Escadas Flutuantes
Redação DM
Publicado em 22 de novembro de 2016 às 01:08 | Atualizado há 2 anosO conceito visual desenvolvido por Luis Barragán é um elemento que permanece presente na estética arquitetônica apresentada por profissionais contemporâneos. Suas construções são frequentemente visitadas por estudantes de Arquitetura de várias partes do planeta. O mexicano, nascido em Guadalajara, é responsável pelo projeto das Torres de Satélite, localizadas em Ciudad Satélite. As torres foram inauguradas em 1958 como um símbolo de modernização da cidade. O complexo de torres é visto como sua obra-prima e maior patrimônio deixado para as gerações seguintes, e seu projeto contou com o auxílio do pintor Jesús Reyes Ferreira e do escultor Mathias Goeritz. Barragán morreu há exatos 28 anos, aos 86, na capital do México.
Barragán foi contemplado em 1980 com o prêmio Pritzker, importante prêmio internacional de arquitetura, muitas vezes chamado por profissionais da mídia de “Nobel da arquitetura”. A casa do arquiteto, a Casa Luis Barragán, ganhou da Unesco em 2004 o status de patrimônio mundial. A casa, concluída em 1947, é considerada uma de suas obras mais importantes, e foi uma das grandes responsáveis por seu reconhecimento mundial. Sua última década ativa, entre os anos 1950 e 1960, foi dedicada quase exclusivamente a loteamentos e jardins, com destaque para as obras Jardines del Bosque (Guadalajara, 55), Las Arboledas (58), Los Clubes (62), Lomas Verdes (65), casas Gálvez (55) e Gilardi (76).
Análise
A formação acadêmica de Luis Barragán foi concluída em 1923, na Escuela Libre de Ingenieros, em Guadalajara, sua cidade natal. O artigo científico Hybris americana: a modernidade eclética de Luis Barragán e Lucio Costa, do pesquisador Roberto Fernández, aponta certa dicotomia entre o moderno e arcaico. Segundo o autor, tal paradoxo teria raízes tanto em sua formação acadêmica quanto na sua percepção do mundo nos primeiros anos de vida. “Costuma-se assinalar certa rusticidade técnica no trabalho de Luis Barragán e nisso a marca de uma modernidade não assumida, não entendida ou diretamente rejeitada, por exemplo, em torno das ideias de abstração e funcionalismo”, registra o autor.
O pesquisador caracteriza o conceito desenvolvido por Barragán como algo que se aproxima da discursividade moderna, mas com algumas exceções pontuais que remetem ao passado vivido por ele em Guadalajara. Tais pontos de conflito são, segundo Fernández, “[um] arcaísmo programado e manifesto que arranca de sua origem abastada e suas primeiras sensações na fazenda natal de Corrales, Sierra do Tigre, cerca de Michoacán, de onde provém certo perfil conservador, aristocratizante e de cristianismo tradicional que forma parte de sua maneira de ser (anti)moderno em um país de tantas oposições não resolvidas”. Tais características podem ser observadas em obras como a Casa em Tacubaya (1947) e a Casa Gilardi (1976).
Quanto à sua formação acadêmica, o autor aponta que Barragán optou primeiramente por estudar Engenharia, completando mais tarde sua grade curricular com disciplinas de arquitetura que dariam a ele dupla profissionalização. Tal tipo de formação foi definida como “heterodoxa” por Roberto Fernández, e seria um acréscimo de “arcaísmo” manifesto em sua obra contraditoriamente moderna. “Ao que somará uma educação heterodoxa, já que estudará engenharia hidráulica – completando logo alguns créditos para obter o título de arquiteto – em Guadalajara”. Observa-se que o autor busca explicar a necessidade de modernização vista por Barragán, que conviveu com tal “arcaísmo” em seus primeiros anos.
O autor pondera ainda que existe um Luis Barragán que vai além das obras responsáveis por sua consagração internacional. Tal faceta empenha-se, segundo Roberto Fernández, numa natural busca por identidade, fato que contrapõe o fluxo da arquitetura mexicana às tendências internacionais do século XX. “Existe um Barragán mais denso e complexo que expressa programaticamente um modo de ser moderno excêntrico, dada uma biografia de múltiplas e ecléticas facetas de formação e uma concepção da idiossincrasia cultural mexicana que, sem perder seu olhar conservador e elitista se propõem, bem na contramão da história estética do século XX, tem um objetivo de busca de identidade mais ou menos alheia ao paradigma dominante”.







