O primeiro bairro
Redação DM
Publicado em 10 de julho de 2016 às 01:42 | Atualizado há 1 anoCampinas é hoje um bairro na região Oeste da Capital, conhecido por seu forte comércio e pelas ruas tão movimentadas que tornam difícil a locomoção. O que nem todos se dão conta é de que quando Campinas surgiu como um arraial nos primeiros anos do século XIX, o Brasil sequer tinha tornado-se independente de Portugal. A famosa casinha preservada entre as avenidas Senador Moraes Filho e Sergipe é uma das únicas testemunhas dessa realidade que ainda se mantém firme nos limites de Goiânia. A singela construção possui os traços característicos da arquitetura colonial, impressos em abundância em cidades como Pirenópolis, Jaraguá, Goiás, entre outras. É preservada pela mesma família desde antes da construção de Goiânia. O aniversário do bairro foi no último dia 8.
Há alguns anos, além da casa, também era comum que a figura de um senhor a observar pela janela se colocasse diante dos olhos de quem passava por ali. O contraste dessa cena intrigava principalmente crianças e turistas. A camada colonial do setor também é identificada em outras construções não tão bem preservadas ao longo da Avenida Perimetral, que da acesso a uma parte do bairro cheia de vielas, e que ainda não foi tomada pelo comércio. Mas não é só isso que contrasta na paisagem impressionando os visitantes do bairro. Várias outras épocas estão distribuídas em forma de concreto, janelas, detalhes e telhados. Existem vários edifícios e residências com traços de art déco, mostrando a adaptação pela qual a ex-cidade passou quando foi anexada à Goiânia.
HISTÓRIA
Os primeiros habitantes de Campinas vieram da cidade de Pilar de Goiás em busca de ouro nas proximidades do Ribeirão Anicuns. Eles chegaram no ano de 1810, em meio a uma crise da família real portuguesa. Não encontraram ouro, mas construíram o arraial, que ficou conhecido como Nossa Senhora da Conceição de Campinas. Foi construído ali antigo templo católico em homenagem a Nossa Senhora Conceição, que foi demolido nos anos 1950 para a construção da atual Matriz de Goiânia (a demolição do antigo templo, uma verdadeira obra de arte, ainda assusta os adeptos à cultura da preservação do patrimônio histórico). O coreto original da Praça Joaquim Lúcio também foi demolido para a construção de um novo mais “moderno”.
Alguns detalhes da história de Campinas podem ser encontrados no artigo ‘O papel de Campinas na formação da centralidade polinucleada de Goiânia’, escrito pelos pesquisadores Flávia Maria de Assis Paula, Elaine Alves Lobo Correia e José Vandério Cirqueira Pinto. Eles contam que a chegada de padres da Alemanha deu o impulso necessário para o desenvolvimento do arraial. “O que deu impulso ao pequeno Arraial foi a vinda dos padres redentoristas da Alemanha (isso devido ao local ser dotado de ótimo clima, solo fértil, etc.) em 1895 com o intuito de administrar o Santuário de Trindade em Barro Preto, exerceram uma forte influência cultural no local”. Eles revelam ainda que antes da chegada de Goiânia existia uma disputa por hegemonia entre duas famílias na cidade.
Os autores também contextualizam a situação do Estado de Goiás em relação às áreas litorâneas ocupadas pelos portugueses. O povoamento do interior do país “Goiás possuía uma disparidade muito grande no quadro sócio-econômico brasileiro, foi colonizado com um atraso de 200 anos em relação ao litoral”. Os pesquisadores ainda decifram a tradição do bairro no comércio como uma consequência histórica da criação de uma cidade dentro de outra cidade. A importância de Campinas para o comércio em Goiânia vem desde os primeiros anos da cidade, ainda nos anos 1930. “Goiânia estava se consolidando como cidade, enquanto Campinas já era um centro urbano, sendo de vital importância no comércio para a então capital do estado.
Joaquim Lúcio (1836-1934) chegou em campinas por volta de 1890. Ele é lembrado como um importante nome para a prosperidade da então cidade. Ele atuava como comerciante e fazendeiro, e recebeu o título de coronel como honraria. Em sua homenagem foi nomeada a praça mais conhecida do Setor, que fica na Avenida 24 de Outubro, próxima ao leito do córrego Cascavel. Ao redor da praça podem ser vistos edifícios preservados, como o antigo Palace Hotel (hoje Biblioteca Cora Coralina), a antiga sede da prefeitura do município de Campinas, e os dois prédios que abrigam o Cartório Antônio do Prado. Próximo à praça localiza-se o Parque Campinha das Flores, inaugurado em 2012 no local onde ficava o Cortume São José, que funcionou por mais de 80 anos.





