Nove mulheres fundamentais para o cinema brasileiro
Redação DM
Publicado em 21 de janeiro de 2016 às 20:43 | Atualizado há 1 ano
Quantos filmes você assistiu recentemente? Destes, quais foram dirigidos por mulheres? Melhor ainda, você sabe o nome de alguma diretora de cinema? Não? Não fique preocupado, você não está sozinho. Um recente levantamento realizado pela ONG Woman in Film, apontou que maioria das pessoas não sabem sequer citar o nome de alguma diretora cineasta. Além do mais, no último ano, das cinco categorias de melhor diretor, o Oscar apresentou apenas diretores do século masculino. Pensando nisso, a Woman in Film resolveu lançar uma campanha para promover filmes dirigidos por mulheres, afim de diminuir esta discrepância, presente até no glamouroso mundo hollywoodiano. O site da ONG disponibiliza 52 filmes dirigidos por mulheres, para que você possa assistir pelo menos um desses por semana, até o fim deste ano e, usando a hashtag #52FilmsByWoman nas redes sociais você pode falar sobre o filme que escolheu.
Nós, ao nosso modo, decidimos ajudar você, nosso leitor, a conhecer um pouco mais sobre o mundo do cinema a partir de uma perspectiva feminina. Para começar aí vai uma série que lista nove cineastas brasileiras, importantíssimas para o cenário cinematográfico nacional perante o mundo, e um pouquinho de suas obras mais marcantes. Dividimos em duas partes, hoje apresentaremos pra vocês Anna Muylaerte, Laís Bodanzky, Tata Amaral, Juliana Rojas e Lina Chamie.
Anna Muylaert
Roteirista, diretora de cinema e televisão, a paulista de 52 anos é formada pela Escola de Comunicação e Artes da USP e foi roteirista em programas muito conhecidos do público brasileiro, como Castelo Rá-tim-bum (TV Cultura – 1995), Disney Club (SBT – 1998) e Um Menino Muito Maluquinho (TVE Brasil – 2006). Trabalhou também para o canal fechado HBO, com a série Filhos do Carnaval. Seu último trabalho foi como escritora e diretora do longa-metragem Que Horas Ela Volta?, drama brasileiro protagonizado por Regina Casé. O longa trata dos conflitos de relação entre uma empregada doméstica que vive na casa de seus patrões. Traz uma profunda crítica reflexiva sobre as desigualdades sociais do Brasil. Foi escolhido entre oito filmes nacionais pelo Ministério da Cultura para representar o Brasil na categoria Melhor Filme na premiação do Oscar, mas figura entre tantos outros filmes dirigidos por mulheres que não chegou nem a ser indicado ao prêmio.
Laís Bodanzky
A também paulista Laís Bodanzky é diretora de obras premiadas, como o filme O Bicho de Sete Cabeças e o documentário Mambembe – O Cinema Descobre o Brasil. Para a rodagem de O Bicho de Sete Cabeças, Bodanzky encontrou dificuldades em conseguir patrocinadores, já que as empresas temiam ver seus nomes vinculados a um produto que tratasse de temas como as drogas, preconceitos e hospícios. Mesmo assim, o potencial máximo do longa foi explorado e o elenco de peso representou de forma espetacular e assustadora. Cássia Kiss, Rodrigo Santoro e Gero Camilo estrelaram o longa. Em 2010 dirigiu Denise Fraga, Fiuk, Caio Blat e Paulinho Vilhena no longa As Melhores Coisas do Mundo, nona posição entre os melhores filmes nacionais do ano. Abordando temas do cotidiano juvenil como sexo, drogas e bullying, o filme ganhou oito Calungas, no Recife, sendo o filme mais premiado do festival.

Márcia Lélis de Souza Amaral, profissionalmente conhecida como Tata Amaral é tida como uma das mais importantes realizadoras do cinema nacional a partir da década de 1990. Na transição para a vida adulta entrou para o movimente estudantil de esquerda Liberdade e Luta (Libelu), conhecida por ser a primeira tendência a exprimir publicamente o desejo anti-ditatorial no Brasil. Dirigiu vários curtas-metragens entre as décadas de 1980 e 1990, mas em 1997 dirigiu seu primeiro longa, Um Céu de Estrelas, com Leona Cavalli e Paulo Vespúcio. A história dramática da cabeleireira, violentada pelo marido que decide sair do país e romper o relacionamento abusivo de mais de dez anos, se passa inteira dentro da residência do casal e rendeu indicação ao Festival de Cinema de Bogotá, e premiação nos festivais de Havana, Brasília e São Paulo. É considerado o mais importante filme nacional da década.

Talvez uma das mais jovens da turma das poderosas cineastas brasileiras, Juliana Rojas é de Campinas, interior de São Paulo, formada em Comunicação e Artes pela USP. O longa-metragem O Lençol Branco, que co-dirigiu em parceria com Márcio Dutra particiou do Festival de Cannes. Em 2014, a diretora participou do 14º Goiânia Mostra Curtas e no mesmo ano foi campeã como melhor longa no Festival de Gramado com o filme Sinfonia da Necrópole. Em 2012 foi campeã do Prêmio Nikon no Festival de Cannes com o filme O Duplo. O curta-metragem é baseado em
Doppelgänger, o mito nórdico de um ser fantástico, capaz de assumir a forma de qualquer humano, mas potencializando seu lado negativo.

Lina é filha de Mário Chamie, poeta brasileiro e ex-Secretário Municipal de Cultura da cidade de São Paulo. Lina Chamie morou em Nova York durante muitos anos, onde se graduou pela New York University em 1988 e fez mestrado em Manhattan School of Music em 1991, também trabalhou por dez anos no departamento de cinema da universidade onde se graduou. Em 1994, já de volta ao Brasil, dirigiu o premiado Eu sei que Você Sabe. Dirigiu Marco Ricca, Caio Blat e Dira Pares no longa-metragem Os Amigos (2014), que foi selecionado para participar do Festival de Gramado. A narrativa se passa em apenas um dia, semelhantemente a outro filme dirigido por Lina, A Via Láctea (2006). Os Amigos trabalha conflitos pessoais que também envolve problemas profissionais quando Téo (Marco Ricca) perde seu amigo de infância. O longa narra a jornada de Téo durante esse dia repleto de conflitos internos.

Confira amanhã as obras das cineastas Lúcia Murat, Petra Costa, Kátia Lund e Carla Camurati.