Desativada 2

Discurso em comemoração ao 47º aniversário da Aflag

Redação DM

Publicado em 29 de novembro de 2016 às 00:50 | Atualizado há 2 anos

Goiânia, 09 de novembro de 2016.

 

Saúdo todos os presentes, autoridades, amigas e amigos, que aqui vieram, acolhendo nosso convite para celebração do 47º aniversário de fundação da AFLAG.

Quando nossa presidente Elizabeth Fleury Teixeira designou-me para fazer esta oração, aceitei e sugeri, então, um discurso que fugisse um pouco as fórmulas rígidas, presas a datas oficiais e históricas, permitindo incursões pelas vida da AFLAG, pelos fatos ligados a nossa convivência enriquecedora e fraterna, desde sua fundação, na residência dos pais de Rosarita Fleury Sr. e Sra Des. Heitor de Morais Fleury, nesta capital, em solenidade que contou com a presença de escritores e amigos ligados ao meio cultural do Estado.

Nas memórias de Rosarita existe um fato que parece ligado, pelo destino, à fundação da AFLAG.

Aos 8 anos de idade, encantada, leu seu primeiro livro de contos infantis. Após relê-lo várias vezes, disse ao pai: “quero ser escritora”.

O pai, cúmplice e carinhoso disse: “pois então venha escrever aqui na minha escrivaninha“. Ofereceu-lhe lápis e papel e com um gesto disfarçado de carinho assoprou-lhe a cabeça e brincou: “sua cabeça está fervendo”. E sem perceber, estava fazendo uma premonição quando comentou: “seu tempo ainda vai chegar”!

E como em toda história o tempo passou e a vida tomou o seu curso natural. Vieram formatura, casamento, mudanças, filhos e enquanto isso o velho sonho de ser escritora era acalentado com participações em jornais e revistas.

Mas, aquele desejo de publicar um romance continuou sempre presente. O cenário seria uma grande e antiga fazenda, onde viveriam várias famílias, entrelaçadas entre si, por laços de sangue e pela eterna dicotomia entre O BEM E O MAL, AS DISSIDÊNCIAS, e a CONVERGÊNCIAS, como se fossem os elos de uma única corrente. Assim, facilmente, surgiu o título: ELOS DA MESMA CORRENTE.

O pai e o marido participaram efetivamente, na confecção do livro. Assim, conseguiu vê-lo editado e lançado no bazar OIÓ, em Goiânia, onde foi bem recebido pela imprensa, meios culturais e sociedade local, obtendo comentários positivos e encorajadores.

Sua tia Sinhazinha, residente no Rio de Janeiro leu-o e vendo no jornal, um edital da Academia Brasileira de Letras para o prêmio Júlia Lopes de Almeida e inscreve-o. Para surpresa de todos os parentes e amigos, algum tempo depois chega a notícia: Premiado em primeiro lugar!

Alguns escritores mais próximos, entre eles, Juruena de Guimarães, iniciaram um movimento de incentivo a sua entrada na Academia Goiana de Letras, o mais fechado e exigente reduto cultural do Estado.

Rosarita, então, inscreve-se para uma das vagas, mas, a presidência da AGL, infelizmente, não reconheceu seu pleito, alegando a proibição pelo estatuto do ingresso feminino naquela Casa de Letras.

Pois este foi o gatilho que desencadeou a fundação da AFLAG. Estimulada pelo pai, pensou em fundar uma academia de letras. Disse-lhe ele: “Você não quer tanto pertencer a uma academia? Pois funde a sua! Reúna suas amigas que pensam como você e fundem uma academia que seja só feminina”.

