Bolsa cai 3,5% com setor financeiro após lucros de Itaú e Cielo; dólar sobe
Redação DM
Publicado em 2 de fevereiro de 2016 às 01:07 | Atualizado há 10 anosRIO — A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) cai 3,49% nesta terça-feira, aos 38.995, o primeiro recuo em cinco pregões. A sessão é impactada pela desvalorização do preço do petróleo internacional, pela baixa das principais Bolsas estrangeiras e por resultados corporativos que decepcionaram os investidores, como os de Cielo e Itaú Unibanco (este, apesar do lucro recorde). Após ter caído em três sessões seguidas e chegado ao menor valor do ano na segunda-feira, o dólar comercial opera em alta. A moeda americana avança 0,73%, cotada a R$ 3,989 para compra e R$ 3,991 para venda.
As principais ações operam em queda. A Petrobras ON recua 5,62% (R$ 6,21), enquanto a Petrobras PN tem baixa de 5,50% (R$ 4,46). A companhia é impactada pelo queda do petróleo, cujo barril do tipo Brent cai 3%, a US$ 33,23, com analistas prevendo uma alta dos estoques do produto nos EUA. A Vale ON cai 5,15% (R$ 9,01), e a PN, 5,37% (R$ 6,85). Entre os bancos, o Banco do Brasil ON cai 2,54% (R$ 13,80), enquanto o Bradesco PN perde 1,88% (R$ 18,25).
ITAÚ E CIELO CAEM FORTE
Mas o Itaú Unibanco PN é a principal causa da queda da Bolsa, recuando 6,55%, cotado a R$ 23,80. . O aumento da margem financeira nas operações com clientes e o mercado e as maiores receitas com prestação de serviços contribuíram para esse resultado.
Mas, no ano passado, o maior banco privado do país viu sua carteira de crédito avançar 4,6%, chegando a R$ 585,5 bilhões, um crescimento abaixo da inflação. Para 2016, a situação não deverá ser diferente, a instituição espera que o total de empréstimos cresça no máximo 4,5% — e, no pior cenário, tenha uma leve retração de 0,5%.
— O mercado reage a uma mescla de fatores, como a queda do petróleo, o recuo das bolsas internacionais e resultados corporativos — disse Luiz Roberto Monteiro, operador da corretora Renascença. — Apesar de o resultado do Itaú ter vindo acima do esperado, os analistas financeiros estão preocupados com o aumento das provisões contra a inadimplência. Teve também o balanço de Cielo, que veio abaixo das expectativas do mercado. Como o setor financeiro tem um peso grande, isso tudo acaba influenciado no Ibovespa.
A Cielo registrou lucro líquido de R$ 852,7 milhões no quarto trimestre, contra uma estimativa mediana de R$ 977,4 milhões entre os analistas dos bancos. Os papéis da companhia despencam 7,10%, a R$ 30,98.
Na agenda de dados econômicos domésticos, uma influência negativa são , o início da série da Pesquisa Industrial Mensal do IBGE. O tombo foi de 8,3%. O ano passado foi o segundo ano seguido de recuo na produção e as projeções são de nova retração em 2016, embora em intensidade menor. Considerando apenas o mês de dezembro, a produção caiu 0,7% frente a novembro e 11,9% em relação a dezembro de 2014. Em 2009, até então o pior resultado da pesquisa, a retração foi de 7,1%.