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Teste: Andamos no novo SUV Volkswagen T-Cross Highline 1.4 TSI

diario da manha

Norton Luiz
Editor de Veículos

A Volkswagen demorou 16 anos para entrar no segmento dos utilitários compactos do mercado brasileiro, hoje o que mais cresce e o que apresenta uma disputa bastante aquecida. Em 2003, a Ford ousou no lançamento do EcoSport, o precursor dos SUVs compactos.

A  novidade da Ford bombou em vendas e, com isso, inaugurou esse segmento automotivo. Sem concorrentes na época, a marca mandou sozinha no mercado durante muito tempo. Deitou e rolou vendendo o estreante EcoSport. A Volkswagen parecia inerte. Enquanto isso, outras marcas se movimentaram, mesmo com atraso.

Hoje, o Ford EcoSport, embora na sua nova geração e com um modelo bastante atraente, já não brilha mais sozinho no segmento. Até permitiu que os novatos roubassem a cena. Vieram Nissan Kicks, Honda HR-V, Hyundai Creta, Jeep Renegade, Jeep Compass, Chevrolet Tracker, Renault Captur e até os chineses da JAC e da Chery. A Fiat também já se ajeita para ingressar no segmento.

Só agora a marca alemã decidiu entrar no segmento com o lançamento do modelo T-Cross. Demorou, mas não errou a mão. O atraso de tantos anos em relação ao lançamento do EcoSport talvez tenha ajudado a Volkswagen a projetar seu primeiro SUV compacto produzido no Brasil e com o qual faz sua estreia no mercado.

Definitivamente, o T-Cross é resultado de um projeto bem sucedido e vai romper as barreiras que o tempo construiu. O novo modelo tem cacife para conquistar o mercado, apesar de alguns pontos críticos que você verá abaixo.

Teste

Andamos no modelo topo da linha, o T-Cross Highline 250 TSI (leia-se 1.4 turbo). Aliás, na edição especial limitada First Edition, a mais completona mesmo, que chega a custar R$ 126.500. Pode parecer cara, mas o que oferece em tecnologia e iens exclusivos compensa em muito o custo/benefício. Ela é baseada na versão Highline e ganha itens exclusivos, como nas inéditas cores Laranja Energetic e Bronze Namínbia, além do branco Puro.

A edição especial First Edition traz como diferenciais teto solar panorâmico, teto e colunas pintados de preto Ninja, rodas de 17 polegadas diamantadas, com parte interna na cor preta, som Beats, Park Asssit 3.0, seletor de perfil de condução, controles de tração e estabilidade, faróis full led com luz de condução diurna m led, painel de instrumentos Active Info Display Digital, central multimídia Discovery Media com tela de oito polegadas e GPS, dentre outros itens exclusivos da versão.

Foi muito interessante testar o T-Cross. Bom de dirigir e você sente com o pé no acelerador a força e a potência do motor 1.4 Turbo Flex. O modelo desenvolvido para recuperar tempo e chamar a atenção em todos os aspectos, o que de fato conseguiu. Por fora um belo carro. Por dentro espaço de sobra.

O T-Cross se destaca pelo espaço interno em função dos 2,65 metros de distância no entre-eixos, o maior entre os seus concorrentes mais expressivos. Merece também elogios a posição elevada de dirigir, o que torna a condução mais segura e prazerosa.

O tamanho compacto do T–Cross está nas suas medidas, uma vez que  na aparência apresenta  ser bem maior do que realmente é. O novo SUV global da Volkswagen mede 4,19 metros de comprimento, 1,56 de altura e 1,75 de largura.

Espaço interno

Os passageiros do banco de trás viajam com conforto e mesmo o que vai  no meio não tem do que reclamar. O duto central é baixo e favorece no espaço para as pernas, mas seria bem melhor se não tivesse o duto, como no Honda HR-V, considerando sua inutilidade em função de que a tração do T-Cross é dianteira e o duto atende veículos com tração traseira.

O T-Cross é um SUV bonito, espaçoso e o acabamento interno mereceu cuidados especiais nos detalhes, mas nem tudo é tão perfeito. O uso de plástico duro nas portas e no painel não se justifica em um lançamento recheado de modernidade e tecnologias de segurança e assistência ao motorista. Poderia ser um material resistente, mas com uma textura macia ou emborrachada.

Na minha opinião esse é o ponto crítico, juntamente com a capacidade de 373 litros de carga do porta-malas. A construção do T-Cross privilegiou o espaço interno, mas sacrificou o bagageiro justamente em um momento em que as famílias querem espaço para levar suas bagagens. Nesse quesito, supera o EcoSport (356) e o Renegade (320 liros), mas perde para o HR-V (437 litros) e para o Creta (431 litros).

