Música, diversidade e liberdade
Redação DM
Publicado em 24 de setembro de 2016 às 02:53 | Atualizado há 1 anoHoje (24), a partir das 16 horas, já começa o segundo dia do Festival Vaca Amarela. Nessa 15ª edição, um dos festivais mais clássicos da capital retorna às origens e reocupa o Centro Cultural Martim Cererê, no Setor Sul. Entre as principais atrações de hoje estão os lançamentos goianos, como Brvnks, Lutre e Peixefante. Entre as atrações nacionais os principais nomes são as bandas Porcas Borboletas (MG), Francisco El Hombre (MEX/BR) e As Bahias e a Cozinha Mineira, de São Paulo, com quem conversamos um pouco. Confira!
Entrevista com a banda As Bahias e a Cozinha Mineira

DMRevista- Para começo de conversa, explica pra gente o porquê de uma escolha tão peculiar para batizarem a banda.
Assucena Assucena- O nome as Bahias e a Cozinha Mineira nasce do apelido de Raquel e de meu apelido na faculdade, que era Bahia, por conta de eu ser do sertão da Bahia, Vitória da Conquista, e de Raquel ter ido para Salvador para tentar ser cantora de axé e ser puxadora de trio, pela influência de Ivete Sangalo na vida dela. E quando ela volta para São Paulo, recebe o apelido de Bahia. E a “cozinha mineira”, é por conta da primeira formação da banda, que era toda mineira, do sul de Minas Gerais. Amigos do Rafa que foram convidados para tocar, e “cozinha” é o apelido que se dá à parte percussiva da banda, principalmente bateria e baixo. E, além de tudo, esse nome se adensa pelo fato da influência dos baianos, dos tropicalistas e do Clube da Esquina.
DMRevista- O Festival Vaca Amarela já é figurinha carimbada na agenda da população goianiense há 15 anos, sempre atraindo o público underground, com atrações do pop, rock, MPB, rap, com larga margem de abertura para agregar o maior leque de tribos urbanas possível. Quem é o público de As Bahias e a Cozinha Mineira? É fácil traçar um perfil, ou hoje em dia, o público já consegue flutuar entre várias vertentes e ainda manter uma identidade própria?
Assucena Assucena- A característica maior do nosso público é a diversidade. Isso tem se mostrado nos shows em todo País que a gente tem feito. Diferentes faixas etárias, cores, homens, mulheres, até crianças. Temos um público infantil que está crescendo cada vez mais. Um público adolescente, um público acima dos 60 anos, que sempre tem ido aos nossos shows. E é um público muito fiel, que nos leva presentes. Enfim, é um público que gosta de música, que gosta de nos ouvir cantar. Além do que, as nossas canções fazem um percurso pela nossa tradição musical da década de 1970, misturando isso com a nossa contemporaneidade, e isso agrada a velhos e novos, a homens e mulheres, gays, héteros, trans. Enfim, o nome do nosso público é a diversidade.
DMRevista- Em que vocês tem trabalhado atualmente? O que ainda está por vir até o fim deste agitado ano de 2016?
Assucena Assucena- Temos trabalhado no lançamento de um show novo, que será lançado no dia 30 de setembro, no Auditório do Ibirapuera. Com direção de Xuxa Levy, que acabou de ser indicado ao Grammy Latino com o disco do Emicida, direção de iluminação de Miló, e figurino de Fernando Cozendey. A direção artística é de Raquel, Assucena, Rafael e Xuxa. É um show novo, com formato novo, que traz canções da tradição, junto com nosso repertório. E nós estamos muito ansiosas, já é semana que vem! Uma semana depois do Festival Vaca Amarela. Estamos terminando com este show que estamos levando pro Vaca Amarela. Então vai ser um show de despedida desse show de um ano. E, pra 2017, um disco novo está sendo trabalhado. Bixa! Já vem nascendo!
DMRevista- Para a apresentação de vocês, na segunda noite de Festival Vaca Amarela, o que os presentes podem esperar? Alguma surpresa? E quando o público goiano vai ter a honra de recebê-los novamente?
Assucena Assucena- É o que disse: é um show de despedida. E a surpresa é que é nossa primeira vez em Goiânia. O público de Goiânia não conhece esse show ainda. Então é a primeira vez das Bahias, acho que essa é a grande surpresa. E a gente tá muito feliz mesmo por estar indo pra cena de Goiânia, no Vaca Amarela, que é um festival de uma tradição enorme. A banda está empolgada! Espero que a gente volte pra Goiânia sempre. Além do mais, a Sara Alencar, que participou do nosso disco e é nossa preparadora vocal, é de Goiânia e tem uma história com o rock de Goiânia.
DMRevista- Quais as principais influências de As Bahias e a Cozinha Mineira, desde vivências cotidianas ao mundo da música? O que os move?
Assucena Assucena- Como somos uma banda de música popular brasileira, o que mais nos influencia é a música popular brasileira, sem sombra de dúvidas. E quando a gente fala “popular”, ela não tem aquele recorte elitista e setentista do que significa a MPB. Mas acho que o funk, o samba, o pagode, o chorinho, a música de Caetano, de Chico, de Bethânia, de Elza, de Gilberto Gil, de Milton Nascimento, e principalmente de Gal Costa, que foi a nossa grande mestra e maestra, no sentido de entender o que é estética, de entender o que é proposta artística, de entender o que significa a montagem de um repertório e a narrativa de um disco. Então, é por isso que “Mulher” já nasce como disco, e a nossa segunda obra que ainda está por vir, também já nasceu um disco. O que nos move é a existência, são as relações sociais, e a música. Porque a música é movimento, a música é dinâmica, a música é onda de propagação, de vida. Então, a música nos move.
DMRevista- As Bahias e a Cozinha Mineira é uma banda relativamente nova, tendo apenas dois anos de estrada, mas já conquistou o público e caiu nas graças, principalmente dos jovens, abertos às infinitas possibilidades que a vida oferece. Além de fazer um som de qualidade, As Bahias e a Cozinha Mineira tem sido mais uma voz de peso em prol da diversidade. Qual a importância e o tamanho dessa responsabilidade enquanto artistas e pessoas?
Assucena Assucena- Acho que a responsabilidade de propagar a beleza da diversidade e a importância da liberdade são de todos, então o que a gente tá fazendo é mais um compromisso com a vida, com a liberdade e com a beleza do que significa a existência do outro. Isso não é um peso sobre as nossas costas, na verdade, isso naturalmente aconteceu por sermos quem somos, entende? A nossa música é um produto da nossa existência, que tem a ver com a diversidade, que tem a ver com a liberdade como princípio. Mas a responsabilidade, esse ônus, ele é social, e não expecífico pra nossa, apesar de essa ser uma bandeira que a gente vai carregar sempre, com muito prazer.
DMRevista- Agora aquele momento de praxe: faça um convite para quem já conhece e quem ainda vai conhecê-los para prestigiarem o show da banda, neste sábado, no Centro Cultural Martim Cererê.
Assucena Assucena- Gostaríamos de convidar a todos os goianienses a comparecerem ao nosso show. Vai ser um prazer pisar em Goiânia pela primeira vez, porque a gente nunca esteve em Goiânia. Goianienses, venham conhecer As Bahias e a Cozinha Mineira. Venham dançar, se divertir, beijar na boca. Venham celebrar a música, a arte, a diversidade, a liberdade!