Faço aqui um parênteses: até então o que se produzia em literatura feminina, na verdade, não era levado a sério, era recebido apenas como “graciosas incursões”, da mulheres na arte de escrever “pequenos extertores femininos em versos” falando de dores e amores. Eram bem aceitas declamações patrióticas, saudações ao dia das mães, da árvore e ingênuos sonetos falando de amor. Já o canto era bem visto no coral da igreja ou em saraus familiares. A execução do piano ou outro instrumento, ao contrário, era não só era bem recebida, como fazia da parte da formação completa das meninas e moças. Entretanto, a guerra acabou e o mundo mudou. O trabalho feminino foi ganhando espaço e aos poucos, as faculdades se encheram de saias e não demorou muito surgiram, as médicas, advogadas, juízas, odontologas, historiadoras e todas as outras profissões, conquistando a confiança das pessoas pela sua capacidade. E assim foi na literatura e em outras artes, despontaram grandes escritoras, historiadoras, poetisas e escultoras. E cá estamos nós em pleno século XXI com nosso jeito especial de ser, a mania de chorar por pequenas emoções, o carinho aflorado pela família e pelos amigos, a estranha intuição, que nós mesmas não entendemos porque é tão poderosa. Pacientes e persistentes temos esse dom especial que os homens não entendem porque não o possuem: conseguimos fazer muitas coisas ao mesmo tempo, cuidar do jardim, fazer a comida, escreve um soneto, orientar os filhos e netos, atender o telefone, ler um romance tocar, e cantar, e, quando vemos, lá se foi o dia. Além disto as profissionais liberais têm todo um dia de trabalho profissional e, ao chegar em casa começam um segundo turno mais ou menos tudo aquilo que acabo de escrever.

A Academia foi fundada nesse momento histórico para as mulheres, Rosarita reuniu-se com mais 2 importantes professoras do Instituto de Educação de Goiás, Ana Braga e Nelly Alves de Almeida.

Nas primeiras reuniões ordinárias foram tomadas 3 decisões importantes, lavradas em ata .

Convidar senhoras de talento literário e artístico do Estado de Goiás;

a- A academia abrigaria não apenas representantes da literatura, mas também, da música, escultura, pintura, declamação e teatro;

b- As antigas escritoras da Cidade de Goiás, já falecidas, seriam homenageadas com o titulo honorifico de Patronas desta Academia.

Confesso que gostaria de citar uma por uma, aquelas que fizeram parte desse sodalício pioneiro. Incorreria, entretanto, no risco das imperdoáveis injustiças. Mas é preciso homenagear junto às figuras exponenciais das 3 fundadoras o nome cintilante de Bellkis Spencieri Carneiro de Mendonça, idealizadora e fundadora do Conservatório de Música da UFG. Estas 4 mulheres dividiram a história artística e cultural feminina em Goiás em duas fases: antes e depois delas! Homenageando-as, cito aqui os nomes das 4 pianistas algumas ex-alunas que, junto com Bellkis fundaram o Conservatório de Música da UFG: Maria Luiza Póvoa Cruz, mais conhecida como Dona Tânia, Maria Lucy Veiga Teixeira, Dona Fifia, Dalva Maria Pires Machado Bragança e Maria das Dores Ferreira Aquino. Bellkis foi uma figura carismática, tem seu nome escrito na história. Criatura superior não apenas como concertista, superior pelo talento, pelo desprendimento, modéstia e lucidez.

 

(CONTAR A HISTÓRIA DA BECA E DO CONCERTO DE PERCUCIONISTAS)

 

Confesso que me pego às vezes pensando comigo mesma: que privilégio este estamos convivendo com a história.

 

(PROJETAR NA TELA AS FOTOS DAS 7 PRESIDENTES)

 

PRIMEIRA ROSARITA FLEURY, grande administradora da AFLAG por 23 anos, firme e determinada, mas sempre pronta ao ouvir as outras vozes com opiniões diversas. Foi também pintora, pianista, poetisa, romancista e memorialista.

SEGUNDA CÉLIA COUTINHO SEIXO DE BRITO, destacou-se em obras sociais e políticas como Primeira-dama da cidade, artística plástica e escultora, foi vice-presidente da AFLAG por 23 anos e Presidente por menos de um ano, após o qual veio a falecer.

TERCEIRA LIGIA DE MOURA RASSI, pianista, cantora, professora de música, declamadora, substitui Rosarita na presidência por 2 meses e meio. Participou ativamente de sociedade filantrópicas de Goiânia, estudou canto com as irmãs Heloisa e Honorina Barra.

QUARTA ANA BRAGA, grande ativista política, primeira mulher deputada estadual, determinada com grandes feitos em Goiás e em sua terra natal Peixes-TO. Foi oradora oficial da Academia por muito tempo. Mudou-se para Porangatu como Primeira-dama da cidade, onde executou grandes obras ao lado seu marido, então Prefeito da cidade. Professora de quase metade de Goiânia, na qual me incluo. Parece que a professora possui 3 compêndios na cabeça, um de filosofia, outro de história e mais um dicionário Houaiss, quando discursava.

