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Elas: do cinema para a internet

Redação DM

Publicado em 4 de janeiro de 2017 às 01:13 | Atualizado há 1 ano

Quantos filmes você assistiu recentemente? Destes, quais foram dirigidos por mulheres? Melhor ainda, você sabe o nome de alguma diretora de cinema? Não? Não fique preocupado, você não está sozinho. Um recente levantamento realizado pela ONG Woman in Film  apontou que a maioria das pessoas não sabe sequer citar o nome de alguma diretora cineasta. Além do mais, no último ano, das cinco categorias de melhor diretor, o Oscar apresentou apenas diretores do sexo masculino. Pensando nisso, a Woman in Film resolveu lançar uma campanha para promover filmes dirigidos por mulheres, a fim de diminuir esta discrepância, presente até no glamoroso mundo hollywoodiano. O site da ONG disponibiliza 52 filmes dirigidos por mulheres, para que você possa assistir pelo menos um desses por semana, até o fim deste ano e usando a hashtag #52FilmsByWoman nas redes sociais, você pode falar sobre o filme que escolheu.

A visão crítica do modo de vida social no qual estamos inseridos é a característica mais marcante do trabalho destas grandes mulheres. Muitas das obras destas mulheres são premiadas internacionalmente, mas o trabalho delas próprias enquanto diretoras muitas vezes cai no esquecimento do reconhecimento pela competência. Pretendemos, ambiciosamente, contribuir para a elevação e mérito destes grandes nomes do cinema mundial, figurados por tantas cineastas mundo a fora. No Brasil, se destacam nove grandes cineastas, que estiveram à frente de produções premiadísismas, sucesso de bilheteria e de crítica, como Anna Muylaerte, Laís Bodanski, Tata Amaral, Juliana Rojas, Lina Chamie, Lúcia Murat, Petra Costa, Kátia Lund e Carla Camurati.

O site especializado “Mulher no Cinema” (mulhernocinema.com) lançou uma lista com quarenta e sete filmes dirigidos por mulheres, desde curtas-metragens, médias e longas-metragens, disponíveis para assistir online. A lista original foi divulgada por “Flavorwire” e atualizada pelo “Mulher no Cinema”, que retirou os três filmes que não se encontram mais disponíveis na web. Esta é uma lista de filmografia clássica, com filmes datados desde 1948 até os dias atuais, para quem não tem preguiça de ler uma boa dose de legendas. O ano começou e junto com as promessas de “não comer tal coisa”, “malhar 5 dias por semana”, dentre outras promessas fajutas, que tal incluir o hábito de assistir filmes com áudio original? Garanto que vocês, meus caros leitores, não vão se arrepender.

Nesta lista encontramos raridades, como “Travis” (2009), dirigido por Kelly Reichardt. Um curta-metragem experimental, com entrevista de uma mãe que perdeu seu filho na Guerra do Iraque. “Meditation on Violence”, dirigido por Maya Deren em 1948, também é um curta experimental, que acompanha os bastidores da vida de um lutador de boxe chinês. O curta-metragem “Black Girls as an Landscape” (2010) explora a figura de uma mulher ao longo da labuta cotidiana, em preto e branco e na posição horizontal. A direção é de Sondra Perry. Um dos mais recentes filmes desta lista é dirigido por Dawn L. Hall. “Crocked Moon” (2015), descrito pela própria Dawn, é “uma poesia visual sobre nossa plenitude divina transcendendo nossa imperfeição presente”.

“Às cinco da tarde” (2003) narra a impressionante história de um jovem no Afeganistão pós-Taleban, que frequenta a escola contra a vontade de um pai conservador, na esperança de um dia tornar-se presidente. A direção é de Samira Makhmalbaf. “The Kitchen” não é apenas um curta-metragem à frente de seu tempo por se tratar de uma mulher à frente da direção, a diretora Alile Sharon Larkin, gravado em 1975. Mas também pelo “peito” em abordar duas questões tão inerentes às pautas sociais em voga nos tempos atuais: racismo e feminismo. Alile Sharon Larkin compara um hospital psiquiátrico às prisões femininas destinadas a mulheres negras.

“O caso do Policial Canibal” (2015), dirigido por Enri Lee Carr, é um documentário narrativo que explora o caso de Gilberto Valle, preso em 2013, acusado de conspirar para sequestrar jovens mulheres. Condenado em março de 2013, Gilberto del Valle teve sua sentença revertida meses após a condenação. Para finalizarmos as indicações, “The Seashell and the Clerygman” é um filme de pouco mais de trinta minutos, gravado em 1928, direção de Germaine Dulac. O enredo se desenvolve a partir das visões de desejo e morte de um padre que desenvolve uma estranha obsessão pela esposa de um general. As listas completas com os nomes das diretoras e suas respectivas obras podem ser conferidas no site “Mulher no Cinema” e pela hashtag #52FilmsByWoman. Boa parte das obras estão disponíveis na íntegra para assistir online.


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