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Música e Cinema in loco

Redação DM

Publicado em 6 de julho de 2016 às 03:17 | Atualizado há 1 ano

O Festival Interno de Videoclipes da Unidade Laranjeiras (Ifidevidula), realizado por professores e alunos da Universidade Estadual de Goiás (UEG) está na sua terceira edição e ainda está com as inscrições abertas. O projeto idealizado e coordenado pelo professor Sandro de Oliveira tem inscrições abertas até o dia 15 de julho, e já recebe inscrições de instituições universitárias e de ensino de qualquer parte do estado.

Nos dois primeiros anos, o Ifidevidula era apenas um festival universitário interno da UEG, onde somente as produções realizadas pelos alunos do curso de Cinema e Audiovisual participavam e concorriam a prêmios entre as principais categorias. Agora, graças ao sucesso e boa recepção das duas primeiras edições, a festa ficou maior e espera receber inscrições de instituições de ensino de várias partes do estado de Goiás. Em um bate papo com o idealizador do projeto, o jornalista e mestre em Comunicação e Semiótica, Sandro de Oliveira, ele conta ao DM Revista um pouco do crescimento da produção audiovisual em Goiás e sobre a história do festival.

 

ENTREVISTA

Diário da Manhã (DM): Você já tinha visto, acompanhado, ou tem conhecimento de algum festival de videoclipes no Centro-Oeste, ou no Brasil, e que siga essa vertente proposta pelo Ifidevidula?

Sandro de Oliveira: Olha, na verdade eu já vi um festival de videoclipes em um estado nordestino, se não me engano, foi na Paraíba, mas não era um festival universitário, e existe outro em São Paulo, de grande visibilidade, só que bem mais profissional. Além desses, eu também ouvi falar de um festival escolar que acontece no Tocantins. Mas essas iniciativas são bastante esporádicas, acho que o videoclipe é muito pouco explorado como formato audiovisual, principalmente como algo requerido em festivais. Você pode ver que quando se fala de festivais audiovisuais, a procura é sempre por ficção e documentário, e o próprio público não está acostumado a esse tipo de evento, mas esperamos mudar isso. Agora quanto à proposta do Ifidevidula, não tenho conhecimento de nenhum festival, tendo em vista que nós exploramos mais a produção universitária, o evento, embora tenhamos o cuidado de poder realizar num lugar onde os espectadores sejam bem acolhidos e nos esforçamos para deixar o festival maior e melhor a cada ano, a festa não é pomposa e o glamour não é nosso foco. Queremos mesmo é exibir para o público que for nos acompanhar o potencial dos profissionais goianos.

DM: Qual a importância do videoclipe, da produção como um todo, de envolver várias pessoas para se chegar a um produto final, para o universitário e para sua formação?

SO: Sobre o produto demandar o envolvimento de dois polos de produção, musical e audiovisual, é muito importante, porque para se fazer um videoclipe existem um cantor ou uma banda que possui uma música e um profissional do meio audiovisual que, juntos, querem realizar um produto que casa e divulga o trabalho de ambos. A partir disso envolve um sem-número de profissionais para várias funções, seja na fotografia, no áudio, na direção de arte, no próprio roteiro, e isso emprega muita gente. No caso dos universitários, é essencial para a formação brincar e experimentar bastante nesses vários departamentos, e isso influencia diretamente na qualidade do produto final. O videoclipe é essencial para o mercado musical, audiovisual e cinematográfico, porque as pessoas que trabalham com publicidade, TV, rádio e cinema, podem se enveredar na produção de clipes. E o contrário também acontece, pessoas começam fazendo clipes e que querem fazer carreira na TV ou no cinema. Grandes diretores de cinema, por exemplo, começaram a carreira produzindo, dirigindo e roteirizando clipes musicais. E é acreditando nisso que o festival se sustenta e quer aquecer o mercado musical, audiovisual e cinematográfico, acredito que como um festival universitário, ele prepara os alunos de hoje que um dia serão profissionais atuantes no mercado amanhã. E os alunos da UEG estão empenhados e engajados no projeto, trabalhando não só na produção dos clipes, mas na organização do festival em si,

DM: Como você acredita que um festival audiovisual pode influenciar no mercado de produção cinematográfica?

