Desativada 2

Ele vai destruir o Planeta

Redação DM

Publicado em 16 de março de 2017 às 02:15 | Atualizado há 1 ano

Nobre San é rapper e representa a cena da cultura hip-hop em Goiás há cerca de dez anos. Atualmente compõe, junto de outros integrantes, o grupo de rap K’Ment, uma alusão a como a mente tem o poder de transmutar a realidade, mediante as distorções midiáticas promovidas pelos meios de comunicação. Recentemente o K’Ment lançou o EP Emergência, e agora, Nobre San lança seu trabalho solo “Já posso destruir o Planeta?”, em que o rapper parte de seu Centro de Comando na Praça do Trabalhador, rumo ao ícone de repressão do povo goiano, o bandeirante Anhanguera Bartolomeu Bueno da Silva, esperando somente a ordem para “destruir” o mundo capitalista, segregacionista e opressor.

O clipe em 3D traz a novidade da realidade virtual para o mundo da música. Após quatro meses de trabalho, o resultado já pode ser conferido na internet. “Nós, da QG3D Animação e Propaganda, em parceria com D’Responsa, ficamos responsáveis por concretizar esse projeto. Ao todo foram quatro meses de trabalho. Levamos algum tempo estudando como funciona o sistema 360VR, após vários testes e ajustes, conseguimos alinhar a tecnologia de Realidade Virtual. A ambientação, veículo e estruturação e todas em 3d. Exceto a captura das imagens do rapper que foram feitas em estúdio “green screen” e recortado através de Chroma Key e feita a composição”, disse o produtor Marcelo Henrique sobre a produção do clipe “Já posso destruir o Planeta?”.

 

Como funciona a Realidade Virtual?

Numa definição básica, a Realidade Virtual (VR) pode ser definida como “uma tecnologia aplicada através de uma interface, a qual possibilita a interação entre os sistemas eletrônicos e humanos”. Basicamente, necessita-se de três elementos principais: um computador, smartphone ou console; um equipamento de visualização preso na frente dos olhos; e algum tipo de dispositivo de controle. Os três componentes trabalham em conjunto para gerar frente aos olhos do espectador uma forma de realidade semelhante à real, facilitando a interação do espectador com o conteúdo a ser executado.

 

Entrevista com o rapper goiano Nobre San

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DMRevista: Como começou sua trajetória no rap?

Nobre San: Comecei escrevendo alguns versos em casa, quando eu tinha 12 anos, sem muita informação e apoio, até que o Corage (canta comigo no meu atual grupo) veio me fazer uma visita no ano de 2006, e eu mostrei tudo que eu tinha, ele achou interessante e começou a me ajudar e incentivar, e montamos o primeiro grupo de rap ao qual tivemos alguns trabalhos no ano de 2007 até 2010, o grupo se desfez e em 2013 montamos o K’Ment, meu grupo atual.

 

DMRevista: Como você percebe a cena da cultura hip-hop em Goiás, a partir de sua perspectiva como artista? A cena tem sido mais valorizada? Como é a questão da visibilidade por parte dos produtores?

Nobre San: Como diz o mortão: “Show de rap é igual aniversário, só dá você, sua mina e uns penetra.” Essa frase já me disse muito, sobre o momento do rap na época que começamos, pela falta de incentivo e de pessoas que acreditassem em tudo isso, e hoje em 2017 o rap é considerado o estilo mais ouvido do mundo confirmado pelo Spotfy, e isso não poderia ser diferente, já temos o reflexo disso em Goiânia. Várias rodas de batalha espalhadas pela city, eventos, negócios, e muito investimento por parte dos grupos e produtores. A cena vem crescendo, e agregando muitas pessoas, temos sarais, eventos culturais, editais de cultura pela Prefeitura de Goiânia, e eu como MC vejo isso como uma grande evolução pra cena goiana, apesar de ainda ser bem pouco, quando se vê incentivos a outros nichos culturais como o sertanejo recebendo um montante bem maior do que estamos conseguindo com a nossa luta.

 

DMRevista: Seu clipe “Já posso destruir o Planeta?”, gravado em 3D, é uma produção de Marcelo Henrique e a QG3D. Sendo o primeiro trabalho musical 3D com tecnologia 360 VR do mundo. Como você se sente sabendo que seu trabalho é pioneiro neste quesito? A responsabilidade em elevar o rap produzido em Goiás aumentou?

Nobre San: Oh como não aumentou, triplicou! O Marcelo, quando me procurou pra fazer esse trampo eu nem acreditei, me explicou tudo e ainda usou o termo “a cereja do bolo” que era o lance da tecnologia 360 graus VR, me senti privilegiado. Me perguntei “Poxa, por que eu né?”. Eu passo o dia inteiro vendo produções na internet, desde clipes de Raul Seixas a vídeos de rap nacional e internacional. Sempre com a questão de não se autovalorizar, pelo fato de não sermos tão conhecidos. E aí fui pesquisar e vi que não tinha nada igual no mundo ainda até esse momento, e pensei “Acho que até o presidente do Estados Unidos deveria ver esse vídeo”. E que agora tenho que continuar nosso trabalho, levar nossa mensagem com mais carinho e dedicação ainda pras próximas gerações.

