Expressionismo marcado pela Guerra
Redação DM
Publicado em 12 de janeiro de 2016 às 22:39 | Atualizado há 1 ano
Chaïm Soutine nasceu em 1893, numa pequena cidade chamada Smilarvichy, próxima a Minsk, atual capital e maior cidade da Bielorrússia, que na época fazia parte do Império Russo. Seu nome de batismo era Chaim Sutin, que foi afrancesado assim que se mudou para Paris. Suas vocações artísticas eram mal vistas por seu pai, um alfaiate judeu, membro de uma comunidade ortodoxa que proibia a adoração de imagens. Migrou para a capital francesa em 1913, aos 20 anos. Lá estudou na Escola de Belas Artes, onde rapidamente desenvolveu uma visão pessoal e técnica bastante aguçadas.
Quando chegou a Paris, Soutine morou por um tempo em La Rouche, uma casa de artistas iniciantes no distrito de Montparnasse. Lá conheceu o pintor italiano Amadeo Modigliani, um amigo de longa data, responsável pela confecção dos retratos mais famosos de Soutine. Na época eles contavam com Leopold Zborowski como negociador de seus quadros. Zborowski também ajudou Soutine a esconder-se da invasão alemã à Paris durante a Primeira Guerra Mundial, levando-o para a cidade de Nice.
Ao fim da Guerra, o trabalho de Soutine passou a ser negociado por Paul Guillaume, um influente negociador de arte. Em 1923, durante uma exposição organizada por Guillaume, Soutine teve 60 quadros comprados por um influente colecionador norte-americano chamado Albert C. Barnes. Tal negociação melhorou muito a condição financeira do pintor, tendo em vista que ele vivia praticamente sem dinheiro em Paris há quase dez anos. Ao receber pelos quadros, foi imediatamente para a rua e pegou um taxi para Nice, que fica há 600 km de Paris, distância inimaginável para uma corrida de taxi.
Carcaças
Certa vez, Soutini deixou sua vizinhança horrorizada por manter em seu estúdio a carcaça de um animal em decomposição para que pudesse pintá-la. O fedor fez com que a polícia fosse chamada. Quando questionado pelos policiais, Soutine prontamente respondeu que a arte tem importância superior à higiene. A confusão teve início quando o artista Marc Chagall viu o sangue da carcaça a escorrer pelo corredor por baixo da porta do quarto de Soutini. Ele saiu correndo e gritando “alguém matou Soutine!”. A série de pinturas de carcaças rendeu 10 quadros e tornou-se a mais famosa do artista.
A inspiração de Soutine para realizar a série de pinturas de carcaças foi inspirada em uma série do mesmo tema realizada pelo pintor holandês Rembrandt no século XVII. Soutine descobriu tal fonte de inspiração enquanto estudava grandes mestres no Museu do Louvre. A maioria das pinturas de Soutine foi realizada na década de 1920. Na primeira metade da década de 1930 foi recebido na casa da designer de interiores Madeleine Castaing, que junto com seu marido passou a patrocinar o trabalho de Soutine até 1935, quando pode expor pela primeira vez nos Estados Unidos, em Chicago.
Apesar de raramente ter exposto suas obras na França, Soutine teve seu trabalho amplamente reconhecido em 1937, quando teve algumas de suas obras incluídas em um evento nomeado ‘A origem e o desenvolvimento da arte independente’, uma honra raramente concedida a pintores estrangeiros que vivem na França. Como legado, Soutine deixou a influência para vários artistas expressionistas do mundo. Em 2006, sua obra ‘Le Boeuf Ecorche’, que mostra a carcaça de um animal em decomposição, foi vendida por cerca de 14 milhões de dólares.
Durante o período da Segunda Guerra Mundial, sendo judeu, Soutine teve que fugir da capital francesa para que não fosse capturado pela Gestapo. Ele mudava-se de casa constantemente, e algumas vezes foi obrigado a procurar abrigo em florestas, dormindo ao ar livre. A angústia de uma possível denúncia agravava-lhe os problemas de saúde. Sofrendo de uma úlcera que causava intenso sangramento, Soutine teve de abandonar o esconderijo e voltar para a capital francesa em busca de uma cirurgia de emergência. A cirurgia não conseguiu salvar-lhe a vida e ele morreu durante o procedimento no dia 9 de agosto de 1943, aos 50 anos.



(1924), obra mais cara de Soutine