SO: O festival também circunda o desenvolvimento do mercado. O FICA (Festival Internacional de Cinema e Meio Ambiente), por exemplo, que é um canal de exibição e premiação que ajuda a estimular a produção cinematográfica em Goiás, tem uma função historicamente significativa para o audiovisual goiano. Quando o FICA surgiu, logo no final dos anos 90, nessa mesma década ficou mais barato comprar o maquinário cinematográfico. Antes era muito caro comprar câmeras, gravadores de áudio e microfones, lentes, tripés e demais suportes, e principalmente em Goiás, que é um estado culturalmente e economicamente periférico nesse aspecto. Aí, a partir dessa popularização dos dispositivos ficou mais fácil e mais barato fazer cinema, numa época que também coincidiu com a revolução digital. Ao mesmo tempo, existem plataformas de exibição na internet que são bastante democráticas e baratas. Então, essa efervescência, que não foi só uma efervescência do FICA, mas também da popularização dos dispositivos cinematográficos e do digital, toda essa montagem econômica, social e tecnológica suscitou o mercado goiano para que tivéssemos uma nova geração de cineastas. Geração esta que já está no mercado há 15, 16 anos, e que não fosse essa revolução tecnológica e o FICA, seria impossível existir. Se você parar para observar, aumentou e melhorou também o acesso ao cinema de boa qualidade com a internet, porque antes tínhamos o vídeo cassete e antes disso, tínhamos apenas o cinema. Logo, essa popularização da tecnologia favoreceu cineasta e espectador.

DM: Agora conta um pouquinho sobre a história do Ifidevidula e sobre as últimas edições do festival pra gente.

SO: Ele é bem irreverente nesse aspecto, até mesmo no nome como você mesmo apontou, porque nasceu de uma brincadeira, uma brincadeira séria. O Ifidevidula, abreviação de I Festival Interno de Videoclipes da Unidade Laranjeiras, nasceu numa sala de aula de uma turma do curso de Cinema da UEG, em 2014, em que eu lecionava uma disciplina chamada “Linguagem Audiovisual”, e na ementa existe um tópico chamado “O videoclipe como formato audiovisual”. E quando anunciei que faríamos uma prova, os alunos me sugeriram que, ao invés da aplicação da prova, que fizessem um videoclipe para o fechamento da nota. A partir disso, então, eu dividi a turma em cinco pequenos grupos e produzimos cinco videoclipes. Quando fomos apresentar os trabalhos para turma, eu perguntei: “Peraí, por que a gente não faz um festival e convidamos todo o pessoal da faculdade?”. Quando eu consegui abrir o festival, num período de três semanas, já existiam mais quatro videoclipes produzidos pelas outras turmas. Então o primeiro foi um pequeno festival, com nove videoclipes, tudo apresentado numa sala de aula mesmo, mas que houve pequenas condecorações, apenas premiações simbólicas, para melhor videoclipe e melhor videoclipe do público. E a resposta foi tão entusiástica que pensei: “Tem lastro pra mais coisa aí…”. Então, no ano passado fizemos a segunda edição, já tendo o apoio do Cine Ouro, que nos concedeu uma sala de cinema para apresentarmos os trabalhos dos alunos, continuando um festival interno. Mas foi algo maior, com mais tempo de produção e organização, e tivemos grande participação dos alunos calouros daquele ano também, e apresentamos 13 videoclipes, um número milagroso para um campus que tem 60, 70 alunos matriculados. E lotamos a sala do Cine Ouro, com mais de 200 pessoas e graças às redes sociais, como o Facebook, permitiu que houvesse uma expansão milagrosa na comunicação e divulgação do evento. Agora, já na terceira edição, não mais como um festival interno, mas também como um evento a nível estadual, espero que possamos receber várias outras universidades e escolas que tenham o interesse pela manifestação cultural e artística.

DM: Quanto às premiações, o que o festival vai oferecer para os vencedores das principais categorias?

SO: As categorias são: melhor videoclipe, melhor videoclipe do público, melhor direção, melhor produção, melhor roteiro, melhor fotografia, melhor direção de arte, melhor edição e montagem, melhor atuação, menção honrosa, oferecendo um total de 10 prêmios. Em relação à premiação, eu sempre digo que a própria indicação já é uma vitória, pois o trabalho que foi indicado teve um nível de excelência que se sobressaiu diante dos outros. As premiações são simbólicas porque o cunho do festival não é nada financeiro, e sim de preparação e aperfeiçoamento da formação acadêmica dos universitários e um meio de receber manifestações culturais que enriquecem o audiovisual e dão visibilidade ao nosso estado. Quem dera se pudéssemos premiar com câmeras, equipamentos de áudio, computadores, Pen Drives, coletes e tudo mais para que exista um estímulo ainda maior à produção audiovisual. E esse é o meu recado que deixo à iniciativa privada: um festival cultural que cresce e ganha visibilidade pode dar bastante notoriedade e evidencia bastante a imagem de uma empresa. Que o IV Ifidevidula possa receber apoio de empresas que se interessem pela manifestação cultural, e tenho certeza que quem nos ajudar terá uma ótima visibilidade e será recompensada pela contribuição dada a nós.

 

 

 

 

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