Banco de desenvolvimento liderado pela China vai emprestar em dólar
Redação DM
Publicado em 17 de janeiro de 2016 às 00:16 | Atualizado há 10 anosPEQUIM – O Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura (AIIB, na sigla em inglês), liderado pelo governo chinês, descartou a possibilidade de concessão de empréstimos em outras moedas que não o dólar, sinalizando que Pequim não irá utilizar a instituição financeira como plataforma para promover a internacionalização da moeda local, o yuan. O AIIB , apenas 27 meses após o presidente chinês Xi Jinping propor a implementação do banco tanto como rival e parceiro de instituições existentes e lideradas pelos EUA, como o Banco Mundial e o Banco Asiático de Desenvolvimento.
— Como uma instituição de desenvolvimento multilateral e tendo em conta o sistema financeiro internacional existente, usamos o inglês como língua de trabalho e o dólar americano como a moeda do instituto — disse o presidente do AIIB Jin Liqun neste domingo após a primeira reunião do conselho. — Temos uma boa reserva de projetos de cofinanciamento e autônomos. Infraestrutura é fundamental para o desenvolvimento social de base ampla e a redução da pobreza.
Ele afirmou ainda que os primeiros empréstimos devem ser aprovados “até o final do ano”. Segundo ele, outras moedas, incluindo o euro e o yuan, poderiam ser usadas para atrair o capital do mercado internacional.
O banco terá ainda uma unidade especial que vai exercer a supervisão sobre a gestão e reportar diretamente ao conselho, de acordo com Liqun. E também estará aberto a novos membros.
— A porta do AIIB foi escancarada e ficará aberta — afirmou Liqun ao responder se o banco estava pronto para aceitar os Estados Unidos e o Japão como membros.
Entretanto, a instituição não deve aceitar entre os membros Taiwan, país que a China considera como parte de seu próprio território. Segundo as regras, a adesão está disponível apenas para os Estados soberanos e nações membros de outros bancos multilaterais existentes, como o Banco Asiático de Desenvolvimento.
O novo presidente rebateu ainda críticas de que o novo banco vai aceitar padrões de empréstimos mais frouxos que o Banco Mundial. E adiantou que a Coreia do Sul ofereceu fundos adicionais para apoiar as atividades do AIIB além de sua contribuição no capital social.
— Estamos finalizando nosso ambiente e quadro social. O documento que elaboramos para é tão bom quanto de outras instituições e, em alguns aspectos, melhor do que o delas — comparou Liqun, que já trabalhou no Banco Asiático de Desenvolvimento.
Com sede em Pequim, o AIIB tem capital inicial de US$ 100 bilhões e 57 membros fundadores. A China tem 26% das ações com direito a voto, o que vai forçar o país a construir consenso com outros membros, mas também preservará o poder de veto de Pequim já que o estatuto do banco exige uma maioria de 75% para as decisões cruciais.