Os Realistas
Quando: Hoje, às 19h e 21h30 e 19h (domingo)
Onde: Teatro Madre Esperança Garrido (Av. Contorno nº 63 Centro – Goiânia)
Informações: (62) 4141-2270


ENTREVISTA DÉBORA BLOCH
“Sem idealismo não tem sonho. Sem sonho não tem arte”
A frase é da atriz Débora Bloch, que, em entrevista ao DMRevista, falou sobre o novo momento de sua carreira, e revelou com animação planos futuros (a exemplo da nova série que irá participar chamada 13 Dias Longe do Sol). Na conversa ela também comentou suas previsões para o futuro da TV, em tempos de streaming, entre vários outros assuntos. Confira esta entrevista a seguir.
DMRevista- Antes de “Os Realistas” e “Justiça”, você ficou algum tempo longe dos palcos. Por que escolheu voltar a atuar nestes dois trabalhos?
Débora Bloch- Não foi uma pausa porque não parei de trabalhar. Mas estava buscando algo que me renovasse, que me permitisse ir a lugares desconhecidos pra mim e portanto me reinventar como artista. Acho que a escolha do texto Os Realistas, e desses artistas que convidei pra fazer a peça comigo é uma busca de renovação, de descobrir novos caminhos. E a série Justiça foi uma sorte ter sido convidada para este personagem que vinha de encontro com minha busca artística nesse momento, em termos de texto, de assunto, de densidade e de linguagem. Acho que são trabalhos maduros que refletem o meu momento.
DMRevista- Como foi construir este espetáculo, tendo a direção e atuação de Guilherme Weber, um ator tão familiar à obra de Will Eno? Como ele mudou em sua percepção sobre a obra deste dramaturgo?
Débora Bloch- Guilherme foi um mestre, um maestro incrível. Ele jogou luz para nós sobre o texto e a linguagem do Will Eno. Ele foi brilhante como diretor, muito preciso e seguro. O conhecimento que ele tinha do universo do Will Eno fez toda a diferença para nós, atores.

DMRevista- Este espetáculo fala de vida, morte, convivência… como é que você lida com estes assuntos?
Débora Bloch- Não lido, rs. A peça fala sobre isso também, sobre como não pensamos e não lidamos com a morte e nossa fragilidade diante da natureza, a não ser quando ela se apresenta de perto.
DMRevista- Uma das marcas registradas em sua carreira é que você migra da comédia ao drama como poucos. Na personagem Ponei você teve oportunidade de misturar estes dois gêneros?
Débora Bloch- Sim, gosto quando o humor aparece junto com o drama, com a melancolia e a tristeza.
DMRevista- Em 35 anos de carreira, você já dezenas de personagens que teve reconhecimento do público e da crítica. Porém, um dos seus personagens mais recentes, a Elisa, de “Justiça”, parece ter lhe cativado especialmente. O que mais te comoveu nela?
Débora Bloch- Acho que Elisa foi a personagem mais complexa que fiz, e que me obrigou a ir em lugares de dor e sofrimento muito profundos. Perder um filho é o maior medo de toda mãe. A maior tragédia que uma mulher pode viver. E por isso tudo nela me comovia. Queria que essas mulheres se sentissem representadas na sua dor.
DMRevista- Que outros desafios sonha em encarar, tanto nas telinhas, telonas ou no palco?
Débora Bloch- Vou começar a filmar uma nova série que se chamará “13 Dias Longe do Sol”, que é uma história muito interessante, com uma equipe que estou muito animada em trabalhar. E ano que vem pretendo fazer uma peça do Tom Stoppard que vou começar a produzir.
DMRevista- Nestes tempos complicados politicamente é melhor ser realista ou idealista?
Débora Bloch- Idealista sempre. Sem idealismo não tem sonho. Sem sonho não tem arte.