Desativada 2

Mé para os homens de boa vontade

Redação DM

Publicado em 9 de abril de 2016 às 02:50 | Atualizado há 10 anos

Antônio Carlos Gomes, o Mussum, que carregava a palavra da sabedoria popular, do samba e da cachaça. Pena que se foi,  Cacildis

Uma das principais características para que um personagem cative o público é o sentimento de identidade. Um típico bom malandro que gosta daquela dose de me no fim do dia conquistou corações e mentes de milhares de brasileiros, o querido Mussum.Pobre, negro, nascido no morro da Cachoeirinha na zona norte carioca, conquistou com talento e bom humor um público cativo. Hoje com a internet seu carisma e expressões como “cacildis” conquistam um público muito jovem para ter conhecido seu trabalho.

Antônio Carlos Bernardes Gomes, o verdadeiro nome de Mussum, virou símbolo direto de humor, mas ele era puro talento e começou sua carreira artística como sambista. O grupo de samba ao qual ele pertencia são os famosos Originais do Samba.Mussum gravou com Baden Powell, Elis Regina, Elza Soares, Jair Rodrigues. Gravou músicas de Vinicius, de Tom Jobim.

O grupo fez inclusive uma viagem ao México para apresentar seu samba para o mundo. É isso, teve sambis em Acapulco, eles fizeram sucesso na terra do sombrero.Em uma entrevista ao programa Trama Radiola ele conta das alegrias e durezas dessa viagem, sobre como se virou para aprender espanhol. O grupo chegou a passar “fueme” como ele diz ao se referir de forma humorada ao aprendizado do idioma e a falta de dinheiro no começo da empreitada.

Do samba para a TV

Mussum chegou aos trapalhões pelas mãos de Dedé Santana que era fã de seu trabalho como músico. Ele foi o terceiro a entrar para o grupo dos Trapalhões, que na época ainda se chamava

Os Insociáveis.

O sucesso do personagem era mesmo mérito de Antônio Carlos mas claro que ele foi agregando características para compor o lendário Mussum. Por exemplos os “is” como na maravilhosa expressão “forevis”, adicionar isso ao fim das palavras foi ideia de um roteirista de Chico Anysio. Mas ele era genial por natureza e proferia um juramento “Eu quero morrer pretis”.

Outra parte dele foi dada pelo humorista Grande Otelo, seu nome. Mussum é um peixe de cor preto, liso, sem escamas, Otelo o chamava assim porquê ele sempre se apresentava careca e barbeado por causa do seu costume do serviço militar. Sim, ele serviu a aeronáutica e mesmo dentro de sua malandragem guardava muito de sua formação militar.

Mussum Forévis – Samba, Mé e Trapalhões”, a primeira biografia deste ídolo e artista multifacetado. O livro traz detalhes não só sobre sua carreira na TV, mas como músico em conjuntos como Os Sete Modernos do Samba (o primeiro nome de seu grupo) e Os originais do samba.

Juliano Barreto falou sobre o sucesso de Mussum na internet e o que levou a esse fenômeno, para o site UOL, na época do lançamento de seu livro em 2014 “Entre essas coisas mais legais, algumas foram parar no videocassete das pessoas e, anos depois, no YouTube. Eram quase sempre esquetes curtos, e, neles, o Mussum se destacava muito. Ele tinha aquela dificuldade de decorar textos, de ficar preso neles. Então os vídeos mais legais dele são os curtos, em que ele está sozinho. Um tipo de linguagem que casou muito bem com a internet”.

Antônio Carlos era cardíaco o que levou o malandro a uma morte precoce, aos 53 anos, após um procedimento cardíaco mal sucedido. Ele deixou cinco filhos, cada um de uma mulher e sua viúva. Também deixou bordões geniais e uma figura inesquecível.

Tags

Leia também

Siga o Diário da Manhã no Google Notícias e fique sempre por dentro

edição
do dia

Impresso do dia