Ignaz Epper e o expressionismo introvertido
Redação DM
Publicado em 8 de julho de 2016 às 03:01 | Atualizado há 1 anoAs imagens elaboradas por Ignaz Epper trazem questões de cunho social e religioso. Também podemos encontrar em sua obra paisagens, nu feminino, natureza morta e inúmeros retratos. Durante sua carreira de mais de meio século, dedicou-se à pintura, ao desenho e às artes gráficas. Fazia ilustrações bastante expressivas em carvão e giz, dedicando-se especialmente aos efeitos das luzes. Suas xilogravuras (estampas obtidas através de gravuras feitas em madeira) também eram famosas e ganharam atenção especial de críticos de arte. A violência e o sofrimento são recorrentes em sua obra. Consequências de sua vivência nos campos da Primeira Guerra Mundial.
Epper nasceu no dia 6 de julho de 1892 na cidade suíça de São Galo. Passou a infância e a adolescência em situação modesta. Formou-se como desenhista de bordados entre 1908 e 1912 numa escola de design de sua cidade natal. Começou a trabalhar como designer em uma empresa de São Galo e em seguida foi enviado por seu chefe para Berlim, onde ficou encarregado de criar esboços para moda. Em contrapartida, em seu tempo livre, gostava mesmo era de registrar suas impressões da cidade grande. Lá decidiu definitivamente viver de arte, contrariando os desejos de sua família. Determinado, largou o emprego e partiu com o amigo Sebastian Oesch em uma viagem de vários meses nas cidades de Munique e Weimar.
Com seus desenhos começando a circular, Epper voltou para a Suíça para receber uma bolsa federal de arte. De volta ao seu país natal, começou a trabalhar com xilogravuras. No fim de 1913, deu início aos estudos em litografia na cidade de Zurique. Seis meses depois, foi chamado para o serviço militar, em meio à deflagração da Primeira Guerra Mundial. Sua ida aos campos de batalha teria influência permanente em sua visão de mundo. Epper sentiu-se artisticamente desafiado com os eventos que presenciou durante a guerra. Criou muitas obras em seus momentos de descanso: testemunhas de sua grande produtividade e empenho artístico diante dos tempos difíceis.
Sucesso
Em 1916, conheceu, em Zurique, o comerciante de artes Hans Coray, o primeiro a reconhecer e promover a alta qualidade de seus trabalhos. No mesmo ano estabeleceu uma amizade criativa e de longa data com o artista suíço Fritz Pauli, com quem trocou experiências e palpites por longas décadas. Em 1919, casou-se com a holandesa Mischa van Ufford. Fixaram residência em Zurique, depois se mudaram definitivamente para Ascona, uma pequena comuna no Sul do país. Lá ele viveu até tirar a própria vida em 1969. Mesmo tendo se fixado em Ascona, continuou a viajar para vários países. Participava regularmente de exposições e frequentava os ambientes do ciclo artístico.
Nos anos próximos a sua morte, Epper já não trabalhava suas pinturas com o mesmo entusiasmo e a mesma vitalidade do período inicial de sua carreira. No dia 12 de janeiro de 1969, Epper cometeu suicídio. Ele tinha 76 anos. Sua contribuição mais reconhecida à história da arte suíça reside nos seus trabalhos em madeira, confeccionados principalmente de 1913 ao início dos anos 1920. Seus primeiros trabalhos são de cunho expressionista, um movimento artístico que começou a ganhar força na primeira década do século XX. Diferentemente do estilo agressivo dos expressionistas alemães, Epper ajudou a difundir na Suíça uma espécie de “expressionismo intimista”, que se tornou predominante no país.
Uma opinião sobre o artista e sua obra pode ser encontrada no site alemão Galerie Widmer, especializado em artes visuais. “Seja recriando uma cena bíblica, de guerra, de uma grande cidade ou mesmo de um cavalo, a expressividade de seus quadros sempre imprime sua assinatura, que vai do sofrimento humano à esperança redentora. As figuras humanas naturalmente dominam sua obra, pois ao longo de toda sua vida conviveu de perto com aqueles que eram considerados fracos ou vítimas. O choque visual proporcionado por seu trabalho elevou seu nome e marcou permanentemente a história do expressionismo e da pintura na Suíça e no mundo”.







