Economia

Análise: como os investidores podem errar apostando que a demissão de Levy vai salvar o Brasil

Redação DM

Publicado em 11 de novembro de 2015 às 03:35 | Atualizado há 11 anos

BRASÍLIA – Investidores apostando que a substituição do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, será positiva para o solução dos problemas econômicos do Brasil deve pensar duas vezes.

As ações se valorizaram pelo segundo dia consecutivo, nesta quarta-feira, em meio a matéria dando conta de Levy sairia, no início do ano que vem, dando lugar a Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco Central, que conduziu a autoridade monetária numa cenário de maior crescimento e inflação menor. A ideia é que ele tem maior força política para ganhar aprovação para as medidas de austeridade fiscal no Congresso.

Os investidores podem estar exagerando no poder do ministro da Fazenda na crise política que ameaça o mandato de Dilma Rousseff, dizem cientistas sociais e economistas. A taxa de rejeição da presidente aumentou a oposição no Congresso às medidas de aperto, como aumento de imposto e redução de gastoso, propostas por Levy.

— O problema é que a presidente é fraca, não o ministro da Fazenda — diz Roberto Padovani, economista-chefe do Banco Votorantim. — O que Meirelles faria de forma diferente? Nada.

EQUILÍBRIO DE FORÇAS

Levy se queixou das críticas oriundas dos aliados do governo e afastou, várias vezes, especulações sobre sua saída da pasta. Seus detratores ressaltam que foi em sua gestão que a agência de avaliação de crédito Standard & Poor’s cortou a nota do país, passando para nível especulativo, que o déficit orçamentário explodiu e que o país entrou em recessão.

O Congresso ignorou a mensagem de Levy sobre a recuperação econômica não ser possível sem melhora das contas fiscais, mas focou-se nos escândalos de corrupção e nas possibilidades de um impeachment. O presidente da Câmara, um dos inimigos mais poderosos de Dilma, enfrenta uma investigação no comitê de ética que tem potencial para forçar sua saída do Congresso.

— Os mercados deveriam estar olhando mais para as mudanças no equilíbrio de poder da Câmara do que para o ministro das Fazenda — diz Gabriel Petrus, analista político da consultoria de negócios Barral M Jorge. — Os mercados estão certamente olhando para o lado errado.

PRESSÃO DE LULA

Se, por um lado, muitos dos aliados gostaria de ver Levy substituído por Meirelles, Dilma ainda não tomou uma decisão e sabidamente têm reservas contra o ex-presidente do Banco Central, conforme assessores do Palácio do Planalto.

Em discurso nesta quarta-feira, Meirelles convocou os congressistas a criar condições para o crescimento de longo prazo, reforçando que o país não pode depender de matérias primas, pois os preços das commodities estão em queda. O governo precisa reduzir os gastos para aumentar a confiança, ele afirmou em evento da indústria em Brasília, onde Levy também falou.

A assessoria de imprensa de Meirelles disse que não comentaria os rumores sobre a eventual ida para a pasta da Fazenda. A de Levy não respondeu aos pedidos de comentários.

O ex-presidente Lula, mentor de Dilma, vem recomendando Levy para assumir o cargo. Lula nomeou Meirelles, um ex-executivo de Wall Street, para pilotar ao BC em 2003.

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