2016 pode ser o pior ano para a Mercedes-Benz em 60 anos no país
Redação DM
Publicado em 2 de dezembro de 2015 às 03:10 | Atualizado há 11 anosSÃO PAULO — O presidente da Mercedes-Benz do Brasil, Philip Schiemer, fez previsões nada animadoras para o mercado e o país no próximo ano. Em 2016 a empresa completa 60 anos de operação no mercado brasileiro e, segundo ele, será o pior ano para a montadora por aqui. A falta de previsibilidade na economia e a possibilidade do país entrar em uma depressão econômica são fatores que levam a desconfiança da matriz por novos investimentos nas fábricas brasileiras. Além disso, as vendas de caminhões não devem atingir 70 mil unidades. Em 2014, foram comercializados em torno de 130 mil unidades.
— Em quase 60 anos de Brasil é a pior fase que a Mercedes-Benz está passando no Brasil, porque a crise se prolonga e está cada vez mais profunda. São nove trimestres que os investimentos no país caem, isso não é um bom sinal. O empresário não tem previsibilidade para realizar os investimentos necessários para a retomada do crescimento. Hoje, a descrença e desconfiança da matriz com o Brasil aumentou muito e novos projetos estão cada vez mais dificies de serem aprovados —, disse Schiemer acrescentando que os investimentos de R$ 730 milhões de 2015 a 2018 estão garantidos.
Diante desse cenário nada favorável para o mercado de caminhões, as vendas fecharam em 4.5 mil unidades em novembro ante 6 mil em outubro, o executivo já prevê novas negociações com o sindicato dos metalúrgicos. Hoje, a fábrica em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, está com a jornada reduzida em 20% e os salários dos 12 mil funcionários estão 10% menores, por conta da adoção da montadora ao Programa de Proteção ao Emprego (PPE). Em troca da estabilidade do emprego por um ano, os empregados aceitaram a redução de salário em agosto em 20%, sendo que o governo federal garante 10% dos proventos por meio do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). Agora, já prevendo tempos mais turbulentos do mercado, o presidente da Mercedes-Benz já pensa em colocar na mesa a proposta de aumentar o percentual de desconto e chegar a 30%.
— Vamos cumprir o acordo com o governo e com os funcionários e a estabilidade de emprego até agosto de 2016 está garantida. Mas, o problema ainda está ai e não vemos mudança na conduta política. Por isso, estamos olhando todas as possibilidades de manter a operação brasileira em um nível saudável, como por exemplo, reduzir a jornada e os salários em 30%. Há essa possibilidade no programa. É uma coisa que precisa ser discutida. Estamos dizendo e informando ao sindicato a real situação da fábrica e do mercado brasileiro — afirmou o executivo.
Segundo ele, a fábrica paulista opera com uma ociosidade acima de 50% atualmente e neste ano, entre férias coletivas, lay-off, paradas programadas e greves, a unidade ficou sem produzir um veículos por quatro meses.
— Estamos trabalhando dois cenários. O primeiro deles é chegamos ao fundo do poço e as medidas de ajustes da economia forem aprovadas e conseguiremos uma operação mais estável. Até porque há demanda. Há muita renovação de frota de grandes empresas que podem acontecer em 2016. Agora, se nada acontecer na economia, o ano que vem vai ser muito pior do que 2015 e vai depender da resolução da crise política. Vai depender de uma liderança que possa comandar essa coalizão política para tirar o país dessa situação crítica. Os partidos e o Congresso precisam parar de pensar em preservar os cargos e assumir que são parte importante da mudança dos rumos da economia —, acrescentou Schiemer.
Para ele, o segundo mandato da presidente Dilma está marcado por várias trapalhadas na economia. Ele lembrou da suspensão inesperada da linha de financiamento Finame PSI do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em 23 de outubro, sendo que a previsão inicial para o fim do incentivo era 27 de novembro. Por uma esforço de convencimento da Anfavea, que contou até com a ajuda do ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, a presidente voltou atrás e decidiu reverter a portaria. Acontece que, conta Schiemer, os pedidos de financiamento de todas as montadoras quando chegaram ao BNDES não poderiam ser garantidos, pois, a instituição não tinha verba suficiente. A solução encontrada pelo banco foi pedir para as montadoras priorizar os pedidos.
— O que aconteceu na prática é que até hoje os recursos não foram liberados e temos até o final do ano para concluir a venda dos veículos com as taxas de Finame PSI. Com essa novela o mercado parou. O governo só fez confusão. Esse é mais um exemplo das trabalhadas que estão acontecendo na economia este ano