Pré-renascentismo Holandês
Redação DM
Publicado em 26 de abril de 2016 às 01:32 | Atualizado há 1 ano
As habilidades artísticas de Robert Campin fizeram com que hoje ele seja considerado o primeiro grande pintor de origem flamenga (região dos Países Baixos), bem como o fundador da escola holandesa do pré-renascimento. Nasceu na atual Bélgica em Tournai, em 1375, localidade conhecida como a ‘cidade das artes’. Mesma cidade onde morreu em 26 de abril de 1444 há exatos 572 anos. É responsável por obras importantes como ‘Retábulo de Mérode’ e ‘Santa Verônica’. Capin é considerado por historiadores como a verdadeira identidade do Mestre de Flemalle, autor de três grandiosas obras pertencentes ao museu de Frankfurt na Alemanha.
Identificação
Três pinturas do museu Kunstinstitut Städelsches, em Frankfurt, na Alemanha, intrigam historiadores de várias partes do mundo. Elas são creditadas ao Mestre de Flemalle, cuja verdadeira identidade ainda gera controvérsias. A teoria mais aceita é de que esse mestre seja mesmo Robert Campin, devido à semelhança dos traços com as imagens de dois de seus alunos: Jacques Daret e Weyden Rogier. Há ainda quem acredite que o Mestre de Flemalle seja o próprio Rogier, mas a coroação de Robert Campin como o mestre é quase unânime. Um de seus grandes méritos seria a ruptura com Van Eyck, contemporâneo creditado como o criador da escola flamenga de pintura.
Sua importância é registrada no site Warbrug, que guarda um banco coorporativo de imagens associado à Unicamp (Universidade de Campinas), apesar das dúvidas que rondam a certeza da identificação do Mestre de Flemalle, o mais relevante é observar a inovação proposta por sua obra. “
Ele fez uma ruptura radical com o elegante estilo gótico internacional e com van Eyck, é considerado um dos fundadores da escola flamenga da pintura. Nenhuma das pinturas dadas a ele é datada – com exceção do retábulo Werl de 1438 no Prado, uma atribuição duvidosa -, mas parece provável que suas primeiras obras são anteriores qualquer imagem de van Eyck”.
Santa Verônica
A história da santa que exibe a face de Jesus Cristo em um véu está ligada a uma história sobre o dia da crucificação de Cristo. Segundo registros católicos, Santa Verônica teria sido uma cidadã piedosa de Jerusalém, que ao observar o martírio de Jesus ao carregar o crucifixo, teria oferecido-lhe o véu para que ele pudesse limpar o rosto. Ele teria aceitado a oferta e devolvido o véu logo em seguida. Quando Verônica percebeu, o véu estava estampado com o rosto de Jesus. O véu sagrado teria sido responsável por vários milagres. O quadro é atribuído ao Mestre de Flemalle e foi pintado em 1375.

A história de Verônica não é Bíblica, apesar de ser relacionada às vezes com o episódio da cura de uma hemorragia nos livros de Mateus (9:20-22) e Lucas (8:43-48). A presença dela na caminhada final de Cristo apareceu em registros do século XIV, e está registrado no ‘Acta Sanctorius’, um livro publicado no século XVII por colaboradores da chamada Sociedade dos Bolandistas, um grupo de padres que se uniu na finalidade científica de coletar e verificar informações sobre os santos da Igreja Católica, buscando separar mitos de verdades.
Segundo o site ‘Web Gallery of Art’, museu virtual em inglês para pesquisas em arte do oeste europeu de vários períodos (1000-1900), a Santa do quadro “aparece delicada e psicologicamente isolada em sua emoção”, enquanto “segura o véu com o rosto de Jesus estampado”. Acredita-se que o quadro tenha feito parte de um retábulo (combinação de várias molduras em sequência), que unia Santa Verônica a outras quatro obras. Ainda segundo o site, Verônica encontra-se em contraste com uma parede não realista. “Em outras palavras, a santa é exibida como se estivesse em um santuário esculpido”.





