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Filarmônica apresenta peças de Guarnieri, Beethoven e Mahle

Redação DM

Publicado em 18 de agosto de 2016 às 13:37 | Atualizado há 1 ano

A série “Quinta Clássica” que ocorre nesta quinta-feira no Teatro Goiânia, às 20h30, com Orquestra Filarmônica de Goiás,  oferece aos ouvintes uma apresentação diferente daquelas em que os músicos se aventuram em mostrar temas de filmes e músicas já triviais do repertório erudito.

O espetáculo é gratuito e revela como a Filarmônica de Goiás tem sensibilidade estética para formar  um público mais qualificado em audição no Estado.

Apesar dos concertos populares, enfim, valoriza também os adeptos da música séria e ainda não sufocada pelas estratégias insensíveis da indústria cultural.

Na verdade, ocorreu uma divisão no repertório desta noite: metade para a tradição [Mozart, por exemplo] e outra para a música de concerto brasileira [ Mahle, alemão radicado no Brasil] que se manifesta na contemporaneidade.

Sob a batuta do regente italiano Matteo Pagliari, que realiza um bom trabalho na Sinfônica Nacional do Peru, o jovem pianista Ronaldo Rolim e a  Filarmônica de Goiás prometem leituras consistentes para a “Abertura Concertante” (Camargo Guarnieri), “Concerto para Piano e Orquestra” (Mozart), “Suíte Nordestina” (Mahle) e a “Sinfonia nº 2”, de Ludwig Van Beethoven.

Matteo Pagliari com orquestra do Peru

Ex-aluno do inglês Neil Thompson, atuante na orquestra goiana, e do maestro brasileiro Isaac Karabtchevsky, Matteo Pagliari realiza um trabalho de colheita nos principais concursos de regência – como o Concurso International Jesus Lopez Cobos, da Espanha.

Por sua vez, o pianista Ronaldo Rolim busca espaço nas menos renomadas orquestras do mundo e desenvolve um trabalho de aluno diferenciado do programa de Doutorado da Yale School of Music, em New Haven, nos Estados Unidos.

Tem potencial para se formar como concertista.

Yale School of Music é uma das escolas de músicas mais conceituadas no mundo. Ronaldo Rolim estuda com o russo Boris Berman, um gênio do piano que abriu os ouvidos da modernidade para compositores como Arnold Schoenberg, Karlheinz Stockhausen, Luciano Berio e György Ligeti.

GUARNIERI

A Orquestra Filarmônica de Goiás interpretará duas peças populares: o “Concerto para Piano e Orquestra”, de W. Amadeus Mozart, e a “Sinfonia n. 2”, de Beethoven, que tem início também com um rompante de percussão e depois anuncia um melodismo na tonalidade de ré maior.

Para os goianos, a apresentação da obra de Camargo Guarnieri tem um importante significado: ele foi professor de música da Universidade Federal de Goiás (UFG) após a gestão da pianista Belkiss Carneiro Mendonça.

 

Guarnieri merece cada vez mais o reconhecimento nacional de sua produção, principalmente por conta da riqueza formal. O artista escreveu vasta música de concerto, notadamente para piano e também orquestra.

O maestro e compositor paulista, de Tietê, desbravou os limites das dissonâncias, tornando a música moderna um desafio para os ouvidos dos iniciantes.

Escrita para homenagear o americano Aaron Copland, também modernista que se embrenhou na atmosfera revolucionária modernista, a “Abertura Concertante” começa com fraseados tensos e neoclássicos.

Apresentação da obra de Ernest Mahle no II Laboratório Internacional de Regência

Estas frases se contrapõem ao ritmo emanado da percussão. O motivo central se repete em vários instrumentos. Acompanhado de perto pelo tímpano – o instrumento percussivo que cria toda  a tensão da música-, o maestro dita o ritmo em rompantes e movimentos largos (não no sentido de demorado), mas como que em sequências extensas.

Os violinos em terças são apresentados na melodia central e nas respostas instrumentais ao tema.

A coda brilhante encerra uma composição de grande expressividade, reveladora da genialidade de Camargo Guarnieri.

Ernst Mahle, que nasceu na Alemanha,  mas que desenvolveu sua produção artística no Brasil, será interpretado com a tensa “Suíte Nordestina”.

Música expressiva que forma uma imensa parede sonora,  “Suíte Nordestina” permite os violinos passearem ora pelas melodias agrestes do sertão brasileiro ora pelas tensas melodias dissonantes da música contemporânea, que não faz concessões ao melodismo fácil.

 

 

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