Economia

Após atingir recorde, dólar comercial cai mais de 1%, a R$ 4,113

Redação DM

Publicado em 22 de janeiro de 2016 às 01:01 | Atualizado há 10 anos

SÃO PAULO – O dólar comercial é negociado em queda, após atingir cotação recorde na quinta-feira. Às 14h51, a moeda americana era cotada a R$ 4,111 na compra e a R$ 4,113 na venda, um recuo de 1,27% ante o real – na mínima a divisa chegou a R$ 4,103. Já a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) segue o movimento externo e opera em alta. O Ibovespa registra ganhos de 1,10%, aos 38.132 pontos.

Ricardo Gomes da Silva, superintendente da Correparti Corretora de Câmbio, lembra que a desvalorização do dólar está atrelada ao ambiente externo, com os investidores esperando um novo alívio monetário pelo Banco Central Europeu (BCE) e com a recuperação dos preços do petróleo, que tende a beneficiar a moeda dos países produtores do óleo. O barril do tipo Brent registra alta de 6,12%, a US$ 31,04 o barril.

— O cenário externo está beneficiando o real e não temos nada de relevante do ponto de vista interno. A expectativa de incentivos na Europa e na China fazem com que os investidores tomem mais risco — afirmou Bernard Gonin, analista macro da Rio Gestão de Investimentos.

No exterior, o dólar ganha em relação a maior parte das moedas. O “dollar index”, calculado pela Bloomberg e que mede o comportamento da divisa frente a uma cesta de dez moedas, sobe 0,34%. “Em movimento de correção técnica, após o exagero de ontem, o dólar comercial opera em queda ante o real. O cenário de menor aversão ao risco faz com que os agentes desmontem parte das posições defensivas assumidas nos últimos dias”, afirmou, em relatório a clientes.

Na quinta-feira, dia seguinte à decisão do Banco Central (BC) de manter a taxa básica de juros inalterada em 14,25% ao ano, o dólar comercial fechou na maior cotação nominal registrada desde a criação do Plano Real, em 1994. A moeda americana avançou 1,51% contra o real, a R$ 4,166 para venda, um recorde parta valores de fechamento. O recorde anterior era dos R$ 4,145 registrados em 23 de setembro.

PETROBRAS SOBE COM PETRÓLEO

A alta da Bolsa é encarada mais como um movimento de correção e não como uma reversão de tendência. No entanto, o Ibovespa acentuou os ganhos após a abertura dos negócios nos Estados Unidos. Segundo analistas, os investidores estão aproveitando a melhora do humor no exterior para fazer esse ajuste. A indicação do presidente do BCE, Mario Draghi, de que a Europa pode receber novos estímulos monetários faz com que as Bolsas no continente operem em forte alta.

— O Draghi animou o mercado com a indicação de novos incentivos, o que faz as Bolsas europeias subirem. Mas por aqui, no entanto, é um movimento de ajuste e não uma reversão de tendência. A expectativa de de resultados mais fracos para as empresas brasileiras na temporada de balanços do quarto trimestre e projeções de uma recessão em torno de 3% em 2016 — avaliou Ari Santos, gerente de renda variável da corretora H.Commcor.

Mas é nesse clima de ajuste que as ações da Petrobras operam em terreno positivo. Os papéís preferenciais (PNs, sem direito a voto) registram alta de 0,88%, cotados a R$ 4,54, e os ordinários (ONs, com direito a voto) sobem 3,65%, a R$ 6,52.

Já as ações da Vale diminuem os ganhos. As preferenciais passaram a cair 0,43% e as ordinárias sobem 0,76%. O setor bancário, o que tem o maior peso na composição do Ibovespa, o pera com ganhos. As altas das preferenciais do Itaú Unibanco e do Bradesco são de, respectivamente, 0,86% e 0,94%.

As Bolsas americanas também operam em forte alta, consolidando o pregão de recuperação. O Dow Jones sobe 0,79% e o S&P 500 registra valorização de 1,53%. Na Europa, os principais indicadores também operam em alta, em um ambiente de menor aversão ao risco. O DAX, de Frankfurt, sobe 2,26%, e o CAC 40, da Bolsa de Paris, tem alta de 3,30%. No caso do FTSE 100, de Londres, a variação é de 2,38%.

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