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O arquiteto do diabo

Redação DM

Publicado em 25 de março de 2017 às 02:07 | Atualizado há 1 ano

Uma das figuras mais marcantes da arquitetura britânica, Hawksmoor foi uma das cabeças do período barroco do Reino Unido. Ele atuou entre os séculos XVII e XVIII. Também trabalhou com os principais arquitetos de sua época, Wren e Vanbrugh, além de ter contribuído no design das construções mais notórias do período, incluindo a St Paul Cathedral, igreja anglicana erguida em Londres em 1697 dedicada ao apóstolo Paulo. A catedral é um dos símbolos mais famosos da cidade, e Hawksmoor foi assistente de Wren, arquiteto principal. Parte da autoria de seus trabalhos só foi reconhecida posteriormente à sua morte. Atualmente suas igrejas são vistas como sombrias, e tornaram-se referência para os ocultistas, à ponto de ele ser chamado de “O arquiteto do diabo”.

A reforma da igreja de São Jorge, localizada em Bloomsbury, região central de Londres, ajudou a tirar o nome de Hawksmoor das sombras, tendo em vista que ele era interpretado historicamente como um auxiliar de seus contemporâneos. Demorou mais de 250 anos para que ele fosse devidamente reconhecido pelo seu trabalho. O Jornalista Steven Rose, do periódico britânico The Guardian, escreveu recentemente sobre o arquiteto, ressaltando seu lado sombrio. “Existe algo noturno em seu trabalho. As igrejas de Hawksmoor, em particular, parecem ser mais apropriadas para funerais do que para casamentos. Atualmente, ele tornou-se uma importante figura para os ocultistas e para as teorias da conspiração britânicas”.

Steven Rose também analisa uma possível relação entre Hawksmoor e Jack, o Estripador, um famoso serial killer britânico. “Pelos esforços da imaginação, mais do que das pesquisas, Hawksmoor tem sido narrado na história paralela dos submundos de Londres, particularmente a por conta da Igreja de Spitalfields, que fica próxima ao local onde Jack Estripador performou seus chocantes assassinatos na década de 1880”. A apresentação estética e o posicionamento geográfico das obras de Hawksmoor também motivam em várias teorias da conspiração. Um poema de Iain Sinclair, publicado em 1975, sugere que as igrejas dele em Londres formam linhas imaginárias na cidade, correspondendo a um hieróglifo egípcio.

O escritor Peter Ackroyd também ajudou a construir tal status para o arquiteto, quando lançou em 1985 o livro Hawksmoor, um suspense sobre assassinatos. O novelista Alan Moore também deu sua cartada sobre o caso com a enciclopédia From Hell (“Do inferno”, em português). Ele relaciona Hawksmoore, Jack Estripador, maçonarias e a monarquia em uma épica teoria da conspiração. “Para ser justo, a Igreja de Spitalfields encaixa-se sob o rótulo de templo das forças ocultas magnificamente, principalmente após sua reforma recente, quando tons de preto foram adicionados à sua espiral, assim como uma maquiagem negra”, afirma Steven Rose na mesma matéria escrita para o The Guardian.

Sua maçonaria e seu carinho por símbolos pagãos como pirâmides e obeliscos, bem como o vácuo de uma biografia detalhada sobre Hawksmoor fazem dele um sério candidato à vaga de homem mistério do século 18, segundo Steven Rose. “A Igreja de Bloomsbury foi mais desafiadora que as outras, apesar de não parecer. Talvez seja parte de um gigante hieróglifo maçônico”, conta o jornalista. Em um ensaio, o escritor Phil Baker utiliza o termo Psicogeografia para relacionar as igrejas de Hawksmoor com os assassinatos cometidos por Jack, o estripador. Ele conta ainda que o termo está intrinsecamente relacionado ao serial killer e ao que ele chama de “feiúra dos edifícios”. O autor cita um livro chamado Lud Heat, que fala sobre essa estranha relação.

“O adjetivo ‘psicogeografico’ tem um que de ‘agradável imprecisão’, e que qualquer um que faça uma leitura dos atuais modismos descobrirá sua relação com Jack o Estripador, a rua morta, a feiúra dos edifícios, as igrejas de Hawksmoor, os lugares de nossa infância, a paisagem rural, Stonehenge e os gêmeos Kray”, escreveu Phil Baker. Segundo ele, psicogeografia significa exatamente: “o estudo dos efeitos do ambiente geográfico, conscientemente organizado ou não, nas emoções e maneiras, comportamentos e modos de ação, procedimentos e condutas, ações e atos de indivíduos”. A cidade de Londres, especificamente, em seu período barroco, inspira milhões de teorias conspiratórias por ser considerada sombria em alguns pontos.


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