Império do metal
Redação DM
Publicado em 22 de julho de 2015 às 23:24 | Atualizado há 1 anoA utilização do termo em inglês heavy metal prolonga-se na história da humanidade há séculos em estudos sobre química e metalurgia. Na cultura popular, surgiu em 1961, no livro The Soft Machine, do escritor norte-americano William S. Burroughs. Este mesmo escritor evoluiu a expressão em outro livro, Nova Express, de 1964, como uma metáfora para drogas pesadas com alto potencial de vício. Por ser considerado um escritor de contracultura, bastante popular entre os jovens da época, alguns historiadores apontam o sentido aplicado ao termo em suas obras como bastante influente em sua difusão.
O metal como música surge no fim dos anos 1960 e início dos anos 1970, principalmente no Reino Unido, com fortes influências de bandas ligadas ao blues e ao rock psicodélico que faziam sucesso na época, como Led Zeppelin, Rolling Stones e Deep Purple. No site Rateyourmusic, que tem abrangência mundial e faz médias de avaliações de discos e categorização de gêneros por seus usuários, o grupo britânico Black Sabbath, com seu disco autointitulado, que saiu em fevereiro de 1970, é considerado o primeiro grupo a receber a classificação ‘heavy metal’ (340 votos a favor contra 36).
Pela inovação musical proposta em Black Sabbath, os membros do grupo também são considerados por grande parte dos fãs do gênero como os pais do metal. Outras bandas do gênero surgem na segunda metade dos anos 70. No livro Judas Priest: Metal Gods, o escritor Brian Bowe fala da banda britânica Judas Priest como responsável por uma reforma do metal. “Assim como o Black Sabbath deu início aos trabalhos, os membros do Judas Priest removeram o que restava do blues e caíram direto no metal”. Em um movimento chamado de ‘New wave do heavy metal britânico’, bandas como Mötorhead, Iron Maiden e Saxon conseguiram destaque.
Anos 80
Nos anos seguintes, o sucesso comercial do gênero foi garantido por artistas associados à estética glam, com músicos performáticos, que utilizavam roupas e maquiagens chamativas. Destacam-se no gênero bandas como Mötley Crüe e Poision, dos Estados Unidos. Em 1983 surge no Estado de Washington, no mesmo país, a banda Melvins, citada na matéria Sludge Special, publicada em 2009 pela revista Terrorizer, como a percursora de um estilo chamado sludge metal. A palavra sludge, em inglês, remete à textura do lodo, algo meio molhado e viscoso que o som da banda tentava transmitir.
Enquanto isso, no Reino Unido, a banda Venom lança em 1982 o disco Black Metal, que teve seu nome transportado para e definição de um novo estilo, que ganharia força principalmente na Noruega e outros países do norte da Europa, na década seguinte, com bandas como Mayhem, Ulver e Burzum. A oposição ao cristianismo é um conteúdo que predomina na canção desses artistas. Em maio de 1994, o músico norueguês Varg Vikernes, da banda Burzum, foi condenado a 21 anos de prisão por assassinar Eurony-mous, da banda Mayhem, e por incendiar igrejas.
Enquanto isso, experimentos levavam o metal a novas extremidades. Em Liverpool, 1985, surgia a banda Carcass, com uma textura de som que foi chamada de goregrind. Matthew Harvey, crítico musical, resenhou o subgênero em 2003 na publicação Death Metal Music: The Passion and Politics of a Subculture: “caracterizado por preocupação com vocais descompassados e graves, uso de patologias e sangue como tema exclusivo, e continuidade muito rápida”. O disco Reek of Putrefaction, de 1988, com uma capa que consiste em colagens de autópsias presentes em jornais de medicina, na época foi considerado insano e teve sua venda proibida em algumas lojas.
Anos 90
No início da década, um estilo definido como trash metal (metal lixo), que surgiu de forma independente e foi ganhando atenção da mídia gradativamente, trazia velocidade e agressividade em sua espinha dorsal. As bandas Anth-rax, Megadeth, Metallica, e Slayer são consideradas as principais difusoras do gênero. Todas elas continuam ativas e ainda são muito cultuadas, reunindo multidões em shows de várias partes do mundo. Dentre os LPs lançados por estes grupos estão Reign in Blood (Slayer, 1986), Master of Puppets (Metallica, 1986), Among the Living (Anthrax, 1987) e Rust in Peace (Megadeth, 1990), que amplificaram a projeção dessas bandas entre críticos e público.
No Brasil o metal ganhou força principalmente em Belo Horizonte, com bandas mundialmente conhecidas. O grupo Sarcófago é considerado uma banda bastante influente para artistas do black metal, e participante memorável do momento pré-norueguês do estilo. O primeiro disco deles, I.N.R.I., de 1987, foi lançado em vários países e hoje é considerado um objeto de estudo para fãs do gênero. Outra banda mundialmente famosa de BH, Sepultura, formada pelos irmãos Igor e Max Cavalera, imortalizou álbuns como Beneth The Remains, Arise e Roots, passeando por estilos como trash, death e groove metal.
Anos 2000
Nos anos 2000 o metal multiplicou suas direções, fundiu-se com vários outros estilos musicais, aderiu à rapidez e pluralidade da internet, consagrando artistas de várias partes do planeta. No Japão, várias bandas passaram a experimentar combinações de texturas de guitarras, baixo e bateria e efeitos de amplificação. A banda Boris (que tem seu nome inspirado em uma canção da banda Melvins) é um dos exemplos. Seu disco de 2003, Boris at Last: Feedbacker, vem ganhando popularidade na última década, por explorar ruidos, criando músicas atmosféricas, constantemente associadas a uma “parede de som”. Dentre vários discos que exploram o lado experimental do metal estão Dopethrone, de 2000, da banda Electric Wizard, e OM, de 2006, da banda Negur? Bunget, da Romênia.
Goiás
O historiador Paulo Henrique de Assis Faria, em seu artigo científico sobre História Cultural, faz um estudo sobre a cena metaleira do Estado de Goiás de 1982 até 2011. São citadas bandas como Asgard, Mortuário, Encruzilhada, Escola Alemã, Terminator, Mandatory Suicide e Spiritual Carnage como formadoras de um primeiro cenário em meados da década de 1980. A banda Spiritual Carnage já conta com mais de 25 anos de história. Nesse período já dividiu palco com bandas como Canibal Corpse, Sepultura, Krisun e Master. O disco Voices of Darkness, de 2006, é considerado um dos marcos da carreira da banda. O metal em Goiás ainda é citado como um símbolo de luta contra a falta de diversidade cultural e musical na região, como comenta Flávio Lima em resposta ao artigo que foi publicado no site Wikimetal.
