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Retrato do Brasil contemporâneo em documentários

Redação DM

Publicado em 6 de agosto de 2015 às 00:13 | Atualizado há 2 anos

Walacy Neto,Especial para DMRevista

VLadimir Carvalho é um dos maiores nomes do cinema documentário brasileiro. Durante os estudos, teve a oportunidade de conhecer os cineastas Glauber Rocha, Carlos Nelson Coutinho e o cantor Caetano Veloso, que na época ainda era um anônimo. Torquato Neto e Gilberto Gil meio completavam esse time. Mais na frente na linha da história, alguns destes estariam inseridos em um movimento que marcaria a música e a cultura brasileira: o Tropicalismo. Vladmir se inseriu em outra manifestação artística de renome, o Cinema Novo. Proposto por Glauber Rocha e outros cineastas deste círculo, o movimento prezava por um cinema com maior realismo, mais substância e mais barato. As influência do Cinema Novo estão fincadas no Neo-realismo de cineastas italianos e pela “Nouvelle Vague” francesa.

Dos dias 6 a 9 de agosto, o cineasta Vladimir Carvalho participa e também é homenageado na primeira edição do Pirenópolis.Doc. A intenção dos produtores com o festival é estimular o pensamento crítico e gerar discussões sobre o gênero cinematográfico. A programação é dividida nas seguintes mostras: Mostra Infantil, Mostra Competitiva Nacional, Mostra Regional e Mostra Especial. No conjunto, o festival abriga cerca de 30 filmes, participantes de 11 Estados, em um total de 486 inscritos. Com a presença de Vladimir Carvalho, uma mostra especial está preparada com alguns filmes que ilustram a carreira do documentarista.

São 45 anos de carreira e filmes que são documentos históricos. Entre os exemplos, o filme Vila Boa de Goyaz, que apresenta diversos personagens residentes da Cidade de Goiás. Ou também o curta Paisagem Natural onde o cineasta desenvolve delicadamente uma composição sobre o Planalto Central brasileiro. O cineasta também comemora seus 80 anos com o lançamento do livro Jornal de Cinema, em uma edição da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo e Festival É Tudo Verdade. São textos produzidos durante os anos de produção de documentários. O livro apresenta registros do cinema no nordeste e Brasília, além de mostrar personagens com perfis importantes para o cinema nacional através do convívio com o autor.

 

Mostra Competitiva

Hoje, primeiro dia de festival, ocorre à mostra competitiva de documentários. A programação se desenvolve dentro do Cine Pireneus e serão quatro dias de filmes em longa, média e curta-metragem. Entre os concorrentes da Mostra Regional está o filme “Eu sou a cidade”, gravado pelo jornalista Thalys Augusto e Luiz da Luz. A película foi gravada durante as manifestações contra o aumento da passagem de ônibus em Goiânia, que ocorreram em maio de 2013. “Na época da manifestação a gente tinha duas câmeras que gravávamos em locais diferentes. Com o tempo, conseguimos aprimorar um pouco e compramos microfones, possibilitando a entrevista. Em 2014 entrevistamos quatro pessoas que participaram da manifestação e fizemos as mesmas perguntas para todos, a fim de ter uma visão diferente em cada relato”, diz.

Entre as inspirações para a criação do filme, Thalys diz que existe uma referência grande vinda do Tv Folha. As cenas gravadas pelo grupo Folha foram bastante difundidas durante as manifestações de rua no Brasil. Thalys conta que também se aproximou do documentário na faculdade, quando teve que redigir uma matéria sobre o Movimento de Vídeo Popular, ligado ao Centro de Mídia Independente (CMI). A gravação de manifestações e protestos no Brasil também foi divulgada pelo Midia Ninja (Narrativas Independentes, Jornalismo e Ação), momento em que esse novo método de jornalismo começou a ser frequentemente debatido. “Eu, particularmente, acho que um filme de manifestação não precisa ser sempre mal acabado. Vejo que o Mídia Ninja publica tudo meio sem pensar e sem muitas preocupações com edições”, afirma.

Mostras

Além do filme goiano “Eu sou a cidade”, outros nove documentários do Estado estão na competição. De São Paulo foram quatro filmes selecionados, três de Pernambuco, três do Rio de Janeiro, dois do Ceará e um do Mato Grosso do Sul, Bahia, Distrito Federal, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Manaus. Também três coproduções internacionais entre Brasil e Alemanha; Brasil e Cuba; Brasil e Inglaterra. Com peso de grandes festivais de cinema, o Pirenopolis.Doc deve compor o quadro de eventos ligados a área cinematográfica que ocorrem no Estado de Goiás. A diversidade de competidores bem como os temas abordados faz que a programação do festival seja realmente um mosaico montado nas lentes dos documentaristas sobre o Brasil contemporâneo.

