Ganjaço foi sucesso de público e organização
Redação DM
Publicado em 2 de junho de 2015 às 12:24 | Atualizado há 1 anoA previsão de que muitos se encontrariam na segunda edição do Ganjaço era real. A noite fria embalada de músicas quentes foi ocupada do início ao fim por um número significativo de pessoas, chegando a um número de 3 mil. Isso no Campus Samambaia, da Universidade Federal de Goiás (UFG), que pra maioria é longe e o ônibus geralmente não circula até altas horas – um bom número de amigos resolveu dormir por lá mesmo e esperar o dia seguinte. Ou talvez existia uma vontade de que o Ganjaço continuasse se estendendo por mais algumas horas: eu mesmo fui pra casa um bom tempo depois do último show.
Os elogios na página do evento no Facebook falam da boa organização e de como este se tornou um espaço livre. A utilização de um espaço aberto, dentro da UFG, voltado para a festa deixou tudo mais alto. Perguntei para algumas pessoas que aguardavam o próximo show: o que você acha de eventos como estes na UFG? O apoio para manifestações deste estilo foi geral. A maioria dava ainda palpites: “isso aqui tem que acontecer todo mês, cara”. Também acho.
Além do encontro, da ocupação do espaço e das músicas, o Ganjaço também pautava, mesmo que em detalhes, o consumo recreativo da maconha. O nome, o flyer (um macaco com a cabeça aberta) e algumas letras de música propunham a discussão sobre o consumo. Vários outros eventos recentes tentam colocar o consumo da planta de forma medicinal, recreativa e até espiritual. Na mesma semana do Ganjaço, um evento chamado Testemunhas de Já, no Evoé Café com Livros, movimentou esse debate. A fala era por conta de Renato Costa e o poeta Leo Pereira. De um lado a discussão do uso da cannabis para meditação e yoga. Do outro o debate político sobre os motivos da droga ser descriminalizada. Todos atentos.

A Marcha
Um pouco mais distante de Goiás, a Marcha da Maconha realizada em Belo Horizonte, capital de Minas Gerais, reuniu 1.500 pessoas no início, de acordo com a Polícia Militar (PM). O evento ocorreu na Praça da Estação e seguiu em caminhada até a Praça da Liberdade. Cada passa dado era um ativista a mais que seguia a caminhada. Em um dado momento, os organizadores contabilizaram cerca de 7.000 pessoas no ato. O grupo defende a legalização da maconha para diversos fins: medicinal, industrial, religioso e recreativo.
Em Goiânia, a Marcha da Maconha ocorre no dia 12 de junho a partir das 16h20. O ponto de encontro é a Praça Universitária e é realizado pelo Coletivo Mente Sativa. Na descrição do evento no Facebook, o discurso dessa manifestação é focado na regulamentação do cultivo caseiro e também da não redução da maioridade penal, discutida em atos recentes espalhados pelo país. Durante a Marcha, serão realizadas atividades informativas, panfletagens, oficinas de cartazes e faixas.
Para o organizador da Marcha em Goiânia, Wilton Escafandrista, existe uma diferença notável do último ano para este. “De 2014 para 2015 o Uruguai regulamentou e expôs, mais uma vez, o problema brasileiro em relação às drogas” disse. Ele também fala sobre a recente regulação do remédio Canabidiol, derivado da cannabis.