Bagageiro

O bagageiro do T-Cross pode ganhar um pouco mais de espaço, chegando a 420 litros. Para isso, no entanto, tira o conforto dos passageiros que vão atrás. O encosto do banco é ajustado de forma que fique mais reto, através de uma trava metálica. Assim, abre mais espaço para receber as bagagens. É de série em todas as versões. Outro ponto que merecia uma atenção maior está no freio de mão, com o emprego de um freio eletrônico. Alguns concorrentes empregam esse sistema.

Os seis airbags disponíveis no T-Cross Highline não são exclusividade desta versão. Eles estão em todas as versões, sendo dois dianteiros, dois laterais e dois de cortina, além de freios a disco nas 4 rodas e controles de tração e estabilidade.

Construído sobre a nova plataforma MQB, a mesma que deu origem aos novos Polo e Virtus, o T-Cross chega ao mercado em quatro versões de acabamento, duas motorizações TSI e duas transmissões, sendo uma automática de seis marchas e uma manual também com seis marchas.

Não dá para falar numa quinta versão pelo fato de a configuração First Edition ser apenas uma edição especial de lançamento, limitada a 1.000 unidades.

A versão de entrada é a 200 TSI, com câmbio manual, que custa R$ 84.990. Depois vem a 200 TSI automática, que sai por R$ 94.490, e a Comfortline 200 TSI. O motor Flex 200 TSI é o mesmo 1.0, três cilindros, turbo, de 128 cv, que rende 20,4 kgfm de torque, utilizado no Polo e no Virtus, com essa mesma nomenclatura. Ele trabalha acoplado à transmissão automática  sequencial de seis velocidades, exceto na versão de entrada, cujo câmbio é manual.

A versão Highline é a única que traz sob o capô o motor 250 TSI (leia-se 1.4 Turbo), de 150 cv, e 25,5 kfm de torque, e tem a mesma transmissão das demais versões. É bem macia e precisa nos engates. É o mesmo powertrain do Golf. Esta versão custa R$ 109.990, sem os opcionais.

O T-Cross já oferece a partir da versão 200 TSI itens considerados indispensáveis como  controle de estabilidade, seis airbags, freios a disco nas quatro rodas, bloqueio eletrônico do diferencial, ajuste de altura e profundidade do volante, sensor de estacionamento, luzes diurnas e volante multifuncional.

Consumo

O T-Cross é no seu  todo um modelo atraente, mas não se pode negar que sob o capô é onde está sua maior atração, representadas pelos motores 200 TSI e 250 TSI. A versão Highline, testada pelo DMAutos, vai de 0 a 100 em 8,7 segundos, conforme a própria Volkswagen anunciou. Já no consumo, os números oficiais falam em 7,7 km/l na cidade e 9,3 km/l na estrada com etanol. Com gasolina no tanque, as médias sobem para 11 km/l e 13 km/l, respectivamente.

Nós rodamos com etanol no tanque, mas diante da impossibilidade de fazer uma aferição real de consumo, com o uso de equipamentos precisos, vamos ficar com os números apresentados pela fabricante. Esses não são nada diferentes dos os constatados durante o período em que utilizamos o T-Cross. O SUV da Volkswagen é realmente muito econômico e esse é  um dos pontos de destaque do modelo.

Gostei também da suspensão e da estabilidade. A primeira apresenta-se firme, mas trabalha de forma  que absorve bem as imperfeições do solo e evitando desconforto para o condutor e passageiros. A altura do solo,por sua vez, permite mais estabilidade do carro nas curvas.  Estão falando muito bem do T-Cross e o carro é tudo isso que falam de positivo dele.

Ficha técnica: T-Cross Highline 250 TSI

Motor: 4 cilindros em linha 1.4, 16V, turbo, injeção direta
Cilindrada: 1395 cm³
Combustível: Flex
Potência: 150 cv a 5.000 rpm (g) e 150 cv de 4.500 a 6.000 rpm (e)
Torque: 25,5 kgfm de 1.500 a 3.800 rpm (g) e 25,5 kgfm de 1.500 a 4.000 rpm (e)
Câmbio: automático sequencial (seis marchas)
Direção: elétrica
Suspensões: MacPherson  nadianteira e eixo de torção na traseira
Freios: disco ventilado na dianteira e disco sólido na traseira
Tração: dianteira
Dimensões: 4,199 m (c), 1,760 m (l), 1,568 m (a)
Entre-eixos: 2,651 metros
Pneus: 205/55 R17
Porta-malas: 373
Tanque: 52 litros
Peso: 1.292 kg
Arrancada: 0-100 km/h: 8s7 (g/e)
Velocidade máxima: 198 km/h (g/e)
Consumo cidade: 11 km/l (g) e 7,7 km/l (e)
Consumo estrada: 13,2 km/l (g) e 9,3 km/l (e)

 

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