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Grupo Vida Seca relembra a história do Césio 137 através de projeto cultural

Redação DM

Publicado em 10 de setembro de 2016 às 01:31 | Atualizado há 1 ano

Goiânia já foi palco do maior acidente radiológico do mundo. Há 29 anos, em 13 de setembro de 1987, apenas 19g de cloreto de Césio 137 foram suficientes para causar um grande transtorno na cidade.

Foi a partir de uma história repleta de irresponsabilidade e desinformação que os olhos do mundo se voltaram a Goiânia. Olhos de repulsa e medo. Tanto que, após esse período sombrio, a prioridade em políticas públicas era o investimento em uma nova imagem da cidade. Ao longo dos anos passamos a ser reconhecidos como a capital dos parques, a cidade mais arborizada do Brasil e essa nova imagem levou ao esquecimento de uma parte importante da nossa história.

Projeto Cultural

Para muitas pessoas o acidente ficou apagado da memória, mas para o Vida Seca não. Com o objetivo de dialogar sobre o assunto, convida professores da rede pública de ensino a vivenciar e trocar saberes com pesquisadores da área no projeto “Rua 57 nº 60 – Intercâmbio e Difusão”.

O integrante do grupo Ricardo Roqueto fala da importância de se comentar o assunto com a comunidade escolar. “Acredito que o acidente tem que ser retomado pelas novas gerações. Daí a importância de ser discutido na escola. Primeiramente pela relevância histórica, depois por poder suscitar uma discussão política sobre as responsabilidades que giram em torno da utilização de energia nuclear.”

A programação é dividida em duas fases, a primeira é Intercâmbio e ocorre nos dias 13 e 14 de setembro, a partir das 19h, no Espaço Sonhus. A ideia é explorar o tema a partir de uma palestra, uma mostra de vídeos e uma oficina musical.

A palestra “Césio 137 – 29 anos” recebe Sueli Lina de Moraes, presidente da Associação de Vítimas do Césio 137 (AVCésio), e o professor Júlio de Oliveira Nascimento, coordenador do Núcleo Interdisciplinar de Pesquisa sobre o Acidente com o Césio 137 (Nipac), para falar sobre os dramas vividos e ainda hoje enfrentados pelas vítimas do acidente, além de elucidar sobre a história em si. O documentário “Césio 137 – O Brilho da Morte” (2004), de Luis Eduardo Jorge, aborda as marcas deixadas pelo acidente no meio ambiente e na vida dos acidentados.

No segundo dia, as três horas de programação serão dedicadas à oficina “O processo de criação do Vida Seca”. Nela, Danilo Rosolen, Igor Zargov, Ricardo Roqueto e Thiago Verano, integrantes do grupo, mostram seus instrumentos feitos a partir de materiais recicláveis e o processo de criação sobre a temática proposta. A professora Marília Reston é a convidada do dia para falar sobre o vídeo dança da qual foi coreógrafa. O “Rua 57 nº 60, Centro” (2011) tem direção de Michel Valim e participação do Vida Seca e ¿por quá? grupo de dança.

Em outubro o projeto entra na sua segunda etapa, a Difusão, que consiste na apresentação do espetáculo de música “Rua 57 nº 60”, constituído de três peças. “Rua 57” recria a trilha sonora do documentário realizado em 2011; “Nº 60” foi composta em improviso exclusivamente para o álbum do grupo, e “Fukushima” é uma peça inspirada no acidente na usina nuclear ocorrido no Japão em 2011.

Espetáculo Rua 57, n60 - Foto Layza Vasconcelos (8)

Fato histórico

O dia 13 de setembro de 1987 é visto como o marco zero do acidente. Foi quando Wagner Mota Pereira e Roberto Santos Alves encontraram o aparelho de radioterapia abandonado nas ruínas do antigo Instituto Goiano de Radioterapia (IGR) e o levaram ao ferro velho de Devair Alves Ferreira, localizado na Rua 57. O pó, semelhante ao sal de cozinha, brilhava com uma cor azulada e encantava as pessoas que por lá passavam.

Logo nos primeiros dias já se notavam sintomas, como náusea, vômitos e tonturas. Começava um alvoroço na cidade com a imprensa nacional e internacional noticiando tudo o que acontecia. As vítimas que chegaram a ter contato com o Césio tiveram suas casas demolidas e objetos pessoais colocados em contêineres que logo foram levados para o depósito em Abadia de Goiás.

As consequências eram visíveis física e psicologicamente. Histórias de vidas se acabavam em minutos. O isolamento os levou a uma quebra brusca da estrutura familiar e social. De um lado, a vontade de voltar à vida normal e a ter contato com o mundo. Do outro, o medo da rejeição social e do preconceito.

Porém, o sofrimento não acabava por aí. Até hoje as vítimas possuem dificuldades para conseguir tratamento médico e brigam na justiça por seus direitos. Por isso é tão importante falar sobre o assunto e não deixar que fique esquecido no passado. O “Rua 57 nº 60 – Intercâmbio e Difusão” chega com essa proposta.

 

Programação:

Quando: 13 de setembro

“Césio 137 – 29 anos”

Palestra e Mostra de Vídeos

14 de setembro

“O processo de criação do grupo Vida Seca”

Horário: 19h às 22h

Local: Espaço Sonhus, Colégio Lyceu de GoiâniaRua 21 nº 10, Centro

 

6 e 7 de outubro

Apresentação do espetáculo de música
“Rua 57 nº 60”

Horário: 20h – 6 de outubro / 10h (ESGOTADO) 15h e 19h – 7 de outubro

Local: Teatro do Instituto Federal de Goiás – Rua 75, 46 – Setor Central

Mais informações pelo telefone: (62) 3609-8386

Projeto Rua 57 nº 60 – Intercâmbio e difusão

Inscrições: Até 10 de setembro

Onde: www.vidaseca.com.br/rua57

Para quem: professores da rede municipal e estadual de ensino e interessados em geral

Espetáculo Rua 57, n60 - Foto Layza Vasconcelos (4)

Espetáculo Rua 57, n60 - Foto Layza Vasconcelos (11)

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