Economia

Bolsa recua 2,77% na semana com grécia no radar; dólar encerrou vendido a R$ 3,14

Redação DM

Publicado em 6 de julho de 2015 às 15:46 | Atualizado há 11 anos

SÃO PAULO – Num dia sem as Bolsas americanas e com incertezas sobre o plebiscito na Grécia, o dólar comercial subiu frente ao real e a Bolsa se desvalorizou, acompanhando tendência global. No fim da sessão, a moeda americana se valorizou 1,42%, sendo negociada a R$ 3,141 na venda. No cenário doméstico, também pesou sobre a divisa a decisão do Banco Central de reduzir a oferta de contratos de swap cambial ao mercado. Na máxima do dia, o dólar comercial subiu até R$ 3,143 e na mínima recuou a R$ 3,114. Na semana, a divisa acumulou alta de 0,41%.

O Banco Central anunciou, na noite de quinta, redução na rolagem dos lotes de contratos de swap cambial que vencem em agosto, para 6 mil contratos ante 7,1 mil rolados anteriormente. Com isso, devem ser renovados 60% do lote de US$ 10,6 bilhões. Nos lotes anteriores, o BC rolou 70% do total. Ao longo do mês, o BC já havia reduzido o percentual de rolagem desses papéis, por duas vezes, mas mesmo assim a moeda americana terminou junho com desvalorização de 2,4% frente ao real, com a sinalização do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) de que a taxa de juros deverá ser elevada gradualmente.

Para o sócio da corretora Pionner, João Medeiros, a estratégia do BC ao reduzir a oferta de swaps cambiais é manter o dólar num piso informal entre R$ 3,08 e R$ 3,10.

– Se o dólar cair, como aconteceu ontem, o BC vai aproveitar para reduzir a oferta de swap cambial, um contrato no mercado futuro que dá proteção aos investidores. Com isso, a moeda tende a subir para o piso informal entre R$ 3,08 e R$ 3,10 e o BC diminui sua exposição a esses contratos, que somam mais de US$ 100 bilhões – observa Medeiros.

Segundo o especialista, a expectativa é que a moeda americana chegue ao final do ano flutuando entre R$ 3,20 e R$ 3,27, dando competitividade às exportações, além de reduzir a demanda por produtos importados, que sobem de preço.

Na quinta, a moeda americana apresentou sua maior queda frente ao real em dois meses e meio, após a divulgação de que a economia americana gerou menos postos de trabalho que o esperado em junho. A moeda caiu 1,55%, cotada a R$ 3,095 para compra e a R$ 3,097 para venda, a maior baixa diária desde 14 de abril e a menor cotação desde 23 de junho.

BOLSAS NOS EUA ESTÃO FECHADAS

Nesta sexta, as bolsas americanas ficaram fechadas com as comemorações antecipadas do Dia da Independência dos EUA, 4 de julho. Sem os investidores americanos, a sessão foi de poucos negócios tanto no câmbio quanto nas Bolsas. O mercado também manteve a cautela antes do plebiscito na Grécia, marcado para domingo, onde será decidido se o país aceita ou não mais medidas de austeridade impostas pelos credores em troca de novos empréstimos. Os investidores evitaram tomar posições mais arriscadas.Na Ásia, os principais pregões fecharam em queda, assim como na Europa.

No Brasil, o Ibovespa, índice de referência do mercado de ações, acompanhou o movimento global e se manteve em queda desde a abertura. No fechamento, o índice recuou 1,10% aos 52.519 pontos e volume financeiro de apenas R$ 2,8 bilhão, bem abaixo da média de R$ 5 bilhões da semana. O índice foi puxado pela queda expressivas dos papéis da Petrobras e atingiu o menor patamar em três meses. Na semana, o índice recuou 2,77%.

– Os investidores reduziram sua exposição ao risco, enquanto esperam pelo referendo na Grécia. A ausência de investidores internacionais, com o feriado nos EUA, também prejudicou os negócios – disse Ari Santos, gerente de mesa Bovespa da corretora H. Commcor.

Para ele, além dos fatores pontuais como Grécia, a Bolsa brasileira vem refletindo as condições fracas da economia, com baixo crescimento, dados ruins de emprego e atividade industrial.

A maior alta do pregão foi apresentada pelas ações ordinárias (com direito a voto) da CPFL Energia. Os papéis da empresa subiram 1,55% a R$ 19,03. As ações da Petrobras tiveram as maiores quedas, puxando o índice. Os papéis ordinários perderam 5,06% a R$ 12,95, a maior queda do Ibovespa, enquanto os preferenciais recuaram 4,63% a R$ 11,73, a segunda maior desvalorização.

Os preços do minério de ferro no mercado à vista da China renovaram nesta sexta-feira a mínima de 10 semanas, no sétimo dia consecutivo de perdas, em meio a um aumento na oferta e uma redução na demanda das siderúrgicas locais. O preço do minério caiu para US$ 54,10 dólares por tonelada, menor nível desde 23 de abril, segundo o The Steel Index. As ações PNA da Vale recuaram 1,55% a R$ 15,23.

NA GRÉCIA, INDECISÃO

Duas pesquisas divulgadas . O governo pede que a população vote “não” às medidas de austeridade impostas pelos credores e planeja usar este resultado para obter melhores condições num acordo. Na primeira pesquisa, a campanha do ‘sim’ lidera com pequena margem, segundo levantamento do instituto Alco para o jornal grego Ethnos. O levantamento mostrou que 44,8% dos gregos votarão ‘sim’, enquanto 43,4% votarão ‘não’ e 11,8% estão indecisos. Mas a margem de erro da pesquisa é de 3,1 pontos percentuais, o que na prática indica empate técnico.

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Já uma sondagem realizada pela Bloomberg News mostra empate técnico, com 43% pretendendo dizer “não” aos termos exigidos por Fundo Monetário Internacional (FMI), banco Central Europeu (BCE) e Comissão Europeia (CE).

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