A curadoria do festival foi produzida pela coordenadora e organizadora do festival Fabiana Assis e do realizador audiovisual Rafael de Almeida. Fabiana fez referência aos 486 inscritos dizendo que a quantidade é realmente bastante expressiva. Além disto, a diversidade de participantes que se destaca tanto na região de onde cada um vem quanto na maturidade de cada um. Ela aponta que o motivo de tal fato, está na efervescente fase que vive o documentário no Brasil.

Na mostra nacional, por exemplo, o filme Carregador 1118, de 64 minutos, conta a história de um carregador da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (CEAGESP). O filme é de direção dos paulistas Eduardo Consomi e Rodrigo T. Marques e tem classificação indicativa de 12 anos. Tonho, nome do carregador, está começando o processo de separação com a atual esposa e precisa seguir na rotina pesada de trabalho no maior entreposto da América Latina. Essa exaustão do corpo somada aos sentimentos tumultuados de amor perdido é o principal foco deste documentário.

Cordilheira de Amora II é um curta que também participa do Pirenópilis.Doc. Este concorre na Mostra dedicada a filmes infantis e revela a vida de uma indiazinha Guarani Kaiowá, Carine Martines, de 9 anos. A menina vive na Aldeia Amambai, no Mato Grosso do Sul, perto da fronteiro do Brasil com o Paraguai. O filme é direção de Jamile furtado e tem 12 minutos de duração. Quase um mosaico da realidade brasileira contemporânea, o Pirenópolis.Doc deve movimentar o cenário de cinema nacional nos próximos dias. Confira programação completa:

LONGAS-METRAGENS

– A loucura entre nós, BA – 78 min – 2015 – Direção: Fernanda Fontes Vareille

– Brasil S/A, PE – 72 min – 2014 – Direção: Marcelo Pedroso

– Carregador 1118, SP – 64 min – 2015 – Direção: Eduardo Consonni e Rodrigo T. Marques – Escape From My Eyes, Brasil/Alemanha – 33 min – 2015 – Direção: Felipe Bragança

– Esse viver ninguém me tira, SP – 75 min – 2014 – Direção: Caco Ciocler, Co-direção: Alessandra Paiva

– Errante – Um filme de encontros, RS – 70 min – 2015 – Direção: Gustavo Spolidoro

– Yorimatã, RJ – 116 min – 2014 – Direção: Rafael Saar

 

MOSTRA COMPETITIVA CURTAS-METRAGENS

– A festa e os cães, CE – 25 min – 2015 – Direção: Leonardo Mouramateus

– A vida que a gente só ouve falar, SP – 21 min – 2014 – Direção: Julia Tami Ishikawa

– Caetana, PE – 15 min – 2014 – Direção: Felipe Nepomuceno – Cordilheira de Amora II, MS – 12 min – 2014 – Direção: Jamille Fortunato

– De profundis, PE – 21 min – 2014 – Direção: Isabela Cribari

– Dorsal, Brasil/Inglaterra – 25 min – 2015 – Direção: Carlos Segundo e Cristiano Barbosa

– E o amor foi se tornando cada dia mais distante, RJ – 9 min – 2014 – Direção: Alexander de Moraes

– História de Abraim, SP – 12 min – 2015 – Direção: Otavio Cury

– La Llamada, Brasil/Cuba – 19 min – 2014 – Direção: Gustavo Vinagre

– Macapá, MA – 8 min – 2015 – Direção: Marcos Ponts

– Vailamideus, CE – 8 min – 2014 – Direção: Ticiana Augusto Lima

 

MOSTRA REGIONAL

– A casa altar da Dona Irene – 13 min – 2014/2015 – Direção: Edinardo Lucas e Lucas Felício – Ainda existe – 15 min – 2015 – Direção: Pedro Diniz – A praça falou mais alto – 19 min – 2015 – Direção: Ranulfo Borges – É proibido reservar lugares – 10 min – 2014 – Direção: Alberto Maia, Lorena Morais e Marcus Vinas – Eu sou a cidade – 25 min – 2015 – Direção: Luiz da Luz e Thalys Alcantara – Gerações – 6 min – 2014 – Direção: Alexandre Alves, Eliete Aparecida de Assis, Elismar Cardoso e Ilana Vitória Leal Pina – Maria Macaca – 15 min – 2015 – Direção: Lázaro Ribeiro

 

MOSTRA INFANTIL

– Ai’uté, GO – 8 min – 2014 – Direção: João Henrique Pacheco

– Babilônia, GO – 20 min – 2013/2014 – Direção: Celso Martins

– Cordilheira de Amora II, MS – 12 min – 2014 – Direção: Jamille Fortunato

 

 

 

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