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Cuidados com a cicatriz após cirurgias: o que ajuda

Redação DM

Publicado em 3 de setembro de 2026 às 20:47 | Atualizado há 1 hora

A recuperação de uma cirurgia não termina quando os pontos são retirados. Em muitos casos, a cicatriz passa por semanas ou meses de remodelação, período em que textura, cor, espessura e sensibilidade ainda podem mudar. Por isso, o cuidado pós-operatório com a pele costuma fazer parte de uma rotina mais ampla, que envolve proteção, acompanhamento e constância.

Esse processo varia conforme o tipo de procedimento, a região do corpo, o histórico cutâneo e a resposta individual de cicatrização. Ainda assim, algumas medidas costumam aparecer com frequência nas orientações clínicas, especialmente quando o objetivo é favorecer uma cicatriz mais estável, confortável e com menor risco de espessamento ou escurecimento.

1. Respeite o tempo de fechamento da pele

Nem toda cicatriz pode receber os mesmos cuidados desde o primeiro dia. Antes de iniciar qualquer produto, fita ou cobertura, é essencial que a ferida esteja fechada e sem sinais de abertura, secreção ou inflamação importante. Essa etapa protege a barreira cutânea e reduz o risco de irritação local.

As diretrizes práticas de manejo de cicatrizes indicam que recursos tópicos, como o silicone, costumam ser considerados após a epitelização completa. Quando há dúvida sobre o momento certo, a conduta mais segura é seguir a avaliação do cirurgião ou dermatologista responsável pelo caso.

2. Proteja a área contra atrito e tensão

Uma cicatriz recente tende a responder mal a estiramentos repetidos, roupa apertada, movimentos bruscos e atrito constante. Em regiões de dobra ou áreas submetidas a muita tração, esse detalhe ganha ainda mais importância, porque a tensão mecânica pode influenciar o alargamento e o aspecto final da marca.

Na prática, isso significa escolher roupas mais confortáveis, evitar manipulação desnecessária e observar se a região está sendo pressionada no dia a dia. Em alguns casos, o próprio planejamento de cobertura ajuda a manter um ambiente mais estável durante a recuperação.

3. Considere o silicone como parte do cuidado contínuo

Entre as medidas não invasivas mais citadas para prevenção e manejo de cicatrizes hipertróficas e queloides estão os produtos à base de silicone. O racional clínico envolve a manutenção da hidratação da camada córnea, o suporte ao equilíbrio da pele em reparação e a criação de uma barreira protetora sobre a área cicatricial.

Dentro dessa rotina, o uso de fitas de silicone para ajudar na cicatrização de corpo e rosto costuma ser avaliado em situações nas quais se busca contato uniforme com a pele, conforto de uso e praticidade na manutenção diária. A indicação, porém, depende do estágio da cicatriz, da sensibilidade da pele e da orientação profissional, especialmente após cirurgias plásticas, reparadoras ou procedimentos estéticos.

4. Mantenha a pele limpa e bem tolerante aos produtos

A limpeza da área precisa ser suave. O excesso de fricção, o uso de substâncias agressivas ou a aplicação de muitos produtos ao mesmo tempo pode sensibilizar a pele e dificultar a adesão à rotina. Em vez de acumular etapas, costuma ser mais útil manter um protocolo simples, consistente e compatível com a fase de recuperação.

Quando houver coceira, ardor, vermelhidão persistente ou descamação, é importante revisar o que está sendo usado. Nem toda reação indica complicação, mas sinais de intolerância merecem atenção para evitar que o tratamento de suporte passe a irritar a região.

5. Evite exposição solar direta na fase inicial

A radiação ultravioleta pode favorecer escurecimento e alteração de cor em cicatrizes ainda imaturas. Isso vale tanto para cicatrizes pequenas quanto para áreas mais extensas, sobretudo em peles com maior tendência à hiperpigmentação pós-inflamatória. Por essa razão, a fotoproteção costuma integrar o pós-operatório por um período prolongado.

Quando a área fica exposta, a recomendação médica frequentemente inclui barreira física, roupas adequadas e filtro solar liberado pelo profissional assistente. A escolha do momento para iniciar o fotoprotetor depende das condições locais da pele e não deve ser feita de forma automática.

6. Observe sinais de espessamento ou crescimento anormal

Nem toda cicatriz elevada será um queloide, e nem toda vermelhidão significa problema. Ainda assim, é prudente acompanhar a evolução, principalmente quando surgem endurecimento progressivo, coceira intensa, dor persistente ou crescimento para além dos limites originais da incisão. Esses sinais podem indicar uma resposta cicatricial fora do padrão esperado.

A Sociedade Brasileira de Dermatologia destaca que queloides representam crescimento anormal do tecido cicatricial e merecem avaliação especializada. A identificação precoce favorece decisões terapêuticas mais assertivas e evita a tentativa de soluções improvisadas sem respaldo técnico.

7. Tenha constância em vez de buscar resultados imediatos

O tratamento de cicatrizes costuma depender mais de regularidade do que de intervenções pontuais. Muitos recursos tópicos exigem uso contínuo por semanas ou meses para que a evolução possa ser adequadamente observada. Interrupções frequentes, trocas constantes de produto e expectativa de resposta rápida tendem a comprometer a percepção real dos resultados.

Esse ponto é especialmente importante porque a remodelação da cicatriz é lenta. Mesmo quando há melhora visível, a maturação tecidual continua em andamento. Um acompanhamento periódico ajuda a ajustar a rotina sem precipitação.

8. Evite automedicação e receitas caseiras

Misturas caseiras, pomadas usadas sem indicação e ativos inadequados para a fase pós-cirúrgica podem piorar irritação, aumentar sensibilidade e até interferir na recuperação da pele. Em temas ligados à cicatrização, o cuidado responsável exige cautela, porque uma conduta aparentemente simples pode ser inadequada para determinada incisão ou tipo de pele.

Quando houver dor, secreção, abertura, odor, calor local ou dúvida sobre o aspecto da cicatriz, a melhor decisão é procurar o profissional responsável. O manejo seguro depende de avaliação individual, sobretudo em pessoas com histórico de queloide, doenças dermatológicas, alergias cutâneas ou cirurgias de maior porte.

A cicatriz faz parte da recuperação, e não apenas do resultado estético final. Quando há orientação adequada, proteção da pele e constância nos cuidados, o processo tende a ser mais seguro, previsível e compatível com a regeneração cutânea ao longo do tempo.

Referências

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