Economia

Associação de montadoras diz que crise política causa recessão

Redação DM

Publicado em 20 de outubro de 2015 às 10:35 | Atualizado há 11 anos

SÃO PAULO – O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Luiz Moan, afirmou nesta terça-feira que a falta de consenso na aprovação do ajuste fiscal é a grande causa do desempenho negativo da economia brasileira.

— A crise política é a cirrose da economia. Ela contamina todo o desempenho econômico e por isso não temos condições de planejar os negócios. O Brasil precisa urgentemente do ajuste fiscal para voltarmos a crescer — disse Moan, durante Congresso Autodata Perspectivas 2016.

Segundo ele, não há ambiente para prever o mercado no próximo ano enquanto não forem aprovadas as medidas de ajuste fiscal que podem dar um novo fôlego à economia.

— Se aprovado, o mercado deverá iniciar a recuperação no último trimestre do ano que vem. Isso porque verificamos que as vendas diárias estão estáveis desde o terceiro trimestre deste ano e isso deve permanecer em 2016. Mas precisamos ver o desenrolar dessa crise política — afirmou Moan.

Neste ano, as vendas de veículos devem cair 27% no comparativo com 2014 e de acordo com Moan, essa queda vai representar R$ 16 bilhões a menos na arrecadação de tributos.

— Esse declínio representa quase a metade da meta estabelecida pelo ministro (Joaquim) Levy de arrecadação com a CPMF. As pessoas falam que a indústria automobilística sempre é muito beneficiada pelo governo, mas é bom ressaltar que, de maio de 2012 a dezembro de 2013, quando vigorou o período de redução da alíquota de IPI, cada ponto percentual reduzido foi repassado ao consumidor. Ou seja, a alíquota menor é bom para o consumidor.

O presidente da Mercedes-Benz, Philipp Schiemer, também foi enfático ao falar que a crise política prejudica a condução da economia brasileira.

— O ajuste fiscal parou. Não acontece. Foi anunciado no início do ano e até agora não foi aprovado. Isso afeta a confiança e confiança é a base da economia. Se não for aprovado o ajuste, fatalmente vamos perder o grau de investimento pela segunda agência de qualificação de risco — disse o executivo.

ACORDO AUTOMOTIVO

O presidente da Anfavea adiantou que o Brasil deve firmar um acordo de exportação com o Irã. Na próxima semana, o governo brasileiro vai em missão ao país para estreitar as relações comerciais.

— É uma missão comercial e vamos tentar estender o acordo para o setor automotivo. Esse será mais um país em potencial para o qual podemos aumentar as exportações. Já assinamos o acordo com a Colômbia, na semana passada, o terceiro mercado da região. Lá a nossa participação é irrisória — disse Moan.

As vendas de veículos na Colômbia chegam a 300 mil por ano e os produtos brasileiros alcançam 8 mil unidades anuais. Com o acordo, as montadoras instaladas aqui terão uma cota de exportação de 12 mil unidades no primeiro ano, 25 mil no segundo e 50 mil no terceiro ano de vigência do acordo.

— Acredito que vamos preencher essa cota.

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