59% planejam parar aos 60, mas só 28% esperam se aposentar nessa idade, diz FenaPrevi
Aline Drumond - Estágio DM
Publicado em 2 de outubro de 2026 às 10:59 | Atualizado há 43 minutos
A aposentadoria é planejada por brasileiros que ainda enfrentam incertezas sobre quando poderão parar de trabalhar | Foto: Reprodução
Para quem ainda está trabalhando, a aposentadoria não é vista apenas como o momento de deixar o emprego. A renda disponível depois dessa etapa também aparece como uma preocupação. Uma pesquisa da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (FenaPrevi), realizada em parceria com o Datafolha, mostra que parte dos brasileiros já considera necessário recorrer a outras fontes de dinheiro para complementar o benefício do INSS.
Entre os trabalhadores que ainda não se aposentaram, 38% afirmam que pretendem ter a Previdência pública como fonte de renda quando deixarem o mercado de trabalho. O cenário é diferente entre aqueles que já passaram pela aposentadoria: 92% dos entrevistados desse grupo apontam o INSS como principal meio de sustento.
Mesmo sendo uma referência para a renda futura, o valor do benefício ainda é desconhecido para muitos trabalhadores. Apenas 35% dos não aposentados dizem saber quanto esperam receber da Previdência. Entre os que fizeram uma estimativa, 53% calculam que terão até um salário mínimo por mês. Para a pesquisa, foi considerado o valor de R$ 1.621.
Considerando todos os participantes que conseguiram indicar uma quantia, a expectativa média de recebimento chega a R$ 2.546 mensais.
A idade para parar de trabalhar também preocupa
O levantamento mostra que existe uma diferença significativa entre a idade em que os brasileiros gostariam de se aposentar e aquela em que acreditam que realmente conseguirão deixar o mercado de trabalho.
Se dependesse do desejo dos trabalhadores que ainda não se aposentaram, 59% gostariam de parar de trabalhar até os 60 anos. Entretanto, somente 28% acreditam que isso será possível. São 31 pontos percentuais de diferença entre as duas expectativas.
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Para outros 32%, a aposentadoria só deve ocorrer a partir dos 61 anos. Há ainda 11% que não acreditam que algum dia conseguirão deixar de trabalhar. Outros 12% afirmam que não têm intenção de parar.
Aos 60 anos, a legislação brasileira já classifica a pessoa como idosa. Mesmo assim, os números indicam que essa idade está longe de representar, para todos, o fim da vida profissional.
A preocupação com a renda também aparece quando os participantes imaginam as condições financeiras após a aposentadoria. Entre os que pretendem depender do INSS, 56% acreditam que precisarão reduzir os gastos para conseguir se manter. Já 25% esperam preservar o padrão de vida atual, enquanto 16% temem enfrentar dificuldades financeiras e não conseguir arcar com o próprio sustento.
Reserva financeira aparece entre os planos
Diante da possibilidade de o benefício público não ser suficiente para cobrir todas as despesas, os entrevistados apontaram alternativas para complementar a renda.
A construção de uma reserva financeira ou poupança aparece em primeiro lugar, citada por 33% dos trabalhadores que ainda não se aposentaram. O aluguel ou a venda de imóveis é considerada por 20%.
Outras possibilidades mencionadas são a previdência privada, escolhida por 13%, e a venda de outros bens ou negócios, também apontada por 13% dos participantes.
O levantamento também perguntou como os brasileiros avaliam uma possível nova mudança nas regras da Previdência. O aumento da idade necessária para se aposentar foi citado por 41% dos entrevistados. Na sequência, aparecem o aumento da contribuição mensal ao INSS, com 35%, e uma eventual redução no valor dos benefícios, mencionada por 15%.
As respostas não correspondem a uma proposta concreta de reforma. Os percentuais mostram apenas o que os participantes imaginam que poderia ocorrer caso o sistema previdenciário passasse por novas mudanças.
Realizada em um contexto de discussão sobre planejamento financeiro para a velhice, a pesquisa mostra que a aposentadoria é projetada pelos brasileiros entre o desejo de deixar o trabalho mais cedo e a necessidade de garantir recursos suficientes para manter as despesas. Para isso, além do INSS, parte dos trabalhadores considera formar patrimônio e buscar fontes alternativas de renda.
O estudo ouviu presencialmente 1.908 pessoas com 18 anos ou mais, em todas as regiões do país. As entrevistas foram realizadas entre 8 e 16 de junho de 2026.