Dobrador de pedras
Redação DM
Publicado em 23 de dezembro de 2016 às 01:05 | Atualizado há 2 anosO trabalho do escultor José Manuel Castro López, natural de Galiza, uma comunidade autônoma situada na Espanha, chama a atenção pela sutileza com que ele manipula pedras, criando rugas, dobraduras e detalhes que dão à matéria-prima o aspecto de materiais flexíveis, como se fossem de massinha de modelar. As texturas suaves apresentadas por José Manuel são criadas principalmente em quartzo e granito. Ele afirma possuir uma relação mística com as pedras que esculpe: “Meu relacionamento com a pedra não é físico, mas mágico. Ela me reconhece, me obedece… entendemos um ao outro. Minhas pedras não são mortas. Elas se manifestam”. O artista mantém uma página no Facebook com mais de 6 mil seguidores onde tem contato com os fãs e divulga suas obras.
José Manuel Castro López nasceu em 1959 na aldeia Vilasuso, pertencente à província de Corunha, na Galiza, uma comunidade autônoma que atualmente pertence à Espanha. Entre os anos 1980 e 1985, formou-se na Escola de Canteiros, na cidade de Pontevedra, onde aprendeu a técnica de talhar pedras, modelagem, escultura e outros ensinamentos teóricos. Enquanto estava na escola, chamou a atenção de seu professor Antón Castro, crítico, pesquisador e colecionador de artes. Em 1983, incentivado por Antón, José Manuel apresenta-se na Bienal de Artes de Pontevedra, de onde saiu levando o prêmio principal. Em suas primeiras exposições, dividiu a cena com artistas como Leiro, Ramón Conde e Manolo Paz.
Tanto José Manuel quanto Manolo Paz chamaram a atenção de Fernando Vijande, um famoso dono de galeria da Galiza, que decidiu realizar uma exposição chamada Hierro y Piedra (Ferro e Pedra), com Bellotti, Susana Solano e Tony Gallardo na famosa garagem rua Nuñez de Balboa, número 65. A partir desse momento, a obra de José Manuel Castro López passa a ser reconhecida. Segundo o blog espanhol El Hurgador, nas mãos do artista, as pedras mudam de comportamento, tornando-se maleáveis, líquidas e flexíveis. De acordo com José Manuel, as pedras e suas propriedades tem uma importância mística para o povo da Galiza. Ele debruça-se sobre as lendas para extrair delas inspiração, e afirma que seu trabalho flui de uma maneira mais mágica que técnica.
“Não é o escultor que atua, mas o mago, o druída”, conta o artista, que diz que as pedras são capazes de reconhecê-lo e obedecê-lo. Segundo Jesús Monteiro, jornalista galego, José Manuel Castro López possui uma personalidade bastante particular, e carrega consigo uma aura onírica que está relacionada a sua forma de perceber as pedras. “O compromisso com a forma e a matéria e a consciência sem preconceitos. São elementos que dominam e movem o universo onírico de Castro e sua percepção de destino. Quando está concluindo uma peça, já está pensando na forma e na textura da próxima. A imagem do sábio das pedras não rompe com seu passado, pelo contrário, evolui com ele”, explica.
Seu trabalho é carregado de sentimento e emoção. Apesar de impressionar com as produções que desafiam nossa percepção visual com uma grande carga estética, ele também brinca com os títulos das imagens em peças mais simbólicas. Entre os nomes que ele dá para suas amigas, podemos encontrar Lágrimas de pedra, contraste de personalidades (referência às famosas máscaras gregas da tragédia e da comédia), lambida, pedra de mel, gigolôs da praia, corte de pele, entre outros. O trabalho de Castro repercute em todo o mundo, e em seu perfil do Facebook ele compartilha matérias escritas por jornalistas de várias partes do mundo sobre sua arte.
