“Um maestro afinado com a vida”
Redação DM
Publicado em 17 de maio de 2017 às 02:48 | Atualizado há 1 ano
Foi com a frase do título que o superintendente executivo de Cultura da Seduce, Nasr Chaul se despediu do maestro Joaquim Jayme, que deixou a vida na noite de segunda-feira (15), no Centro de Recuperação e Readaptação Dr. Henrique Santillo (Crer). Com forte comoção e presença do meio cultural e político da cidade, o corpo do músico, compositor e regente foi sepultado ontem, às 16h, no Cemitério Santana, com a presença de autoridades e músicos.
A morte do compositor foi em decorrência de complicações de um Acidente Vascular Cerebral (AVC) que acometeu o músico no ano passado. Jayme deixa a esposa, Nitzi Segoia, um filho e um neto.
Para prestar a última homenagem a um dos criadores da Orquestra Filarmônica de Goiás e regente titular da Orquestra Sinfônica, autoridades como o governador Marconi Perillo, o prefeito de Goiânia, Iris Rezende, e o secretário municipal da Cultura, Kléber Adorno, compareceram ao velório do maestro.
Em nota à imprensa, o prefeito Iris Rezende disse lamentar profundamente a morte do maestro Joaquim Jayme. “O prefeito manifesta pesar e deseja conforto aos corações dos familiares e amigos”. Já o governador, também em nota, ressaltou que “a cultura de Goiânia está em luto”.
A secretária da Seduce, Raquel Teixeira, destacou a sensibilidade musical de Joaquim Jayme, enquanto o secretário municipal de Cultura, Kléber Adorno, lembrou, inclusive, que criou junto com Joaquim Jayme a Orquestra Sinfônica em 1993. “Joaquim foi uma pessoa muito importante da história da cultura e da democracia em Goiás. Ele é professor aposentado da UnB e UFG, foi exilado, lecionou no Chile e na Alemanha. Goiânia perde muito com sua morte”, lamenta.

ADEUS E CANÇÕES
Além de autoridades, o meio musical – onde o artista dedicou grande parte da sua energia – também compareceu para dar o último adeus. E a Orquestra Sinfônica e Coro Sinfônico se reuniram para uma homenagem emocionante. Sob clima de emoção, tocaram e cantaram peças que Jayme apreciava. como “Jesus Alegria dos Homens”, de Bach, e “Manhãs Goianas”. Esta última, aliás, é uma composição do maestro, que musicou a letra de José Mendonça Teles, o “Hino de Goiás”.
Quem conviveu com Joaquim Jayme sabe o quão importante foi levar música de concerto à sua despedida, pois, de acordo com a secretária da Orquestra Sinfônica Ketty Leite, era incrível a disposição com que ele se dedicava à música e à orquestra. “O maestro ia trabalhar sempre animado. Passamos por muitas dificuldades, mas ele dizia: tá difícil, mas nós vamos vencer. Tinha uma personalidade forte, mas ostentava uma alegria ímpar. Os músicos da orquestra perderam um pai. Mas ele deixou a orquestra muito alicerçada e vamos continuar seu trabalho”, disse a secretária com a voz embargada.

Vida para música
Joaquim Jayme nasceu em 1941 em Niquelândia, estudou piano em Goiânia com a professora e musicista Belkiss Spenciére Carneiro de Mendonça, considerada uma das maiores da arte em Goiás. Na Universidade da Bahia estudou piano (Sebastian Benda e Pierre Lose), regência (Koellreuter) e composição (Koellreuter e Miklós Kokrom).
Cursou pós-graduação no Departamento de Música na UnB, sob orientação do maestro e compositor Cláudio Santoro, estudando análise e fuga, regência orquestral, instrumentação e orquestração. Fez mestrado em musicologia pela Universidade de Rostock, da Alemanha.
Ele foi professor do Departamento de Música da UnB, regente do Coral da UnB e assistente de sua Orquestra de Câmara. Professor titular e co-organizador da Fundação das Artes de São Caetano do Sul e regente de sua orquestra de cordas, Miscâmara. Professor titular e diretor da Escola Superior de Música da Universidade de Concepcion, Chile. Foi também professor, por cinco anos, da Universidade de Rostock, Alemanha. Redator musical, inspetor chefe e maestro assistente da Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional de Brasília. Professor assistente do Instituto de Artes da UFG e regente do coral da UFG. Professor adjunto da UnB, fundador e regente titular do Coral do Estado de Goiás. Foi também secretário da Cultura, Esporte e Turismo de Goiânia.
Últimas homenagens
Autoridades e artistas se manifestaram ontem sobre a morte de Joaquim Jayme, através de notas e das redes sociais, veja como foi a repercussão da morte do maestro.

“Obrigado, Maestro Joaquim Jayme.Descanse em paz. A Música Goiana sentirá muito sua falta”
(Marcelo Barra – Pelo Facebook)
“Com grande pesar, Valéria Jaime Peixoto Perillo e eu recebemos a notícia da morte do parente e amigo maestro Joaquim Tomás Jayme, um esteta da música que sempre enalteceu o nome de Goiás no Brasil e no mundo, também por onde estudou e lecionou, e sempre foi muito conceituado.Joaquim Jayme foi e é uma referência para o mundo da música erudita brasileira e fez de Goiás uma trincheira de onde ecoavam as sinfonias que compunha e/ou executava. De formação musical invejável, trabalhou e estudou na Alemanha, no Chile, em São Paulo, Brasília e Goiás, sendo fundador e Regente do Coral do Estado e da Orquestra Filarmônica de Goiás.
Entre suas obras musicais, estão o Hino de Goiás, com letra de José Mendonça Telles, e um dos mais belos CDs lançados, no início da década de 2000, pela Agepel, em parceria com o também maestro Guilherme Vaz, intitulado Sinfonia das Águas Goianas.
É enorme o legado do Maestro Joaquim Jayme á música e à cultura goianas, criando peças lindas e executando um trabalho encantador. Por tudo isso, é difícil mensurar o quanto pesa a ausência dele em nosso meio.
Exilado político, militante das mais justas causas sociais, exerceu seu trabalho com a música em profunda sintonia com a vida, exaltando a qualidade estética e os contornos do encantamento que ela provoca nas pessoas, certamente esse trabalho ajudou a melhorar o mundo e a fazê-lo mais palatável à nossa existência.
Que Deus o acolha e possa usufruir do talento musical que Ele inspirou ao Maestro Joaquim Jayme, para nos encantar por aqui. Seu legado é uma bênção para Goiás e o mundo.
Transmito à família meu afetuoso abraço de solidariedade e pesar e vou rezar para que Deus consiga amenizar o sofrimento por essa incomensurável perda”
(Governador Marconi Perillo – em nota oficial)
“O prefeito Iris Rezende lamenta profundamente a morte do maestro Joaquim Jayme, ocorrida na noite de ontem, 15. Além de sua da dedicação exclusiva à cultura do nosso Estado, Joaquim Jayme fundou a Orquestra Filarmônica do Centro de Cultura Gustavo Ritter e também a Sinfônica de Goiânia. O prefeito manifesta pesar e deseja conforto aos corações dos familiares e amigos”
(Prefeito de Goiânia Iris Rezende – em nota oficial.)