QUINTA AUGUSTA FARO FLEURY DE MELO, romancista premiada, contista especialista em histórias infantis e poetisa. Em seu mandato realizou junto a Ana Braga e Beth Fleury a mudança da AFLAG para sua sede própria livrando-nos da condição de nômades mudando continuamente de endereço. É esta a casa, que hoje nos abriga e que foi doada em comodato, pelo governo do Estado na pessoa do governador Marconi Perillo.

SEXTA HELOISA HELENA DE CAMPOS BORGES, levada a presidência por 3 mandatos consecutivos, dos quais eu tive a honra de participar como vice-presidente. Declamadora, escritora, poetisa, professora e tradutora da língua francesa, com especialização na França. Por motivos superiores a sua vontade, aposentou-se muito cedo, mas continua escrevendo e lançado livros.

SÉTIMA MARIA ELIZABETH FLEURY TEIXEIRA, ainda jovem viveu toda a vida da AFLAG desde a idéia em gestação, acompanhando a mãe, até a fundação. Faz questão de prestigiar sempre os eventos culturais do Estado com sua presença. Muito querida e agrutinadora, conseguindo sempre a convergência de opiniões para as melhores soluções ao problemas da AFLAG. É excelente pintora e poetisa tendo lançado um livro de memórias de sua mãe. Foi orientadora educacional, pedagoga e alta funcionário do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás.

 

(FOTOS OFICIAIS DA POSSSE DA AFLAG)

 

Em 11 de novembro de 1970 na sede da Assembléia Legislativa de Goiás, na presença de autoridades, governador, políticos, escritores e poetas e representantes da sociedade goianiense. No programa constaram:

 

Coral de Maria Lucy Veiga Teixeira, dirigido por ela;

Conjunto musical de Júlio Alencastro Veiga;

Canto Maria Augusta Calado e Maria Helena Jaime;

Declamação Ana Maria Taveira Miguel.

 

FINAL

Aqui não morremos, apenas “passarinhamos”, com Mário Quintana ou ficamos “encantadas” como queria Fernando Pessoa, mudamos de lugar, mas continuamos por aqui. Em nossa vaga virá se sentar outra com mesmo amor pelas artes. O legado é deixado pela acadêmica que parte e este sim é eterno. Eternizado fica em nossas atas de reuniões, em nosso museu de Imagem e Som, em nossos trabalhos e tudo que por acaso permutamos umas com as outras de experiências e exemplos.

Quando uma de nós parte sua foto é retirada daquela galeria do fundo e levada, solenimente, para umas das galerias laterais, chamadas de Galeria da Saudade. Há uma dia e uma cerimônia especial para isto, quando são convidados os familiares daquela que partiu.

Este sentimento de paz e beleza que as pessoas dizem sentir quando aqui vêem, é a presença imorredoura daquelas que encontraram, por fim, o Sentido da Vida.

Que elas nos abençoem e profusões de flores e versos sejam derramadas nas almas de todos nós.

Finalizo pedindo:

À SUA BENÇÃO, ETERNAS MENINAS DE AZUL.

Convido agora todos presentes para juntos de pé cantarmos o Hino da AFLAG, letra e Silvia Lourdes do Nascimento Rodrigues e música de Maria Lucy Veiga Teixeira.

 

AFLAG 2

AFLAG 4

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AFLAG 6

Exposição de artes plásticas ocorrida na Galeria Studio Panigati em Milão – 1989

 

A Galeria Studio Panigati está situada ao lado do Scalla de Milão, local de reunião de consagrados artistas plásticos italianos desde Maria Panigati, professora da Escola de Brera onde Frei Confaloni estudou.

Participantes da exposição:

Narcisa Cordeiro, Dina Cogolli e Armando Pellizzone.

A referida exposição, ainda hoje, está atualizada, segundo observações do crítico de arte Miguel Jorge: “Parabéns pela coletiva de esculturas modernas, originais, contemporâneas” e da arquiteta paisagista Neusa Michelon Baiocchi: “Belas recordações! Parabéns! Uma bela exposição e com excelentes trabalhos atemporais!”

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