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Festa Julindie marca uma década da Fósforo

Redação DM

Publicado em 9 de julho de 2016 às 02:44 | Atualizado há 10 anos

Na última década uma juventude surgiu forte e disposta a ocupar espaços na cultura, na política, nos movimentos e lutas sociais em todos os cantos do mundo. Tudo isso com uma nova terminologia, o “faça você mesmo”, agora se tornou “faça junto”. As facilidades da internet, a capacidade de se articular em rede, o interesse em disputar as decisões da política e recriar os modelos de representação fazem dessa juventude um fenômeno histórico carregado de tecnologias sociais capazes de fazer das conexões entre grupos, indivíduos e poder público o ambiente perfeito para atuação em formação coletiva e colaborativa.

Como exemplo desses fenômenos sociais, a Fósforo Cultural foi criada por um grupo de jovens produtores, jornalistas e artistas com interesse em realizar eventos de cultura independente e distribuir discos. Hoje, esse grupo completa 10 anos de um trabalho sólido e amplo feito para uma juventude que exige o acesso à cultura, principalmente a independente e alternativa, como uma das prioridades para a sociedade contemporânea. Para comemorar essa longa trajetória, a Fósforo Cultural preparou uma festa no tradicional palco da música independente brasileira: o Martim Cererê. A noite contará com mais de 23 atrações musicais entre DJs e bandas, praça de alimentação com lanches e pratos tradicionais das festas de São João, quadrilha e feira mix com vinis, bugigangas e merchandise das bandas. Os ingressos custam R$ 5,00 (às 17 horas), R$ 10,00 (até as 22 horas) e R$ 20,00 (após as 22 horas).

A história dessa construção passa por diversos lugares. Foram anos de fortes articulações e conquistas, caminhando junto aos artistas, colaboradores, estúdios, parceiros e público. Em uma década, o coletivo cresceu, tornou-se um grande símbolo da música independente e da cultura no Brasil, além de incorporar em seu programa diversas ações de conscientização cidadã, ambiental e social. Esse viés multifacetado da Fósforo Cultural, que incendeia a cultura local com contínuas, diversas e plurais programações, está em seu DNA. O seu surgimento vem de uma união entre um selo chamado BeAcid, idealizado pelo produtor João Lucas Ribeiro, e o Festival Vaca Amarela, criado pelo jornalista Pablo Kossa.

Já em 2010 a Fósforo funda a Associação Fábrica Cultura Coletiva, junto a outros coletivos da cidade, em um casarão no centro da cidade. O coletivo também foi um dos primeiros a realizar o Grito Rock, maior festival integrado do mundo, realizado em centenas de cidades por todo o mundo. Em Goiânia, o Grito Rock ainda é a única opção musical ao tradicional carnaval de rua.

As realizações do coletivo sempre estiveram aliadas a uma busca pela participação, diálogo, ocupação e modificação dos espaços da política, que é responsabilidade histórica dessa geração formada na última década. Por isso a Fósforo Cultural se articulou em rede durante toda sua trajetória, seja como integrante do Fora Do Eixo, da Associação Brasileira de Festivais Independentes (Abrafin) ou Rede Brasil de Festivas Independentes. Essas organizações aproximaram seus integrantes dos órgãos públicos responsáveis pela elaboração de políticas públicas de cultura no país, gerando uma maior participação das organizações da sociedade civil nesses processos. Além disso, dois momentos destacam-se na história política da Fósforo. Em parceria com a Monstro Discos, em 2010, a Fósforo realizou uma manifestação com apoio da esmagadora maioria dos artistas e coletivos de cultura da cidade, exigindo a reabertura imediata do Oscar Niemeyer, que havia sido entregue à população mas seguia fechado por falta de vontade política.

No que diz respeito a garantir a fruição intelectual dos artistas locais, a Fósforo atreveu-se à tarefa de lançar discos. Enquanto grandes gravadoras fecharam os olhos para a produção musical do interior do Brasil, o coletivo assumiu a tarefa de revelar novos e emergentes artistas, além de lançar seus discos e distribuí-los. Diego de Moraes, por exemplo, foi revelado em um Tacabocano CD, festival da Fósforo que já premiou dezenas de artistas locais com gravações, discos, sessões de fotos, assessoria de imprensa e outros prêmios importantes para artistas locais sem apoio das grandes gravadoras. Johnny Suxxx, Umbando, Cambriana, Aurora Rules, Overfuzz e Hell Oh! são alguns dos artistas distribuídos pelo coletivo.

A Fósforo também tem seu papel de articulação da música latina. A Série La Bomba Latina é realizada em Goiânia e Córdoba, na Argentina. A proposta desse projeto é criar as plataformas e condições necessárias para que artistas latinos se apresentem em diferentes países, garantindo uma aproximação cultural com nossos vizinhos e estreitando laços com outros realizadores independentes do resto da América do Sul.

A Fósforo também é consciente. O grupo de trabalho Fósforo Consciente foi responsável por palestras, oficinas e debates que aconteceram nos eventos do coletivo, com intuito de formar novos produtores, músicos e pensadores das culturas urbanas, além de trocar experiências e construir laços com outros grupos da cidade. Esse viés formador criou corpo e se transformou em um movimento autônomo pautado pelo trabalho colaborativo e pelos questionamentos sobre o direito à cidade. O Eu Faço Goiânia é uma dissidência do Fósforo Cultural aliado a outros coletivos e agentes culturais da cidade. Ele existe para que a população em geral reflita sobre a cidade em que queremos viver – nada mais justo para a história de um grupo de pessoas dispostas a fazer diferente com novos modelos de atuação. Hoje em dia o movimento tem utilizado os espaços dos eventos do Fósforo e dos parceiros de sempre para gerar discussões, debates, reflexões e participação cidadã na construção de uma nova cidade.

Nesse ano de reflexões, autocríticas e balanço geral, o coletivo recebeu uma notícia que demonstra o real lastro e a solidez de todo esse trabalho: o Festival Vaca Amarela acaba de ser confirmado na programação das Olimpíadas Rio 2016! Essa ocupação de um espaço com tanta visibilidade mostra o quanto o coletivo conquistou espaço, força e solidez. A programação ainda será divulgada, mas já podemos adiantar que será voltada para a produção cultural e alternativa de Goiás, que é orgulho nacional!

 

Local: Centro Cultural Martim Cererê

Data: Hoje

Horário: A partir das 15 horas

Entrada: R$ 5,00 até 17 horas / R$ 10,00 até 22 horas / R$ 20,00 após 22 horas

 

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