China: investigação em corretoras leva a disparada de vendas, e cotações despencam
Redação DM
Publicado em 27 de novembro de 2015 às 02:10 | Atualizado há 11 anosXANGAI – As ações da China estão despencando nesta sexta-feira, com investidores se desfazendo dos papeis devido ao fato de que algumas das maiores corretoras do país revelando que estão sob investigações regulatórias por falhas em supervisão e a administração de empresas de títulos. O índice Shanghai Composite caiu 5,5%, maior declínio de a queda de 17% rgistrada em 26 de agosto. O índice Hang Seng China Enterprises caiu 2,5% em Hong Kong. O índice Hang Seng teve um recuo de 1,9%. Um indicador das ações financeiras no CSI 300 caiu 5%.
As corretoras sob investigação são a Citic Securities e a Guosen Securities, em Xangai, que estão na mira das autoridades por supostas violações de regras. A Haitong Securities, que teve a negociação de suas ações suspensa, também está sendo investigada. A Citic Securities e a Guosen Securities caíram 10% cada. A Haitong International Securities Group teve um declínio de 7,5%, maior queda desde 24 de agosto em Hong Kong. A Citic disse que irá cooperar com a investigação e que suas operações estão normais. A Guosen Securities também disse que estava sendo investigada pela comissão por supostas violações às regras similares. A Haitong Securities disse após o fechamento do mercado que estava sendo investigada, sem dar detalhes.
Além disso, pioraram o clima no mercado financeiro local a queda dos lucros industriais — recuo de 4,6% no mês passado, conforme dados divulgados na sexta-feira, contra uma queda de 0,1% em setembro — e a divulgação de que duas empresas não estão conseguindo honrar seus bonds.
A investigação na indústria financeira surge em um momento em que o governo amplia uma campanha anticorrupção e busca atribuir culpas pela onda de vendas de papéis no início do ano. As autoridades estão testando a força de um mercado altista nascente retirando o congelamento às ofertas públicas iniciais e descartando uma regra que exige que as corretoras mantenham posições líquidas longas, justamente no momento em que os primeiros indicadores de novembro sinalizam uma piora no crescimento econômico. Uma fabricante de fertilizantes chinesa e uma produtora de ferro gusa se tornaram as últimas empresas a sinalizar problemas com dívidas após pelo menos seis calotes neste ano.
— O declínio agudo levantará dúvidas se a confiança das autoridades que estamos vendo estabilidade nos mercados chineses pode ser um pouco prematura — disse Bernard Aw, estrategista da IG Asia Pte. em Cingapura. — A alta desde o colapso de agosto não foi fundamentalmente sustentada. A remoção das restrições para grandes corretoras venderem e a retomada dos IPOs podem não ter sido anunciadas em um momento oportuno.
INVESTIGAÇÕES SE AMPLIANDO
A repressão financeira tem se intensificado nas últimas semanas e envolveu uma destacada gestora de fundos hedge e o vice-presidente da comissão reguladora. O presidente da Citic Securities, Cheng Boming, é um dos sete executivos da empresa citados pela agência de notícias Xinhua que estão sob investigação. A corretora Guotai Junan International Holdings disse na segunda-feira que havia perdido contato com o presidente de seu conselho, provocando uma queda de 12% nas ações da empresa.
Uma fabricante de explosivos industriais se tornará o primeiro IPO a ser precificado desde que a reguladora cancelou o congelamento de cinco meses às novas vendas de ações imposto durante o auge da queda. Dez empresas venderão novas ações na semana que vem. Os 28 IPOs finais sob o atual sistema de loteria online provavelmente garantirão 3,4 trilhões de yuans (US$ 532 bilhões), segundo a média das estimativas de seis analistas compiladas pela Bloomberg.
“Existe a necessidade de consolidação depois que o mercado viu uma boa recuperação e as investigações às corretoras e a retomada dos IPOs estão entre as desculpas para que os investidores saiam”, disse Sun Jianbo, estrategista da Galaxy Securities. “A consolidação poderia continuar por um a dois meses”.