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Vila Boa pede socorro

Redação DM

Publicado em 12 de agosto de 2016 às 02:15 | Atualizado há 1 ano

O DMRevista conversou ao longo dessa semana com Marco Antônio Veiga, que já ocupou alguns cargos administrativos na Cidade de Goiás, como vereador e integrante da Secretaria de Turismo e Cultura. Ele faz um relato cercado de emoção pelo que ele considera um estado caótico de abandono estrutural e cultural da cidade histórica, pela qual ele e os outros habitantes nutrem um grande sentimento de respeito e carinho. Outro ponto por ele abordado é a lenta morte do rio Vermelho sob o assoreamento contínuo, inclusive auxiliado pelo entulho gerado pelas obras no centro histórico.

Ele começa assim sua fala a respeito de todas as mazelas pelas quais a cidade passa: “É o seguinte: são muitos anos de indignação que eu venho denunciando a situação de decadência da Cidade de Goiás. No aspecto cultural, no aspecto político, na falta de lideranças. Eu já fui vereador, secretário de Cultura, Turismo, Meio Ambiente, batalhei muito pra transformar a Cidade de Goiás. Realmente começou quando eu peguei a secretaria, eu lutei muito pra que a cidade melhorasse, mas houve uma evolução na época, no aspecto do turismo, por exemplo, na época do prefeito Boadir Veloso, fizemos um projeto e conseguimos recurso pra fazer um teleférico na cidade e ele foi barrado pelo Iphan. E daí pra cá a gente vem vendo os impedimentos que a cidade sofre. E quem sofre não é o político que passa, a gestão que passa, quem sofre é a população que fica com aquela obra que não foi realizada”.

De acordo com Marco Antônio, a cidade não só se encontra parada no tempo mas caminhando para trás. “A cidade tem passado por uma situação de retrocesso. Eu estou andando pelo Estado inteiro e vejo que todas as cidades estão evoluindo, mas Goiás não. Goiás não cabe mais gambiarras, não cabe mais remendos. O calçamento histórico está destruído, os asfaltos antigos têm que ser arrancados e refeitos. As ruas de Goiás têm que ser todas reconstruídas, desde o centro histórico até as periferias”.

Sobre a arquitetura da Cidade de Goiás, ele também denuncia as graves falhas cometidas pela administração nesse aspecto. “A cidade está sendo reconstruída de tijolo furado e cimento. A cidade, que é feita de adobe e pau-a-pique, está sendo reconstruída com outros materiais. As pontes originalmente de madeira estão sendo refeitas de cimento”.

Um caso específico de desrespeito ao patrimônio histórico chocou Marco Antônio e muitos outros habitantes da cidade, a demolição do Teatro São Joaquim. “Estamos assistindo a maior imoralidade da história da cidade, que é a demolição do Teatro São Joaquim, pertencente ao governo do Estado, e o Iphan demoliu uma construção da década de 50 na frente de todo mundo. Nós lutamos de todas as formas, fizemos um documento e enviamos ao Ministério Público e não adiantou nada”, conta Marco Antônio.

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Entrevista com Marco Antônio Veiga

Em entrevista ao DMRevista, Marco Antônio Veiga explicou alguns pontos que são centrais na indignação dos cidadãos vilaboenses e a situação que ele apresenta como abandono completo da cidade:

 

Qual a justificativa apresentada para amparar a ação de demolir o prédio?

A justificativa era a existência de uma cratera. Eles inventaram uma cratera que nunca existiu pra demolir o prédio. Na verdade houve uma licitação de uma empresa especializada em restauração, mas da forma que foi feita, foi entregue a uma empresa qualquer sem qualificação, sem capacidade técnica de executar este tipo de obra.

 

Mas as questões de reestruturação esbarram em questões legais pelo fato de ser um centro histórico, não é verdade?

Nós estamos assistindo o descaso com as construções históricas, que já estão como um “falso histórico”. A cruz do Anhanguera, o monumento, foi levado pela enchente, já não é original. Em frente tem o novo Teatro São Joaquim, é a edificação de uma era que ninguém está entendendo, é um prédio que não podia ser construído com características coloniais, uma vez que é dentro de um centro histórico.

Subindo a rua você encontra uma agência de banco, do lado uma casa com arquitetura dos anos 70, está tornando o centro histórico uma miscelânea. Está se transformando em uma salada de pequi com manga. Um patrimônio histórico reconhecido pela Unesco foi proclamado na Finlândia em 2001, eles vêm arrancam os prédios da forma como tem acontecido.

No aspecto turístico, em Goiás tudo tem dono, as igrejas têm dono, os museus têm dono, os cargos, as instituições têm dono. A superintendente do Iphan está no cargo há 12 anos, por influências das autoridades que a protegem. Como que deixa uma pessoa em um órgão tão importante… Um órgão que está sem oxigenação. Ela não tem capacidade profissional pra comandar o órgão.

 

Você apresentou dois pontos: a necessidade urgente em reconstruir a Cidade de Goiás e o fato de que a preservação é imprescindível. Como equilibrar estes dois pontos?

Na verdade a evolução é necessária, você pode conciliar o novo com o antigo. Você pode morar em uma casa com arquitetura antiga e ter um ar condicionado.

 

Quem você acha que seria um grupo adequado pra repensar a reestruturação de Goiás?

Eu sempre disse que pra mim ao meu ver o caso da Cidade de Goiás é de uma intervenção política. Cada prefeito que entra modifica, por exemplo, a forma de repassar dinheiro pro Hospital São Pedro. O caso desse hospital deveria ser federal. Nós temos lá o Iphan que precisa de oxigenação. Entra PT, entra PSDB e ela está lá como se o cargo fosse vitalício.

No aspecto político estamos vivendo a pior administração de todos os tempos. Eu não sei como uma prefeita nessas condições ainda consegue apoio pra reeleição. No aspecto cultural tem muitos anos que a cidade vive isso. A cidade vive sob duas medidas, uns podem fazer as coisas e outros não podem, uns podem pintar a fachada da casa, outros não. De acordo com a conta bancária ou influência.

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