 

DMRevista: O clipe é ambientado em meio à arquitetura característica goianiense, tal como a Praça do Trabalhador (representação do Centro de Comando, no clipe), e a Praça do Bandeirante (representação da repressão social). Qual a mensagem final, casando imagem e letra, o clipe pretende passar ao público?

Nobre San: A mensagem é que as pessoas não deixem de buscar a verdade, de buscar o conhecimento, de saber o que está acontecendo no mundo, quem convive no meio cultural sabe o significado dos monumentos, e o que realmente eles representam. Mas meu pai e minha mãe, meus parentes, simplesmente acham bonito e legal, não sabe o que realmente aquilo ali quer dizer, o quão grande foi o bandeirante como símbolo de repressão e domínio das classes mais baixas no passado.

 

DMRevista: Já são mais de dez anos de carreira como MC. Atualmente você também participa do grupo de rap K’Ment, que recentemente lançou o EP Emergência. Como é o trabalho desenvolvido pelo K’Ment? Quem são os outros integrantes?

Nobre San: Grupo de rap idealizado em janeiro de 2014, composto pelos rappers Coiote, Nobre San, Corage e Logan. Decidiram juntar as forças e adotar um estilo alternativo e humorístico em suas rimas e criações. Todos já vêm de uma linhagem única de rap goiano, priorizando métricas, punchlines, instrumentais sampleada de clássicos da música nacional e mundial. K’Ment é um dos grupos de maior influência cultural da cena goiana, através da realização de batalhas de raps em praças, sarais, oficinas de grafite, break dance e música, abrindo espaço até para outras vertentes da música como MPB, samba, rock, brega, forró, chorinho e vários outros estilos. O EP Emergência que conta com a participação de produtores nacionais e goianos, e a participação de MC’s da mesma cidade, levando uma temática de abordagem sobre a renovação da mente e a liberdade de expressão. O EP está na internet, e de pouco em pouco geral vai ouvindo, curtindo e compartilhando com amigos. Recebemos relatos todos dias de fãs que curtem e acompanham nosso trabalho, temos apenas a agradecer.

 

DMRevista: Após o lançamento épico de videoclipe pioneiro em Realidade Virtual “Já posso destruir o Planeta?”, qual o próximo passo? Quais as novidades para 2017 em carreira solo? E junto com o K’Ment?

Nobre San: K’Ment acaba de lançar “Lanterna em Mãos” música em parceria com o grupo de Brasília “Um Barril de Rap”, que conta com as participações de Froid e Sampa, que vem fazendo um trabalho bem aclamado na cena de rap nacional. Um vídeo muito bem organizado por uma produtora de São Paulo, a Torre Nera, feita baseado na história do game “Metal Slug”, e estamos trabalhando mais músicas com mais um pessoal importante da cena como Familia IML de Londrina e Atentando Napalm. Tenho um trampo solo em fase de gravação, que conta com artistas e produtores goianos, mais uma jogada para o fomento do rap goiano, onde nossa missão é levar o nome da nossa cidade.

 

DMRevista: O clipe de “Já posso destruir o Planeta?” já conta com mais de duas mil visualizações entre os dois clipes disponíveis (sendo um para extra para quem não possui equipamento para assistir ao clipe em 3D). Como você se sente sabendo da crescente visibilidade do seu trabalho?

Nobre San: Me sinto honrado por isso, pois não patrocinamos publicações como se deveria, e como vem sendo feito pelo Brasil, por enquanto apenas na divulgação individual, na abordagem pelas redes sociais, pessoalmente dizendo para as pessoas compartilharem, e agora com essa oportunidade dada a mim por vocês do Diário da Manhã, creio eu que vai romper bastante ainda em relação ao mercado nacional que se está tendo fora da nossa cidade e de nossa realidade. O vídeo conta com essas duas possibilidades mesmo, uma versão convencional para quem não conseguir visualizar a original, a possibilidade de se usar óculos 3D é possível, até pra mim que não consegui ainda, mais vou conseguir vizualizar.

DMRevista: Qual a importância da internet para a divulgação de trabalhos independentes, como esse que você realiza? A internet é, de fato, uma aliada?

Nobre San: Como disse na pergunta anterior, a maioria da divulgação é feita na internet, e isso ajuda muito, o Facebook em si limita um pouco o alcance das publicações, mas ajuda de muitas formas também. Ainda pretendo patrocinar dinheiro vivo para o Facebook nos ajudar com essa divulgação.

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