Assembleia provoca audiência pública
Redação DM
Publicado em 2 de junho de 2015 às 03:26 | Atualizado há 11 anos
A preocupação da sociedade com a questão ambiental, com ênfase para o Bioma Cerrado, provocou uma audiência pública na Assembléia Legislativa e marcando em consequência a abertura da Semana Mundial do Meio Ambiente. Em pauta, a disponibilidade e a segurança hídrica em Goiás. A audiência reuniu representantes da Secretaria de Meio Ambiente, Recursos Hídricos, Infraestrutura, Cidades e Assuntos Metropolitanos (Secima), da Comissão de Meio Ambiente da Assembléia Legislativa e dos setores acadêmico, agropecuário e industrial, entre outros.
Antropólogo e geólogo, o professor da PUC-GO Altair Sales denuncia que as ações humanas têm causado grandes impactos na disponibilidade hídrica em diversas regiões do planeta, como no caso do mar de Arau, local que hoje é um deserto devido à transposição de rios da antiga União Soviética. “O mesmo pode ocorrer com o Cerrado se medidas severas de preservação não forem tomadas”, alerta.
Salvar o Planeta
Gerente de Planejamento e de Gestão de Recursos Hídricos da Secima, João Ricardo Raiser apresentou as diretrizes da Política Nacional de Recursos Hídricos e o que está sendo feito em Goiás. O gerente destacou a importância de se implantar instrumentos de gestão previstos na política para o setor, no que tange à cobrança pelo uso de recursos hídricos, controle e planejamento.
Superintendente estadual do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos, Jacqueline Vieira alertou para o fato de que a crise hídrica por que o Brasil e boa parte do planeta passam atualmente ainda não é capaz de mobilizar a população. Quanto ao Cerrado e ao estado de Goiás, Jacqueline defende a preservação dos ativos ambientais (água, solo, clima e biodiversidade) como forma de garantir a produção de alimentos e o desenvolvimento econômico estadual.
O superintendente disse ainda que o Plano Estadual de Recursos hídricos deve ficar pronto neste ano, e que o Cadastro Ambiental rural também será uma importante ferramenta de preservação do Cerrado. “Todos os setores sociais, públicos e privados, têm que entrar de cabeça na defesa do Cerrado e das riquezas naturais se quisermos manter um índice de desenvolvimento que melhore a vida da população”, conclui.
A Semana do Meio Ambiente contará ainda com diversas palestras e debates sobre as principais questões que envolvem a agenda ambiental, além da assinatura de um convênio com a UFG para ampliar as pesquisas na área e ações de educação ambiental.
Ocupação do Cerrado
A ocupação do Cerrado começou no Século 18. As incursões nessa vasta região eram realizadas principalmente através dos rios e veredas, caracterizadas pela ocorrência de buritis, devido a maior facilidade de penetração. O interesse inicial era a exploração mineira nos estados de Goiás e Mato Grosso.
Após o declínio destas atividades houve a implantação de uma pecuária extensiva baseada em pastagens nativas e capins africanos como o jaraguá e capim gordura. Essas atividades pecuárias antigas encontram-se hoje em desuso devido a baixa produtividade e a destruição ambiental. Atualmente a maioria dos pecuaristas adota técnicas modernas de produção e há um aumento crescente com as questões ambientais.
A grande ocupação do Cerrado iniciou no século 20, com a mudança da capital do Brasil do Rio de Janeiro para Brasília. No final da década 70, a região do Cerrado era pouco explorada. As correntes migratórias, principalmente das regiões Sul e Sudeste do país, tornaram o Cerrado o celeiro do mundo. Segundo dados da Embrapa Cerrados hoje existem na região 50 milhões de hectares de pastagens cultivadas, 30 milhões de hectares de pastagens nativas, 13,5 milhões de hectares de culturas anuais e dois milhões de hectares de culturas perenes e florestais.
Tecnologia de ponta
Atualmente muitas empresas agropecuárias adotam tecnologias de ponta para fazer o Cerrado produzir. Devido a baixíssima fertilidade dos solos foram adotadas técnicas de correção, adubação e manejo dos mesmos, alem de produzir cultivares de plantas comerciais adaptados ao Bioma. Com todo esse desenvolvimento econômico houve uma perda do conhecimento sobre a fauna e a flora existente nesta área, principalmente sobre o potencial valor econômico dos mesmos.
A flora e fauna do Cerrado são riquíssimas. Esta região possui cerca de 10.000 espécies vegetais. Estima-se que em cada hectare podem ser encontradas cerca de 400 espécies de plantas. Quanto a fauna são conhecidas cerca de 1.600 espécies de animais. São 195 espécies de mamíferos, sendo 18 endêmicas. Devido a essa grande biodiversidade o Cerrado é considerado uma das 25 áreas do mundo prioritárias para a conservação.
Devido a essa importância econômica e ambiental a Embrapa Gado de Corte e a Embrapa Cerrados tornam disponíveis informações sobre as espécies da flora e da fauna dessa grande região brasileira. Dentro desse contexto conta com a colaboração dos produtores agropecuários considerando-os nossos grandes aliados na conservação ambiental dos Biomas brasileiros. A Emater em Goiás tem sido uma das defensoras intransigentes do Bioma Cerrado. A instituição tem em Josias Luiz Guimarães, por exemplo, um de seus baluartes desde os anos 60.